quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Em quem vou eu votar ou em quem gostaria eu de votar? Ou como uma análise do atual panorama político se transformou no meu “manifesto” para quem quiser o meu voto.


 
Com as eleições europeias quase à porta (maio de 2014) e sendo as legislativas em 2015 como tudo indica, para mal ou bem das nossas vidas (dependendo da perspetiva), acordei hoje a pensar nisto.

Sinceramente, podia dar-me para estar virado para outras coisas mais agradáveis. Talvez as prendinhas que vou receber no Natal, ou as festaças que aí vêm, mas não, deu-me para isto (as eleições).

Brincadeiras à parte, para mim e para as minhas intenções de voto, o cenário é desolador.

À direita, estamos conversados. Para aí não vai de certeza o meu voto, nem que me apareçam os pastorinhos com “selfies” da nossa senhora abraçada ao passos coelho e ao portas.

À esquerda, tenho muita pena mas, por agora, conversados estamos. Senão vejamos:
No PS, não posso votar simplesmente porque não sei como se vota num partido que não existe, ou que se eclipsou completamente. Podem argumentar que o partido não é a sua direção, mas isso são simplesmente argumentos, porque ainda no ano passado o dito assumiu o consenso (quanto a mim podre) em volta de seguro. Não estejam à espera que eu vá votar neles, só porque se agarraram a uma estratégia do “vamos ficar quietinhos que o poder vem cair-nos ao colo”. De qualquer forma, é melhor não imaginar a.j. seguro como primeiro ministro. Não me apetece passar a quadra natalícia com pesadelos.

No PC? Sinceramente, apesar de serem o partido que, a par com a CGTP, protagoniza as acções de luta mais eficazes (na esfera partidária), continuam iguais a si próprios. Neste caso, o que me fez não votar neles em eleições anteriores, mantém-se. Não é minha intenção discutir aqui essas razões, porque daria muito pano para mangas, mas poderá ser interessante para outro artigo.

O BE com a sua simpática mas ineficaz liderança bicéfala, convence cada vez menos. A sensação que dá, é dum partido acomodado na sua postura oposicionista, que desistiu de ser ou participar em soluções de poder (ou se calhar nunca quis). Apesar de reivindicativo e de mostrar empenho, não aparece como uma verdadeira força alternativa que possa alterar as fronteiras do chamado arco governativo. Acho que o BE devia olhar para a sua direita e ver a forma aguerrida com que o CDS/PP, apesar de saber que não tem hipótese de ser o partido maioritário, luta para conseguir uma margem eleitoral que lhe permita participar e influenciar soluções governativas com o PSD.

Para além destes atuais protagonistas de esquerda, aparecem agora duas espécies de possíveis alternativas, o LIVRE e o 3D (este fresquíssimo apresentado esta semana).

Quanto ao LIVRE, depois de ouvir as notícias sobre este embrião de partido e de saber que se pretendem situar num espaço entre o PS e o BE, fiquei curioso e quis saber mais. Aquilo que vi no site oficial (ou não vi, talvez mais o que não vi) desencantou-me. Para além das banalidades generalistas, o primeiro comunicado ou documento de reflexão (como lhe chamaram) fala da convergência à esquerda e da necessidade de chamar os outros partidos a uma espécie de plataforma  de esquerda para combater a direita. Apesar de meritório este objetivo, mas que raio de primeiro documento de reflexão é este. Ainda se fosse um segundo ou terceiro, poderia estar de acordo.  Agora como primeiro documento? Se num primeiro documento, não se fala dos nossos objectivos próprios, das nossas soluções/reflexões governativas, em suma daquilo que pretendemos propor aos nossos apoiantes para que confiem em nós quando é que falaremos. Como posso eu cativar alguém se, à primeira vista, simplesmente me ofereço para ser um trampolim para a convergência. Mais vale os eleitores votarem nos outros interessados e esperar que eles se entendam. Não é necessário meter mais uma carta no baralho.

O auto denominado movimento 3D, ao que parece “aparece” com o objetivo de concorrer às europeias, não se assumindo como uma verdadeira alternativa de governo (pelo menos por enquanto). Apesar de contar com um número de estimáveis subscritores, sinceramente preciso de mais do que migalhas. Alguém que aparece e apresenta como objectivo apenas as eleições europeias, sinceramente não me satisfaz.

Depois disto tudo olho para a esquerda e o que fica? Por exclusão de partes, não fica nada, ou seja, a esquerda como verdadeira e consequente alternativa à direita, é um vazio completo.

Pelos vistos, o panorama é este: os partidos de esquerda que já existem, aparecem-me como situacionistas (PC) e acomodados (BE), ou em período de hibernação e com devaneios de centro direita (PS).

Os que desejam aparecer (LIVRE e 3D), logo à partida se mostram destinados a ser inconsequentes e a virem engrossar aquele nicho dos zero vírgula qualquer coisa por cento.

Depois de tudo isto, desisto de pensar em quem vou votar. Prefiro ser consequente e pensar em quem gostaria de votar:

1 – Num partido ou programa ideologicamente situado entre o PS e o Bloco de Esquerda.

2- Num partido ou programa que apostasse no crescimento económico, revitalizando de forma controlada o consumo privado e apostando em cortes de despesa que não passassem, por exemplo por cortes de salários ou de pensões e apostasse numa efetiva redução do peso do estado.

3 – Num partido ou programa que defendesse a manutenção debaixo da esfera exclusivamente pública tanto do SNS como da Educação, apostando sempre na qualidade dos seus serviços e da sua gestão. Naturalmente que o privado pode continuar a existir sem qualquer problema, mas quem quiser a ele aceder pagará os seus custos efetivos, sem qualquer participação do estado. Ou seja, nada de parcerias público privadas ou de cheques ensino. As existentes são para terminar (imediatamente as ruinosas e com o tempo as outras).

4 - Num partido ou programa que apostasse numa efetiva solução para os setores estratégicos ligados à energia, aos transportes, etc. seja alienando, mantendo ou fazendo-os retornar na medida do possível e analisando caso a caso, para a alçada do estado. Isto sempre tendo em conta uma verdadeira visão estratégica, prevendo mecanismos eficazes de controlo e supervisão e que prevenisse os desperdícios, abusos e outras matérias inconfessáveis.

5- Num partido que apostasse numa efetiva reforma da Justiça, com soluções concretas para os atuais problemas.

