Com as
eleições europeias quase à porta (maio de 2014) e sendo as legislativas em 2015 como tudo indica, para mal ou bem das nossas vidas (dependendo da perspetiva),
acordei hoje a pensar nisto.
Sinceramente,
podia dar-me para estar virado para outras coisas mais agradáveis. Talvez as
prendinhas que vou receber no Natal, ou as festaças que aí vêm, mas não, deu-me
para isto (as eleições).
Brincadeiras à
parte, para mim e para as minhas intenções de voto, o cenário é desolador.
À direita,
estamos conversados. Para aí não vai de certeza o meu voto, nem que me apareçam
os pastorinhos com “selfies” da nossa senhora abraçada ao passos coelho e ao
portas.
À esquerda,
tenho muita pena mas, por agora, conversados estamos. Senão vejamos:
No PS, não
posso votar simplesmente porque não sei como se vota num partido que não
existe, ou que se eclipsou completamente. Podem argumentar que o partido não é
a sua direção, mas isso são simplesmente argumentos, porque ainda no ano
passado o dito assumiu o consenso (quanto a mim podre) em volta de seguro. Não
estejam à espera que eu vá votar neles, só porque se agarraram a uma estratégia
do “vamos ficar quietinhos que o poder vem cair-nos ao colo”. De qualquer forma,
é melhor não imaginar a.j. seguro como primeiro ministro. Não me apetece passar
a quadra natalícia com pesadelos.
No PC? Sinceramente,
apesar de serem o partido que, a par com a CGTP, protagoniza as acções de luta
mais eficazes (na esfera partidária), continuam iguais a si próprios. Neste
caso, o que me fez não votar neles em eleições anteriores, mantém-se. Não é
minha intenção discutir aqui essas razões, porque daria muito pano para mangas,
mas poderá ser interessante para outro artigo.
O BE com a sua
simpática mas ineficaz liderança bicéfala, convence cada vez menos. A sensação
que dá, é dum partido acomodado na sua postura oposicionista, que desistiu de
ser ou participar em soluções de poder (ou se calhar nunca quis). Apesar de
reivindicativo e de mostrar empenho, não aparece como uma verdadeira força
alternativa que possa alterar as fronteiras do chamado arco governativo. Acho
que o BE devia olhar para a sua direita e ver a forma aguerrida com que o
CDS/PP, apesar de saber que não tem hipótese de ser o partido maioritário, luta
para conseguir uma margem eleitoral que lhe permita participar e influenciar
soluções governativas com o PSD.
Para além destes
atuais protagonistas de esquerda, aparecem agora duas espécies de possíveis
alternativas, o LIVRE e o 3D (este fresquíssimo apresentado esta semana).
Quanto ao
LIVRE, depois de ouvir as notícias sobre este embrião de partido e de saber que
se pretendem situar num espaço entre o PS e o BE, fiquei curioso e quis saber
mais. Aquilo que vi no site oficial (ou não vi, talvez mais o que não vi)
desencantou-me. Para além das banalidades generalistas, o primeiro comunicado ou
documento de reflexão (como lhe chamaram) fala da convergência à esquerda e da
necessidade de chamar os outros partidos a uma espécie de plataforma de esquerda para combater a direita. Apesar
de meritório este objetivo, mas que raio de primeiro documento de reflexão é
este. Ainda se fosse um segundo ou terceiro, poderia estar de acordo. Agora como
primeiro documento? Se num primeiro documento, não se fala dos nossos
objectivos próprios, das nossas soluções/reflexões governativas, em suma daquilo
que pretendemos propor aos nossos apoiantes para que confiem em nós quando é
que falaremos. Como posso eu cativar alguém se, à primeira vista, simplesmente
me ofereço para ser um trampolim para a convergência. Mais vale os eleitores
votarem nos outros interessados e esperar que eles se entendam. Não é
necessário meter mais uma carta no baralho.
O auto
denominado movimento 3D, ao que parece “aparece” com o objetivo de concorrer às
europeias, não se assumindo como uma verdadeira alternativa de governo (pelo
menos por enquanto). Apesar de contar com um número de estimáveis subscritores,
sinceramente preciso de mais do que migalhas. Alguém que aparece e apresenta
como objectivo apenas as eleições europeias, sinceramente não me satisfaz.
