sábado, 15 de março de 2014

Coadoção e Adoção Homossexual. Um chumbo esperado.





Infelizmente, este Parlamento não me desiludiu, da mesma forma como nunca me iludiu.
Mas não pensem que culpo este conjunto de Deputados, por agir de modo próprio e não representar o País.
Mais uma vez, infelizmente, acho que este Parlamento é bem a imagem do País que ajudamos a manter. Não culpemos, por isso, os Deputados e outros que elegemos. Culpemo-nos a Nós que, no dia-a-dia, somos semelhantes a eles.
Afinal de contas, assim como no Parlamento (penso que as proporções estão corretas e oscilam dependendo das circunstâncias e do que se debate no momento), na nossa vida comum, todos os dias presenciamos atos de xenofobia, racismo e homofobia, cujo balanço de opiniões (seja a favor,  contra ou “nim”) é semelhante ao que se viveu ontem no Parlamento.

Não fechemos, por isso, os olhos e acusemos os Deputados de todos os males do País. Acusemo-nos a nós Povo que, por atos ou omissões, continuamos a ter e a participar, todos os dias, em pequenos Parlamentos à nossa volta.

É nestes momentos, nos momentos da derrota, que devemos pensar que o problema não está nos outros, que não são os outros os culpados. Não são aqueles deputados, que votaram contra ou se abstiveram, os culpados. Somos nós, no dia-a-dia, que agimos e atuamos cheios de preconceitos e falsos pudores esquecendo (propositadamente ou não) o sofrimento alheio.
Somos nós, no dia-a-dia, que ironizamos e achamos piada às anedotas e aos comentários xenófobos, racistas e homofóbicos.

Somos nós, no dia-a-dia, que na refrega de alguma discordância ou discussão, utilizamos o palavreado xenófobo, racista e homofóbico.
Somos nós Exmos concidadãos, que fechamos os olhos ao que se passa no nosso prédio, no nosso bairro, na nossa cidade, no nosso País, no nosso Mundo. Somos nós os culpados.

Este resultado e outros deste género, não são nem mais nem menos que a nossa imagem, convençamo-nos disso.
Não vale a pena insultarmos os Deputados e outros agentes políticos, somos nós que ali estamos, quer queiramos quer não.
Como tudo na vida, quando queremos mudar alguma coisa, a primeira coisa a fazer é assumirmos as nossas culpas, a nossa conivência, a nossa cumplicidade.
Mudar alguma coisa, Caríssimos e Exmos Concidadãos é, em primeiro lugar, deixar de culpar os nossos representantes, por nos representarem tal e qual como somos.
Mudar alguma coisa, Caríssimos e Exmos Concidadãos, é acima de tudo, mudarmo-nos a nós próprios e aos nossos preconceitos e falsos pudores.
Até lá Caríssimos e Exmos Concidadãos, lembremo-nos que outros, iguais a nós, sofrem por causa dos nossos atos, ou não atos.

Para terminar, as últimas palavras que aqui pretendo escrever, não são de repúdio nem sequer de incentivo a outras batalhas.
As últimas palavras que quero aqui escrever são apenas de Tristeza, por todos Nós e por mim também.
Porque, também eu, sou culpado.
 
 

sábado, 8 de março de 2014

corpo sentido


corpo sentido perdido na vivência dos dias
ou das noites.
corres mundo vives ausente ou presente que é o mesmo que se estivesses ausente.
vives o tempo que nasce sem nascer as vidas que sonhas e não acontecem.

corpo sentido, pisado, torturado, vazio
máquina, simples máquina, semente de novos seres e novas máquinas
és ou nem sequer és, que é o mesmo que se fosses.

corpo sentido usado abusado possuído resignado, talvez revoltado
mas sentido, sempre sentido.
lágrimas secas murmúrios sussurros ao longe onde te revejo
no sol que nunca viste.
escrava sem futuro em ilusões e carícias,
apenas reais são as mágoas que é o mesmo que se não fossem.

corpo sentido usado possuído,
nasces e renasces e não cresces posse vida sonho ilusão
nasces  e renasces e cresces inferior possessão, dote, uso, abuso. 
nasces e renasces e cresces apenas. querem-te ser amorfo querem-te
como quiserem.

e o teu corpo sentido perdido na vivência dos dias
ou das noites, não quer ou quer que é o mesmo que não quisesse.

corres mundo e não vives, nasces e não cresces. és apenas ou nem sequer és
apenas corpo sentido, pisado, torturado
és ou nem sequer és.
ser amorfo como te querem ou não querem

e o teu corpo sentido quer ou não quer que é como se quisesse
ser sem voz sem opinião
máquina, máquina semente usada, abusada, torturada.
és e nem sequer és
ser amorfo como te querem ou não querem
como te têm ou não têm que é o mesmo
que se te tivessem.

corpo sentido perdido na vivência dos dias
ou das noites. és ou nem sequer és
que é como se fosses.