6 – Num partido que apostasse em tetos para a despesa e para a dívida, sem ter qualquer problema em colocar isso na Constituição ou nas chamadas "regras de ouro" (aprovadas ou alteradas por maiorias de dois terços).

7- Num partido  que apostasse na introdução das "regras de ouro" em setores como a Justiça (precisamente para que a sua reforma seja consensual e dure por muitos anos), como a Educação, a Saúde, etc. (exatamente pelos mesmos motivos).

8 – Num partido que apostasse numa verdadeira política de Solidariedade Social e não de caridade social, em que a dignidade humana seria sempre o ponto inicial e final de todas as questões. Aqui também se aplicaria a introdução das “regras de ouro”.

9 – Num partido ou programa que assumisse os direitos das chamadas “minorias” como direitos inalienáveis e em que o direito à Liberdade Individual de cada Cidadão (seja qual for a sua opção política, religiosa, sexual,etc.) fosse um dado adquirido, mantendo e ampliando, onde necessário, os já existentes. Incluo, por exemplo, nos direitos individuais a eutanásia, a livre interrupção da gravidez,   a adoção por casais homossexuais em igualdade de direitos com os heterossexuais, etc.. Incluo também o respeito e a dignificação das comunidades imigrantes (exatamente como gostaríamos que os nossos emigrantes fossem tratados no exterior).
 
10 - Falando em direitos, promovendo a legislação necessária e aplicando-a efetivamente na proteção dos animais, incluindo a proibição de qualquer atitude ou atividade (tradicional ou  não) que lhes provoque sofrimento. Falo muito concretamente, por exemplo,  das touradas e da utilização de animais em circos.

11 – Num partido que assumisse a defesa e o respeito efetivos e consequentes pela Constituição Portuguesa.

12 – Num partido que assumisse perante as instituições internacionais uma postura reivindicativa mas responsável (sem as tretas do não pagamos ou, em sentido contrário,  o choradinho do nós somos pequeninos e eles é que mandam).

E poderia continuar por aí além…mas para reflexão basta.

Se alguém ler este artigo e quiser o meu voto já sabe, proponha isto tudo e…convença-me que quando lá estiver vai cumprir.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Uruguai torna-se no primeiro país do mundo a legalizar comércio de marijuana




Uruguai torna-se no primeiro país do mundo a legalizar comércio de marijuana.
 
Com o falhanço de todas as vias repressivas seguidas no mundo inteiro, sendo a América Latina um dos pontos em que o flagelo do narcotráfico mais vítimas causa, é de saudar esta decisão, que abre uma outra via ao combate a esse mesmo narcotráfico.
 
A opção pela regulamentação e venda legal de forma controlada e a preços competitivos, vem à partida tirar espaço de manobra ao comércio ilegal. Não sei se será a melhor solução, mas pelo menos abre outra porta de saída para um problema de proporções incontroláveis.
 
Como em tudo na vida, a defesa de dogmas completamente ultrapassados pela realidade dos nossos dias, é oferecer de bandeja ao "inimigo" o controlo da situação. O que quero dizer com isto é que, defender a via puramente repressiva (que, friso, redundou num rotundo falhanço) é, quanto a mim, defender a manutenção do actual status quo, com os grandes carteis da droga a expandirem quase impunemente os seus negócios.
 
Esta decisão, inteligente, revela uma enorme coragem, porque tem contra ela todas as instâncias internacionais, é ainda mais importante porque parte dum País latino americano e mais ainda sendo uma zona de enorme influência das agencias de combate ao narcotrafico dos Estados Unidos (um dos países ocidentais mais repressivos neste domínio e, ao mesmo tempo, um dos países em que a luta anti-droga mais tem falhado).
 
Será que isto vem alterar ou melhorar alguma coisa? Naturalmente, não tenho certezas porque dogmas antigos não se combatem com novos dogmas, mas sim com análises racionais.
 
Tendo dito isto, acredito que esta é a melhor via para a resolução do problema.
E, se dúvidas houverem basta olhar para o passado e temos exemplos como a lei seca nos Estados Unidos que abriu a porta aos grandes grupos de gangsters que dominavam o trafico do alcool, com todo o problema de criminalidade organizada  envolvido.
Para além disso, uma realidade não menos importante, é a subjugação de todos aqueles que, pelos mais variados motivos, são consumdores  deste tipo de produtos.
 
Um mercado de venda legal e controlado permite que um consumidor, ao invés do que se passa actualmente, possa adquirir o produto sem ter que sujeitar-se a ter de "conviver" e negociar com os chamados "dealers", porta aberta para a entrada no sub-mundo e para "passagens" para drogas mais duras.
 
Termino, saudando o Uruguai e a decisão democrática (tomada pelo Parlamento) desejando o maior sucesso na implementação desta medida.
 
Ao mesmo tempo, permito-me também desejar que outros países queiram e/ou possam, pelo menos, estar abertos a estudar esta medida e a analisar os seus resultados.
 

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Resolução ONU defende direitos das mulheres? Eu chamo resolução da vergonha numa europa de invertebrados rastejantes...





Resolução ONU defende direitos das mulheres??????? Eu diria que defende o direito de os Países maltratarem as Mulheres. Ao ler o artigo a minha reacção foi em primeiro lugar de espanto e depois de um asco que por pouco não se traduziu em vómito.
Eu chamaria resolução da vergonha, ou como se consegue tornar inócua (no mínimo) uma boa oportunidade para tentar mudar alguma coisa.
Ao aprovar esta resolução a ONU mais não fez que passar uma esponja por todo o sofrimento, humilhações e torturas a que as mulheres estão sujeitas em todo o mundo.
Mais valia não ter existido resolução nenhuma. A mensagem que a ONU devia ter passado para o exterior é que não tinha havido resolução por que os países a,b, c e d se opuseram.
E os países europeus/união europeia deviam ter emitido um comunicada o condenar veementemente a falta de acordo, explicando os motivos.
Mas a ONU e a diplomacia europeia não passam de instituições invertebradas e balofas que, ou não actuam ou quando resolvem actuar, só fazem m….
No fundo, não passam duma espécie de comissões parlamentares portuguesas que, ou não decidem nada ou, quando decidem, as suas decisões são inócuas ou completamente facciosas…
 