Depois disto
tudo olho para a esquerda e o que fica? Por exclusão de partes, não fica nada,
ou seja, a esquerda como verdadeira e consequente alternativa à direita, é um
vazio completo.
Pelos vistos, o
panorama é este: os partidos de esquerda que já existem, aparecem-me como situacionistas
(PC) e acomodados (BE), ou em período de hibernação e com devaneios de centro
direita (PS).
Os que desejam
aparecer (LIVRE e 3D), logo à partida se mostram destinados a ser
inconsequentes e a virem engrossar aquele nicho dos zero vírgula qualquer coisa
por cento.
Depois de tudo
isto, desisto de pensar em quem vou votar. Prefiro ser consequente e pensar em
quem gostaria de votar:
1 – Num partido
ou programa ideologicamente situado entre o PS e o Bloco de Esquerda.
2- Num partido
ou programa que apostasse no crescimento económico, revitalizando de forma
controlada o consumo privado e apostando em cortes de despesa que não
passassem, por exemplo por cortes de salários ou de pensões e apostasse numa
efetiva redução do peso do estado.
3 – Num partido
ou programa que defendesse a manutenção debaixo da esfera exclusivamente
pública tanto do SNS como da Educação, apostando sempre na qualidade dos seus serviços e
da sua gestão. Naturalmente que o privado pode continuar a existir sem qualquer
problema, mas quem quiser a ele aceder pagará os seus custos efetivos, sem
qualquer participação do estado. Ou seja, nada de parcerias público privadas
ou de cheques ensino. As existentes são para terminar (imediatamente as
ruinosas e com o tempo as outras).
4 - Num
partido ou programa que apostasse numa efetiva solução para os setores
estratégicos ligados à energia, aos transportes, etc. seja alienando, mantendo
ou fazendo-os retornar na medida do possível e analisando caso a caso, para a
alçada do estado. Isto sempre tendo em conta uma verdadeira visão estratégica,
prevendo mecanismos eficazes de controlo e supervisão e que prevenisse os
desperdícios, abusos e outras matérias inconfessáveis.
5- Num partido
que apostasse numa efetiva reforma da Justiça, com soluções concretas para os
atuais problemas.
6 – Num partido
que apostasse em tetos para a despesa e para a dívida, sem ter qualquer
problema em colocar isso na Constituição ou nas chamadas "regras de ouro" (aprovadas
ou alteradas por maiorias de dois terços).
7- Num partido
que apostasse na introdução das
"regras de ouro" em setores como a Justiça (precisamente para que a sua reforma
seja consensual e dure por muitos anos), como a Educação, a Saúde, etc. (exatamente
pelos mesmos motivos).
8 – Num partido
que apostasse numa verdadeira política de Solidariedade Social e não de
caridade social, em que a dignidade humana seria sempre o ponto inicial e final
de todas as questões. Aqui também se aplicaria a introdução das “regras de ouro”.
9 – Num partido
ou programa que assumisse os direitos das chamadas “minorias” como direitos
inalienáveis e em que o direito à Liberdade Individual de cada Cidadão (seja qual for a sua opção política, religiosa, sexual,etc.) fosse
um dado adquirido, mantendo e ampliando, onde necessário, os já existentes. Incluo, por exemplo, nos direitos individuais a eutanásia, a livre interrupção da gravidez, a adoção por casais homossexuais em igualdade de direitos com os heterossexuais, etc.. Incluo também o respeito e a dignificação das comunidades imigrantes (exatamente como gostaríamos que os nossos emigrantes fossem tratados no exterior).
10 - Falando em direitos, promovendo a legislação necessária e aplicando-a efetivamente na proteção dos animais, incluindo a proibição de qualquer atitude ou atividade (tradicional ou não) que lhes provoque sofrimento. Falo muito concretamente, por exemplo, das touradas e da utilização de animais em circos.
11 – Num partido
que assumisse a defesa e o respeito efetivos e consequentes pela Constituição
Portuguesa.
12 – Num partido
que assumisse perante as instituições internacionais uma postura reivindicativa
mas responsável (sem as tretas do não pagamos ou, em sentido contrário, o choradinho do nós somos pequeninos e eles é
que mandam).
E poderia
continuar por aí além…mas para reflexão basta.
Se alguém ler este
artigo e quiser o meu voto já sabe, proponha isto tudo e…convença-me que quando lá estiver vai cumprir.