Luciano Santos
 
 

quarta-feira, 5 de março de 2014

“Papa diz que ninguém fez mais que a Igreja na luta contra a pedofilia”. Será que conseguiria dizer isto à frente das crianças e das suas vidas destruídas?




“Papa diz que ninguém fez mais que a Igreja na luta contra a pedofilia”. Na hora da verdade o corporativismo triunfa sempre.
Tem sido assim, é assim e infelizmente acho que vai continuar a ser assim.

Ou seja, por mais atitudes e sorrisos simpáticos que o novo Papa assuma, por mais discursos em que amacia a posição da igreja em algumas questões, quando se trata de fazer uma verdadeira e consequente “limpeza”, tudo volta ao mesmo. Toca a cavar trincheiras e a defender o castelo, por mais indefensável que ele seja.

Por norma, não comento assuntos religiosos, a não ser que estes esbarrem em situações que ultrapassam as fronteiras do direito canónico. Este é um desses casos.

Será que a dimensão monstruosa que a pedofilia assumiu na igreja ao longo dos anos, não mereceria deste Papa (se na verdade fosse o reformista que se apregoa), uma atitude mais radical de condenação da própria igreja, seja dos padres que cometeram os abusos, seja do seu encobrimento por parte das hierarquias?

Infelizmente com esta entrevista, este Papa veio demonstrar agora aquilo que eu já pensava. Que por mais boa vontade, ou por mais genuíno que ele seja, será apenas mais uma espécie de Marcelo Caetano com a sua “primavera marcelista”, do que propriamente alguém que muda de facto o regime.

Tenho seguido com curiosidade e alguma atenção o seu percurso desde que foi eleito, mas infelizmente tudo aquilo que eu penso das instituições religiosas (sejam elas quais forem) continua a ser a regra e não a exceção.

Por isso, por mais plásticas que este novo Papa possa fazer e por mais boa vontade que ele possa ter, elas não passarão disso mesmo. Isto porque a poderosa máquina que se move por dentro das paredes do Vaticano, apenas lhe permitirá pequenas “ações de marketing” que até dão jeito para tentar manter as audiências.

Esta defesa veemente da Igreja por parte do Papa, quando apenas bastaria a humildade de fazer um simples “ato de contrição” e afirmar a vontade da Igreja em cooperar com todas as instituições judiciais para a resolução de todos os casos, exatamente como foi solicitado pelo relatório da ONU sobre a pedofilia, mostra apenas que a poderosa máquina conservadora do Vaticano ainda continua com a sua força, a exemplo da poderosa ala salazarista e conservadora, no tempo de Marcelo.

É que esta entrevista do Papa não foi a única reação. Ela vem na sequência da reação oficial da Igreja ao dito relatório que também mostrava as suas garras afiadas, em defesa do indefensável. 

Desculpem-me os religiosos, neste caso os católicos, mas ainda não será desta que alguma coisa substancial mudará no seio da vossa Igreja.

Utilizando uma dicotomia muito simplista, os bons continuarão a ser bons e os maus continuarão a ser maus e continuarão também a sentir-se protegidos por todo o corporativismo inerente a este género de instituições.

Mas pensem caros católicos, pensem nas crianças e nas suas vidas destruídas. Se pensarem nelas, talvez em vez de esperarem que este Papa seja um super-homem, se calhar poderão, nas vossas paróquias ou nos vossos canais de comunicação religiosos, fazer pressão para que os “marcelos caetanos” (caso queiram) possam vir a criar mais do que simples primaveras e que os criminosos sejam levados à justiça e, ao mesmo tempo, os potenciais novos criminosos não se sintam protegidos por mantos de silêncio, que são, no mínimo tão criminosos quanto eles.

Se não fizerem isto, não desanimem, talvez o próximo Papa seja esse super-homem.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Carta aberta de boas-vindas ao sr. dr. Miguel Relvas


 

Caro sr. dr. Miguel Relvas

Permita-me que lhe escreva umas notinhas. Prometo que serei breve, porque entendo que o seu tempo, nestes dias que correm, deve estar muito ocupado. Por mais que não seja, toda aquela “baba” dos excelentíssmos conselheiros nacionais que aplaudiram o seu “regresso”, deve dar um enorme trabalhão a limpar.

Passando ao assunto do seu aplaudido regresso às lides políticas, se eu fosse A.J. Seguro, diria simplesmente: “Qual é o espanto, sim, qual é o espanto?”.