Senão vejamos:  “Para conseguir uma aprovação por consenso, os promotores da resolução, liderados pela Noruega, foram obrigados a retirar um parágrafo que condenava "todas as formas de violência contra as mulheres".”
A Noruega decidiu eliminar um parágrafo a estipular que os Estados devem "condenar firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra as defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes, tradições ou religião para esquecer obrigações" assumidas.”
Este é o parágrafo da nossa vergonha, ou seja, a sua ausência permite que tudo continue na  mesma. Eu até acho que fica pior, porque os países que o vetaram estão de certeza, neste momento, a rir-se perante a covardia e a mentalidade corrupta deste pseudo "ocidente de valores". Corrupta sim, porque ao retirarem o parágrafo, os noruegueses/europeus/norte americanos, mais não fizeram que calar os seus ideais, em nome do acesso aos mercados milionários desses países.
 “Os países africanos insistiram no respeito dos costumes e tradições, enquanto a Rússia, o Irão e a China exigiram que os defensores dos direitos devem respeitar as leis de cada país, disseram diplomatas e militantes."
Só que esta espécie de animais rastejantes que integram a comissão da onu, esquecem que "o respeito de costumes e tradições" é , por exemplo, respeitar e compactuar com a mutilação genital nalguns desses países.
Esquecem também que "o respeito das leis do país" é por exemplo aceitar que uma mulher não passa de uma mera propriedade do homem.
E neste esquecimento desta canalha (para não chamar nomes piores) vêm à minha memória estes números que publiquei ontem (do artigo que saiu no Público a propósito do Dia internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres): "Por todo o mundo uma em cada três mulheres será sujeita a uma das várias formas de violência. Uma em cada três raparigas casará antes dos 18 anos e 12% delas casar-se-ão antes de completarem 15 anos. 125 milhões de mulheres terão sido sujeitas a mutilação genital feminina.
Todos os dias 20.000 raparigas, com menos de 18 anos, dão à luz no mundo em desenvolvimento e 603 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica não é crime. Entre 250.000 e 500.000 mulheres e raparigas foram violadas durante o genocídio no Ruanda em 1994. Sete em cada 10 mulheres no mundo relatam ter sofrido alguma forma de violência física e psíquica ao longo das suas vidas. As mulheres e raparigas contabilizam cerca de 80% das cerca de 800.000 pessoas que todos os anos são traficadas e 79% dessas mesmas mulheres serão traficadas para fins de exploração sexual. E podia ainda falar do assédio sexual, do assédio no lugar de trabalho, dos crimes de honra, dos crimes ligados ao dote, da seleção pré-natal do sexo, do femicídio. Em Portugal, dados não oficiais dão conta de três dezenas de mulheres assassinadas este ano."....
 
 
O que a resolução da ONU fez ao retirar o parágrafo que condenava “firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra as defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes, tradições ou religião para esquecer obrigações” foi passar uma esponja sobre estes dados reais.
Vergonhosos os consensos que se arranja, alegando que optamos por um mal menor. É curioso como a europa defensora dos Direitos Humanos, com os países nórdicos como bastiões do desenvolvimento e da dignidade humana, se vergam ao poder do petróleo, do dinheiro , dos mercados de biliões.
Para já não falar nos estados unidos,  arautos da Democracia e dos Direitos Humanos. Que diria obama se, há 50 anos atrás, a ONU tivesse aprovado uma resolução a dizer que o racismo era condenável, mas que se devia respeitar as leis dos países. Neste momento ainda teríamos segregação nos estados do sul.
O que esta resolução veio trazer foi adiar por mais uns bons anos, ou como se costuma dizer, foi adiar lá para as calendas gregas, uma condenação eficaz e activa das violações dos direitos das mulheres.
Será que esta diplomacia abjecta subordinada aos interesses económicos, não entende que há consensos que não se admitem?
Será que esta gente (onde de certeza estiveram “senhoras” europeias) que negociou esta vergonha, chegou a casa e conseguiu olhar-se ao espelho?


terça-feira, 26 de novembro de 2013

CHOCANTE...!!!! Pelo fim da violência contra as mulheres, pela dignidade humana!!!!





Apesar do Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres ter sido ontem, aqui está um excelente artigo, do qual cito:

"Por todo o mundo uma em cada três mulheres será sujeita a uma das várias formas de violência. Uma em cada três raparigas casará antes dos 18 anos e 12% delas casar-se-ão antes de completarem 15 anos. 125 milhões de mulheres terão sido sujeitas a mutilação genital feminina.
Todos os dias 20.000 raparigas, com menos de 18 anos, dão à luz no mundo em desenvolvimento e 603 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica não é crime. Entre 250.000 e 500.000 mulheres e raparigas foram violadas durante o genocídio no Ruanda em 1994. Sete em cada 10 mulheres no mundo relatam ter sofrido alguma forma de violência física e psíquica ao longo das suas vidas. As mulheres e raparigas contabilizam cerca de 80% das cerca de 800.000 pessoas que todos os anos são traficadas e 79% dessas mesmas mulheres serão traficadas para fins de exploração sexual. E podia ainda falar do assédio sexual, do assédio no lugar de trabalho, dos crimes de honra, dos crimes ligados ao dote, da seleção pré-natal do sexo, do femicídio. Em Portugal, dados não oficiais dão conta de três dezenas de mulheres assassinadas este ano."....
 
Este parágrafo do artigo é suficientemente explícito, para quaisquer comentários. Aqui fica a minha revolta, repulsa, nojo... (e outro tipo do mais grosseiro vernáculo) para quem (seja indivíduo, instituição, empresa ou país) de alguma forma compactua (seja pela actuação, cumplicidade ou pelo simples fechar de olhos) com este verdadeiro flagelo que nos envergonha a todos.
 
Nota: Para quem costuma dar-se ao trabalho de me ler e que sabe que nos útimos tempos não tenho publicado nada aqui no blogue, penso que este é um motivo suficiente para voltar... tenham lá paciência e voltem a ler-me :)
 
  

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Bora apanhar todos uma granda buba...


 


Segundo a notícia do Público,"O Tribunal da Relação do Porto obrigou uma empresa de Oliveira de Azeméis a reintegrar um empregado da recolha do lixo que tinha sido despedido por se ter descoberto que estava a trabalhar alcoolizado".
A notícia em si poderia até ter passado despercebida (apesar de ter sido reintegrado um trabalhador apanhado a trabalhar com 2,3 gramas por litro), não fossem os dignos juízes terem-se dado ao luxo de escrever estas sábias palavras, dignas de figurarem nos mais respeitáveis compèndios do direito e, naturamente, fazerem jurisprudência a nível nacional e internacional:
 
“Vamos convir que o trabalho não é agradável”, observam ainda os desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias Rodrigues e Paula Ferreira Roberto. “Note-se que, com álcool, o trabalhador pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um excelente e rápido removedor de electrodomésticos.”
 
Considero que, com estas sábias palavras, os três juízes do tribunal da relação do porto encontraram a solução para o problema da produtividade neste país. Se os nossos governantes, empresários e trabalhadores em geral, começarem a aplicar esta inovadora e sábia doutrina, iremos assistir muito brevemente, ao maior aumento da procura interna de alcool e derivados e, consequentemente, à revitalização galopante de toda a economia.
 
É pena o anterior ministro da economia ter saído. Assim, em vez de pensar em exportar os pasteis de nata, podia começar a apregoar os poderes milagrosos desta solução e apostar na exportação de tudo quanto  possa pregar uma grande carraspana ao pessoal, utilizando uma série de slogans (que serviriam tanto às empresas como aos trabalhadores) do tipo:
  • Os seus trabalhadores não fazem puto… encharque-os em bagaço.
  • Sente-se infeliz no trabalho… bora mandar uns shots abaixo.
  • Vais a uma entrevista de emprego? Bebe uns copos. Contratação garantida.
Era ver as empresas, o país e, quiçá, o mundo em ambiente de festa eterno…tipo santo antónio ou sao joão.
 
Se o paulo portas e o passos coelho, em vez de andarem às turras, tivessem ido à tasquinha tomar uns copos, aposto que não tinha havido crise.
 
Ou havendo a crise, se o cavaco em vez de vir fazer aquele discurso de salvação nacional, tivesse convidado os dois mais o seguro para uns bagacinhos, podem crer que, ao fim da noite, tínhamos um governo de salvação nacional unido para os próximos cem anos. Pronto, estou a exagerar. Unido pelo menos até à ressaca. Mas como a solução era passar a vida na tasca, a ressaca curava-se com mais uns copitos.
 
Quanto aos juízes, apenas quero dizer que estas sábias palavras só pecam por tardias.
Se tivessem dito isto há uns dois anos, imagino o que teria acontecido se o nosso querido ex-ministro gaspar e os técnicos da troika, durante as famigeradas avaliações, tivessem apanhado umas valentes carraspanas. Não quero garantir, mas talvez estivéssemos um bocadinho melhor. Claro que ainda vamos a tempo, porque vêm aí mais umas avaliações. Já não será o gaspar, mas sim a maria albuquerque. Se ela gostar duns copitos, estamos safos.
 
Quanto a todos os que nos governaram, durante os vinte ou mais anos anteriores e nos levaram a ficar nas mãos da troika, aposto que já conheciam a receita dos juízes, isto é, devem ter passado os seus anos de governação no mais puro estado de embriaguez.
 
 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

"O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém."


 
 
 
 
"O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém."
Luís Menezes Leitão, no ‘i’

 
Ao ler o artigo de Luis Menezes Leitão, no Jornal i, devo dizer que não poderia estar mais de acordo com ele.

O que se passou e continua a passar, após a comunicação do presidente da república, foi e está a ser um espectáculo degradante, reflexo do estado a que grande parte da nossa elite política chegou.

O que os dirigentes partidários dos três partidos do chamado “arco da governação” estão a fazer não tem paralelo na história da nossa democracia, fazendo-nos assistir a um execrável “show” de subserviência e sabujice política perante o presidente, principalmente em matérias que são, na sua essência, de âmbito parlamentar.

No fundo só dão razão a quem critica as actuais direcções partidárias de estarem pejadas de “jotas”, que no seu carreirismo político só sabem assumir posições deste género, em que a hipocrisia, a subserviência e sujeição à lógica aparelhística partidária são a sua componente dominante.

Pelos vistos, como bons “jotinhas” que são, a sua fase de crescimento intelectual estagnou nos tempos de escola, quando os meninos se zangavam e depois levavam raspanetes dos professores, que os mandavam para o castigo até fazerem as pazes.

Se pensarmos bem no que está a acontecer, foi isto mesmo que aconteceu aos dois “jotinhas”, o do psd e o do ps, respectivamente o menino coelho e o menino seguro, que com o seu percurso político dentro do aparelho e a sua mentalidade de “meninos de escola”, são o melhor que poderia acontecer ao “sabido” professor aníbal.

Naturalmente, neste universo “jotinha”, não entra o menino paulinho que faz parte daquele grupo de alunos “repetentes profissionais”, que como bom “salta-pocinhas” desestabilizador que se preze, está metido em tudo o que é marosca ou trapalhada que aconteça na escola.

Já agora pergunto: se assistimos a esta postura por parte dos três “meninos”, quando estão perante o professor aníbal, o que será que acontece quando são chamados à directora merkel?

 Se agora baixam as orelhas e vão direitinhos para o castigo até fazerem as pazes, imagino que perante a sra directora merkel devem borrar-se todos.

Quanto à “salvação nacional”, é com estes anjinhos que o sr professor aníbal quer salvar a escolinha? Acho que por aqui estamos conversados. Nesta escolinha cavaquista, se calhar aqui é que dava jeito o ministro crato, que mandava o professor aníbal para a mobilidade especial e, à boa maneira antiga, chumbava irremediavelmente os três meninos.

Falando muito a sério, convém lembrar a toda esta gente e a todos aqueles que aplaudem neste momento a iniciativa presidencial (a que eu chamo trapalhada presidencial), que os poderes presidenciais e os poderes da assembleia e do governo estão perfeitamente definidos e o respeito institucional e respectiva separação de poderes tem duplo sentido, isto é, não compete só ao parlamento e ao governo respeitar a figura e os poderes presidenciais. Esse respeito deve ser mútuo, sob pena de subversão do regime constitucional vigente.

Por maior apego ao poder que este governo possa ter, nunca deveria ter aceite este raspanete e muito menos a chantagem do “ou se entendem ou demito-os”, como se este fosse um regime presidencialista em que o presidente põe e dispõe a seu bel prazer.