Mas porque carga de água, não há-de o sr.dr. voltar?

Esteja à vontade sr. dr. Relvas, o partido e o país são seus.

Sirva-se. Afinal de contas, tem todo o direito.

Não faz mais nem menos do que outros fazem e/ou fizeram. Senão, basta fazermos um pouquinho de ginástica mental e podemos contar às dezenas aqueles que se retiraram por uns tempos, até as “más” línguas se calarem.

Se uns vão para os empregos de origem e voltam para serem presidentes da república e outros vão estudar por terras de hollande e voltam para limpar a imagem em canais públicos, quiçá à espera de um dia poderem também ir para belém, porque não há-de o sr. dr. voltar?

Se existem também outros que se “retiram” e vão ocupar altos cargos em construtoras e afins e, de vez em quando, voltam para dar um ar da sua graça e mostrar que ainda são “gente”, porque não há-de o sr dr. também mostrar que é “gente”?

Uma coisa é certa, e nisso faço-lhe justiça. V. Exa não utilizou o conhecido e desejado emprego de comentador, como veículo privilegiado para lavagens de imagem e retornos à política. Talvez por ter estado muito ocupado a diversificar os seus negócios. Mas aí não me meto. O sr. dr., como toda a gente, tem o direito à sua privacidade.

Caro sr. dr. Miguel Relvas, não me alongando muito, seja bem-vindo de volta a este lodaçal.

Esteja à vontade, mais um menos um, não faz diferença nenhuma. Ainda para mais quando o seu “regresso” é aplaudido por dezenas de "insígnes" conselheiros.

"Partindo do nada, cheguei à miséria ".

Sr. Dr., mesmo para terminar estes meus gatafunhos, essa sua citação do Grouxo Marx encaixa como uma luva. E estendo-a a todos os excelentíssimos regressados ao longo destes anos, após maiores ou menores períodos de nojo.

Dou-lhe sinceramente os parabéns, porque não podia ser mais acertada.

É que todos, sem exceção ("regressados" e outros que nunca saíram), partiram do “nada” ético e cívico e chegaram à “miséria” ética e cívica.

Mais concretamente, por mais que mudem de W.C. continuaram e continuam a ser a mesma m….
Sr. dr., sem mais, de momento, subscrevo-me



domingo, 2 de março de 2014

Banco Mundial adia empréstimo ao Uganda por causa de lei anti-homossexualidade. No País de Idi Amin, apresento-vos Yoweri Kaguta Museveni um dos novos Hitlers africanos.



 
 
"Banco Mundial adia empréstimo ao Uganda por causa de lei anti-homossexualidade. Medida pode ser um precedente a adoptar pela instituição em relação a outros países. Este é um dos países africanos que mais ajudas ao desenvolvimento recebe."
 
É preciso ser consequente nos protestos. Não pode ser só protestar e o Banco Mundial atuou bem.
 
Mas é bom lembrar que este tipo de protestos, só existe para alguns países. Senão, vejamos o exemplo dos paises árabes e todo o tipo de atentados aos direitos humanos que lá existem e aos quais nós fechamos os olhos (o petróleo tem muita força). Vejamos também a Rússia, etc., etc. 
 
Este caso do Uganda, infelizmente, não é um caso isolado, há neste momento cerca de 83 países a proibir e punir a homossexualidade.( Ver lista dos direitos dos homossexuais por Páis ou território).
 
Será que nestes países, os "heterossexuais" que estão no poder, sentem que poderão ser contagiados se estiverem na presença de homossexuais? É que segundo muitas correntes ligadas à psicologia, a insegurança quanto às nossas posições, leva muitas vezes ao ataque e à rejeição violenta dos atos a que nos sentimos tentados.
 
Numa lógica de idade média, os "excelentissimos" heterossexuais destes países (e doutros que gostariam de ver essas proibiçoes nas suas terras), adotam a seguinte máxima: perante as tentações só existe um caminho, que é o de destruir e perseguir aquilo que nos tenta.
 
Já viram o que seria deste mundo se todos estes apregoados "machos" e "fémeas" africanos, asiáticos, latinos, árabes, etc. caíssem na tentação de se tornarem homossexuais empedernidos? Já viram o que seria esta gente trocar os másculos e farfalhudos bigodes e aquele requintado cheiro a cavalo por umas camisolinhas rosa e umas depilaçõezinhas faciais. Vade retro Satanás.
 
A melhor forma de acabar com este mais que possível contagio é proibir, punir, humilhar, destruir.
 
E assim vai o Mundo. Mas é bom que nos lembremos que os criminosos não são só os autores destas leis, são também aqueles que, pelo silêncio, se tornam cúmplices.