Ao mesmo tempo, por maior vontade de chegar ao poder que o líder do maior partido da oposição possa ter, deveria ter levantado a sua voz e recusado não só esta ingerência da presidência da república em matérias que à assembleia dizem respeito, como também a chantagem explícita no discurso do presidente.  

Convém lembrar que a dignidade e a vitalidade do nosso sistema democrático dependem da dignidade e vitalidade das suas instituições mais representativas. Como podemos constatar, isto está muito longe de acontecer, se olharmos para o espectáculo deplorável que nos proporcionam os diversos actores, seja na presidência da república, no governo ou mesmo no parlamento.

E é bom que todos estejamos conscientes que por mais raspanetes ou reguadas que os actuais dirigentes políticos possam merecer, os fundamentos do Estado Democrático devem prevalecer. Como tal, disse e muito bem, Luís Menezes Leitão:

"Ao aceitarem submeter-se a este ultimato, os líderes partidários prestaram um mau serviço à democracia, que fica em risco com essa sua menorização. O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém (1). E, como se viu pela imediata subida dos juros, nem os sacrossantos mercados acreditam neste devaneio do Presidente.”

NOTA: (1) a esta frase só acrescentaria, num contexto mais geral, que não queremos partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de quem quer que seja.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

conceição esteves, os "carrascos" e a histeria duma menina com pretensões a tia.





A historia de uma histeria ou como o verniz estala facilmente nas meninas com pretensões a tias.

É verdade, coitadinha da menina conceição esteves… aquele seu arzinho cândido, de patrocinadora ou frequentadora de muitas reuniões de caridade onde todas as meninas/senhoras se portam muito bem e onde a cultura jorra a rodos e tudo está como deve ser: as meninas/senhoras sentadas e os empregado(a)s/criado(a)s em pé, silenciosamente, atentos às mínimas necessidades de tão insígnes e devotas criaturas.

E o verniz rebentou de tal maneira, perante tanta desfaçatez vinda precisamente daqueles que deveriam apenas sentar-se no balcão quietos e calados, felizes por poderem presenciar de perto aquela espécie de olimpo pejado de deuses, com a sua deusa/”presidenta” mor, segunda figura deste mundo, só ultrapassada naturalmente pelo deus mor rei da treta silva.

O verniz rebentou, e de que forma…era ver a insigne dama aos berros, aquela sua voz estridente (com aquele seu sotaquezinho que não fica nada bem a quem tem pretensões a tia) a tentar elevar-se acima do bruá da multidão de carrascos que gritavam e atiravam, imagine-se, papeis e balões, conspurcando de forma tão plebeia aquele solo sagrado.

Em suma, a coitada da mulher sentiu-se uma Maria Antonieta acossada, imaginando-se levada pela turbe e decapitada lá para os lados do cais do Sodré, não sem antes passar pelas mãos de tudo quanto era marinheiro, frequentador desse famigerado covil de malfeitores.

Mas a dita menina/senhora após aquele berreiro fenomenal, cujo único paralelo no imaginário popular, só se pode encontrar no mercado do Bulhão, ainda encontrou forças para verberar as suas razões e sentenças.

E lá saiu a ideia peregrina de fechar as galerias, deixando os deuses entregues a si próprios, expelindo os seus divinos perdigotos, sem a assistência de plebes desmerecedoras da sua excelsa verborreia.

Não satisfeita e, naturalmente ainda indignada, a dita menina/senhora, a muito custo, lá foi buscar uma frase de Simone de Beauvoir (pelos vistos só conhece essa e não a deve ter lido directamente dum livro desta, mas sim duma compilação de dizeres num qualquer livro de auto-ajuda).

Falando um bocadinho a sério, lá vem mais uma personagem a quem foge a boca para a verdade e quer fechar as galerias da chamada casa da democracia, áqueles que são a sua razão de existir. Digo mais uma, lembrando-me de outra que achou que se podia interromper a democracia por seis meses, ou o rei da treta que vendo o povo à fome se preocupa com a sua “mísera” pensão.

Voltando à insígne segunda figura da nação, reformada aos 42 anos a partir de uma lei aprovada precisamente naquela casa, quando os “carrascos” andavam distraídos e adormecidos pelos fundos europeus que entravam a jorro, se, por algum motivo, Simone de Beauvoir ouviu o triste espectáculo da menina/senhora, deve neste momento andar às voltas no seu túmulo e a desejar ser mais um dos “carrascos”, para poder ir lá e lhe dar um bom par de açoites, à boa maneira conservadora portuguesa que a dita "menina" tanto preza.

 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Demissão já…. mas do sr. aníbal silva em primeiro lugar (e com urgência).




Mas será que ninguém manda o sr.aníbal silva dar uma volta ao bilhar grande?
Este homem é pior que uma múmia e chega a ser ainda pior que uma praga.

É que as múmias não se mexem e quando muito ocupam espaço (que saudades dos tempos em que ele andava quieto e escondido).

O sr. aníbal  silva, além de ocupar espaço e gastar o nosso dinheiro, ainda estraga. Se fosse só isso diria que é uma praga. Mas não, ele ainda é pior que uma praga. Nos conceitos bíblicos que o homem e a sua maria tanto gostam, as pragas duram sete anos. Este já por cá anda a "chatear-nos" há muito mais do que isso.
Confesso que o homem me surpreendeu. Quando estava à espera que ele dissesse que aceitava a solução proposta pelo governo e que íamos ter de aguentar os artistas mais dois anos, aparece este inominável sr., no seu característico estilo sebento e bacoco, a fazer mais um discurso completamente vazio de soluções.

Este homem é um tretas, mas da pior espécie que é, neste caso, a espécie dos recalcados vingativos que têm um umbigo dez vezes maior que o cérebro e só sentem prazer na desgraça dos outros.
Mas vamos lá às tretas do homem. Vejamos os cenários que se punham em cima da mesa:

Cenário das eleições gerais: Já toda a gente calculava que para eleições gerais imediatas, o homem não ia. Aí acertámos.
Cenário da aceitação da solução do Governo: penso que era a aposta da grande maioria de nós. Concordando ou não, não havendo eleições gerais seria a solução mais sensata para sair deste impasse.

Claro que, raciocinando à "posteriori", este incontornável personagem tinha de aparecer com outro cenário.
Cenário da salvação nacional (1): aqui deixem-me dar um sorriso (eheheheh). Só pode ter sido mais uma aparição da Nossa Senhora. A sua terna e devota maria, num dos seus momentos de intimidade, deve ter-lhe dito com aquele seu ar campesino: ”oh aníbal, sabes que o que a Nossa Senhora quer é a salvação nacional”.
E a ideia começou a germinar na cabecinha do dito (aníbal silva) “et voila”. Sai-lhe esta aberração.

Mas alguém acredita em governos de salvação nacional?
Alguém acredita que, mesmo que eles aceitassem, uma coligação dos 3 partidos seria alguma coisa estável?
Para já não falar que sempre que alguém me aparece com ideias deste género, quer lhes chamem salvações nacionais ou outras coisas que tais, sobe-me logo às narinas um cheirinho a salazarismo bafiento.
Não perdendo muito tempo tempo com as suas motivações, das duas uma, ou o personagem está completamente caquético, ou então quer vingar-se dos seus inimigos (que são todos os que não lhe lambem as botas).
 
Confesso que o asco que o homem me provoca me leva a juntar as duas: o homem é simplesmente um caquético vingativo.
Mas quem não tem a memória curta, sabe que não são sintomas da idade. Ele não é assim há pouco tempo, esta "maldadezinha bacoca" é intrínseca do artista e vem já dos seus famigerados tempos de primeiro ministro.
 
Nota: (1) espantam-me os comentadores televisivos que ainda tentam fazer análises sérias aos discursos do sr. aníbal silva. Só se compreende a sua prosápia, se tivermos em conta que quanto mais "paleio" arrajarem, mais dinheiro ganham.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O Presidente é um "verbo-de-encher, que não está ali a fazer nada"...


 








Mais uma vez, cavaco não me desiludiu. Simplesmente porque, mais uma vez, não me iludiu.

Uma promulgação recorde, em 24 horas, duma lei que permite não pagar agora o subsídio de ferias.

A propósito disto, Constança Cunha e Sá vem dizer que o presidente é um "verbo-de-encher e não está ali a fazer nada"…. Eu concordo com muito do que ela diz, excepto com o facto dele não estar ali a fazer nada. Antes pelo contrário, acho que está a fazer muita coisa, muita… "porcaria" (o decoro não me permite usar outra palavra).

Também não acredito na história do palhaço inocente com tendência para fazer "porcaria" (mais uma vez, o decoro...) ou na história do coitadinho que faz o que lhe mandam e, muito menos, em o governo o ter como favas contadas.

Eu acredito mais na tese do lobo mau. Não tenho dúvidas nenhumas que o sr. cavaco silva (1) o faz por convicção profunda e se, em vez de ser presidente, fosse primeiro-ministro, faria muito pior que o actual.

A nossa memória não deve ser curta e, o tempo famigerado do cavaquismo, só não foi mais desastroso para o país e para a democracia, devido à avalanche de dinheiro recebida da UE e à conjuntura internacional propícia.

Quem não se lembra de todos os traços de imbecilidade, prepotência e falta de espírito democrático que o, nessa altura, primeiro-ministro cavaco demonstrava?

Por isso, é bom não pensarmos que estamos perante um homenzinho simples e piedoso que, com o avançar da idade, vai apresentando sinais de senilidade e se deixa subjugar por uns jovenzinhos marotos.

Desengane-se quem acredita na tese do uso minimalista dos poderes presidenciais ou de não se imiscuir nos assuntos governativos. A história dos seus mandatos tem demonstrado o contrário. Não só se imiscui, como é vingativo e a sua famigerada "magistratura de influência" existe de facto, mas não com o cunho de imparcialidade ou de intermediação que sua exa pretende fazer crer. Ele é não só um actor, mas também um motor desta política. E, é-o, não por estar preso ou subjugado pelo governo ou outros interesses, mas por convicção profunda.

Por tudo isto, eu nem o chamo palhaço, nem verbo-de-encher e nem o mando trabalhar. Eu quero mais, muito mais do que palavras para denominar este espécime.
 
Quero muito mais e não me fico por meias medidas. Para mim, gente como o sr. cavaco silva, com todo o seu historial político, só tem um caminho: DEMISSÃO.

Demita-se sr. cavaco silva. Vá lá gozar a sua reforma “pequenina”, comer bolo rei, dedicar-se ao estudo das influências da senhora de Fátima ou simplesmente ser um avozinho ou maridinho extremoso da sua insígne e devota maria. Deixe-nos em paz.

Sr. cavaco silva, deixe-nos viver as nossas vidinhas sem o sentir, qual abutre a pairar à nossa volta. Já bastam os chacais que nos andam a comer a pele e os ossos todos os dias.

É que o sr. silva está a aumentar o seu grau de vilanagem e desfaçatez e eu até gostava que terminasse com um mínimo de dignidade o seu mandato (isto agora é a minha veia caritativa, tipo isabel jonet), não por ele, mas pela função que ocupa.

Antes eram só os discursos e as declarações infelizes nos telejornais, e a magistratura encapotada a favor do governo. Agora já promulga leis a correr, para que o governo consiga prosseguir a sua (do governo e dele) política.

Se não fosse grave (pelo que demonstra dos reais motivos desta dupla presidente/governo e  pelos efeitos nefastos na economia das famílias e do País), eu diria que a culpa desta promulgação relâmpago é daquele senhor de Elvas, que mandou o presidente trabalhar. Azar dos azares, o homem lá se sentiu motivado e quis mostrar que trabalha.
 
Brincadeiras à parte, com tudo o que vem acontecendo acho que é altura de nos livrarmos duma vez por todas desta nefasta e criminosa dupla (presidente/governo).
 
A greve geral (finalmente e felizmente com o apoio das duas centrais sindicais) que aí vem, pode ser um bom momento para mostrar a esta gente que não os queremos lá.
 
Era bom que com ela, se "matassem (2) dois coelhos com uma cajadada só", ou neste caso, melhor dizendo, um coelho e um cavaco.
 
Melhor dizendo ainda, demitam-se, não amanhã, nem depois. Demitam-se hoje mesmo.
 
Melhor ainda que hoje, só mesmo terem-se demitido ontem ou nunca lá terem estado.
 

 NOTA:
(1) as minúsculas nesta e noutras palavras, normalmente em maiúsculas, são propositadas.
(2) por via das dúvidas, "matassem" é escrito no sentido figurativo.

 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Análise à greve dos professores às avaliações e exames nacionais. Couto dos Santos: malcriado, imbecil ou simplesmente boçal


 



Couto dos Santos (1) e Paulo Guinote foram os convidados da Edição da Noite dia 11 de Junho para uma análise à greve dos professores às avaliações e exames nacionais.

Este debate foi bastante interessante como exercício de extrapolação para a prepotência e a falta de valores democráticos que os políticos e governantes deste país trazem bem escondidinho dentro de si. Claro que basta um jantar mal digerido ou uma noite mal dormida para que lhes fuja "a boca para a verdade" e revelem a sua essência.

Francamente, ontem não percebi se couto dos santos (2) é simplemente um grande malcriado, um imbecil ou gosta de ser boçal.

Uma coisa é certa. Com políticos e (ex) governantes destes, quem é que ainda se admira de o país estar neste estado.

Num conjunto de intervenções que roçaram por um lado a imbecilidade completa e por outro a boçalidade e má educação, sua exa (que não se cansou de afirmar a sua veia "democrática"), tentou através dos argumentos mais ridículos e descabidos atacar, menosprezar e rebaixar uma classe profissional que, como bem afirmou o Professor Paulo Guinote, é uma das mais bem qualificadas deste País.

Para alguém que foi ministro da educação, diz-nos bem da sua actuação nos idos de 1993 a 1995.

Não vou perder tempo algum a rebater os argumentos, ou falta deles, do “palhacinho” (é que este nem a palhaço chega). Mais que as minhas palavras ou comentários aconselho-os a ver o programa.

Não me alongando, quero elogiar o Professor Paulo Guinote que, para além de ter mostrado que não se rebaixa ao nível de sua exa o sr. eng. couto dos santos, representou de uma forma magnífica a sua classe profissional, mostrando-nos a todos que, quanto aos Professores, os nossos estudantes estão muito bem entregues.

Como costumo dizer, o problema deste País não são os seus trabalhadores, sejam eles altamente qualificados ou não. O problema deste país é um problema de gestão e direcção, tanto no Estado, como nas empresas e, muito vincadamente, nos dirigentes políticos (deste grupo, tivemos ontem à noite um exemplo assaz representativo).

Por um lado um Professor (Paulo Guinote), educado, assertivo, argumentando com factos (com maior ou menor razão em alguns deles) e, por outro, um ex-ministro da educação, mal preparado nos factos que apresentou, imbecil, prepotente, malcriado e boçal.

Mesmo que não existissem outros exemplos, este seria significativo de quem são os verdadeiros responsáveis pelos tempos que atravessamos.

Os Professores, não são de certeza…

NOTA:

(1) Vejamos o percurso como dirigente político do “homem” (tirado da wikipédia): “Foi adjunto do secretário de Estado do Ambiente (1983-1984), adjunto do ministro da Qualidade de Vida (1984-1985), secretário de Estado da Juventude (1985-1987), ministro adjunto do primeiro-ministro e da Juventude (1987-1991), ministro adjunto e dos Assuntos Parlamentares (1991-1992) e ministro da Educação de 7 de Dezembro de 1993 a 28 de Outubro de 1995. Este seu último cargo coincidiu com a contestação estudantil às provas globais de acesso ao ensino superior (PGA) e às propinas.”

 (2) as minúsculas, nesta e noutras  palavras, não são lapso.

 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Da corrupção à Crise - Paulo de Morais no programa “Justiça Cega” da RTP Informação (5/6/2013). Um programa a ver. Obrigatoriamente...


 


 

Paulo de Morais no programa “Justiça Cega” da RTP Informação (5 de Junho de 2013), a propósito do seu livro "Da Corrupção à Crise. Que fazer?". Um programa a ver. Obrigatoriamente.

Este Programa da RTP Informação dá-nos uma descrição extremamente lúcida e pormenorizada dos tentáculos da corrupção e desmistifica as teias que envolvem o poder local e central. E não só. Nele também se desmistifica a ideia que a crise se deve ao facto dos portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, apontando à corrupção as principais responsabilidades.

Não me alongo muito a escrever sobre este tema, porque o programa é suficientemente explícito e contem pormenores raros neste tipo de alegações/acusações.  Pormenores raros porque se descrevem os tipos de esquemas existentes, não só ao nível das práticas mas também dos factores que os originam (em alguns casos com indicação de nomes), tornando explícitas as possíveis soluções.

Com isto, surge-nos uma pergunta. Porque é que não se põe um fim a isto? Não é preciso andar às voltas. Basta seguir as pistas. Se não existissem outros exemplos, bastaria dissecar o que se afirma neste programa, verificar a sua veracidade e actuar. Se mais não existisse, só este programa deveria ser suficiente para pôr a PGR a investigar tudo o que lá se afirma.

Portugal foi o País que mais caiu no ranking do combate à corrupção. Em 2000, encontrávamo-nos na 23ª posição desse ranking. Neste momento estamos em 33º lugar. Uma queda de 10 posições que dizem tudo sobre o descalabro a que chegámos na última década. Para piorar, ao nível da Europa só temos dois países atrás de nós, que não constituem surpresa para ninguém: a Itália e a Grécia.

Outra questão colocada é a que desmistifica a “palhaçada” que nos têm feito engolir, tornando-nos co-responsáveis na crise alegadamente por termos gasto mais do que devíamos, vivendo acima das nossas possibilidades.

Como se afirma no programa, em relação à dívida privada, apenas 15% dessa dívida diz respeito a créditos para consumo dos portugueses. O resto, os 85% da dívida privada e a dívida pública em grande parte foram consumidos em redes de corrupção, ligadas por exemplo à especulação imobiliária, às PPPs, aos grandes investimentos do estado e às suas derrapagens (Expo98, ponte Vasco da Gama, etc. etc., os exemplos são imensos).
 
Se são verdadeiros? Para verificar se o são, há que investigar. Mas para isso é necessário que haja vontade política e não só, para investigar (em primeiro lugar) e que a investigação seja feita com seriedade e, doa a quem doer, as suas conclusões tenham resposta em processos judiciais consequentes, sempre que se verifique que existiram ilícitos criminais (para quem não quiser ver o programa todo, sugiro que vejam as declarações de Paulo de Morais, no início e a partir do minuto 28, mais ou menos).

Está tudo lá. As pistas são imensas. Só não age quem não quiser. E se a classe política e as entidades responsáveis por este tipo de combate não quiserem, que a sociedade civil imponha essa necessidade.

Vendo o programa perguntamo-nos:
 
Será ainda possível cortar com este autêntico vírus que assola as estruturas de poder?

Será ainda possível acabar com tudo aquilo que foi mencionado no programa e que é apontado com uma das principais causas para a crise em que vivemos?

Ainda acredito que sim, embora a luz no fundo do túnel seja muito ténue.
 
O meu receio é que essa luz seja apenas uma miragem e o túnel já esteja fechado há muito tempo.
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Seguro confirma presença com Portas no clube Bilderberg !!!!







Seguro confirmou a sua presença na reunião "secreta", convidado por Balsemão.
Sabe-se que Paulo Portas também foi convidado para a conferência do Grupo de Bilderberg.

Pelo que li do Grupo, este existe desde 1954 e reúne empresários, banqueiros, políticos e outras “importantes” individualidades da alta finança europeia e americana.

Para as suas conferências, são convidadas personalidades que se reúnem “à porta fechada”, alegadamente para que os seus membros possam discutir livremente os assuntos agendados, sem terem receio que as suas afirmações apareçam na comunicação social.

Segundo parece Seguro e Portas foram convidados por Balsemão (segundo o Correio da Manhã de hoje). Na lista de participantes  em anos anteriores, aparecem personalidades políticas portuguesas, tais como: José Sócrates, Jorge Sampaio, Mira Amaral, António Guterres, Teixeira dos Santos, Durão Barroso, Santana  Lopes, etc.

Também existem outras, ligadas à finança, mas foco-me nas personalidades políticas, pelas seguintes razões:

Umas das características inalienáveis da democracia, é a transparência da actuação e das ligações dos seus agentes políticos, de modo a que possa ser feito o seu escrutínio público.

Mais concretamente, esse escrutínio passa não só pelo conhecimento público das afirmações dos políticos, como também das suas ligações. Naturalmente que o veículo por excelência dessa transparência é, sem duvida, a comunicação social que, para informar corretamente, deverá ter acesso a toda a informação considerada de interesse público .

Podemos dizer que há informação confidencial mesmo quando se trata de agentes políticos? Claro que sim. Quando falamos de reuniões internas de partidos, reuniões entre instituições políticas, negociações entre parceiros sociais, etc. é natural que exista alguma reserva.

Só que, neste caso, quando falamos de uma conferência internacional “à  porta fechada” ou "secreta", em que os políticos são “levados” (palavras do Correio da Manhã (1)) para grupos restritos com personalidades ligadas à alta finança, alguma coisa não está bem.

Até podem ser os assuntos mais inocentes do mundo, mesmo que não existam relações ou ligações inconfessáveis, quando isto acontece, é de convir que a transparência que se requer aos regimes democráticos fica muito abalada.

Eu não ponho em questão que banqueiros, empresários e outras personalidades se queiram reunir à porta fechada. Estão no seu pleno direito.

O que contesto é que políticos com altas responsabilidades ao nível de partidos e de instituições públicas aceitem participar destas “conferências”.

Como é que um governante português (Paulo Portas) vai a uma conferência destas? Mesmo que alegue que vai na qualidade de líder partidário ou que outros membros de governos estrangeiros também vão.

O mesmo se passa com Seguro. Como é que o líder do PS se submete a isto? Claro que A. J. Seguro, no seu estilo "seminarista" vem dizer que a sua participação vai ser importante porque vai falar, entre outras coisas, sobre o fim das offshores, etc. É tudo muito bonito, mas isto soa à historia das milhentas cartas que sua exa tem enviado para tudo quanto é lado. Só mesmo A.J. Seguro é que acredita que algum dos destinatários das suas cartas liga alguma coisa ao que ele diz. Só mesmo A.J.Seguro para pensar que ao fazer declarações destas, nós acreditamos que alguém lhe dá ouvidos. É que estas cartas como tudo o que ele diz, soa à publicidade colocada na caixa do correio. Vai directamente desta para o "recipiente" mais próximo.

Mas voltando`ao assunto, por mais inocentes que possam ser estas reuniões "secretas", o cheiro a promiscuidade entre a política e a grande finança internacional fica no ar. Principalmente numa época como esta, em que recaem no sistema bancário nacional e internacional grandes responsabilidades na crise, não é aceitável que situações destas sucedam.

Isto faz-me lembrar a alegada promiscuidade que existe ou existia entre a política e o futebol.

Basta ter presente o caso da Câmara do Porto, quando Rui Rio foi eleito e cortou com  as ligações “preferenciais” e alegados favorecimentos ao F. C. Porto. Excessivo ou não,  com razão ou sem ela, o facto é que, ao agir desta forma, Rui Rio cortou com essa promiscuidade e granjeou uma imagem de independência que toda a gente lhe reconhece,  independentemente da concordância com a sua ideologia política ou com o resto da sua actuação na Câmara. Da mesma forma, aos seus antecessores, mesmo que injustamente, essa imagem de promiscuidade ninguém lhes tira.

É exactamente por situações como esta que, em nome da independência, da transparência e do corte com a promiscuidade entre agentes políticos e financeiros, sou frontalmente contra a presença de agentes políticos em conferências, reuniões, seminários, etc. "secretos" ou “à porta fechada” e, muito menos, se são “levados” por personalidades ligadas a grupos económicos ou outros.
É por isto que, sendo verdade ou não o que diz o Correio da Manhã (1), que Balsemão vai “levar” Paulo Portas e A. J. Seguro a esta conferência, considero que estes dois ao aceitarem o convite para a conferência "secreta", fazem um mau serviço à democracia.

Da mesma forma, como considero que fizeram um mau serviço à democracia portuguesa, os outros políticos portugueses que alegadamente já compareceram a esta ou outras conferências do género ("secretas").

Já agora seria interessante saber por quem terão sido “levados” e, não menos importante, quem lhes paga (ou pagou) as despesas.

Quer queiramos quer não, por mais sérios que possam ser os intervenientes, uma reunião "secreta" ou à "porta fechada" entre a alta finança internacional e altos dirigentes políticos, cheira a promiscuidade. E em democracia, tudo o que cheira a promiscuidade é fatal.

NOTA:

(1) Foco também a notícia do Correio da Manhã, porque com o seu jornalismo muito característico, dá uma ideia do tipo de insinuações ou de dúvidas que se podem levantar com o "secretismo" destas reuniões entre agentes políticos e a alta finança internacional.