Segundo a notícia do Público,"O Tribunal da Relação do Porto obrigou
uma empresa de Oliveira de Azeméis a reintegrar um empregado da recolha do lixo
que tinha sido despedido por se ter descoberto que estava a trabalhar
alcoolizado".
A notícia em si poderia até ter passado despercebida (apesar de ter sido reintegrado um trabalhador apanhado a trabalhar com 2,3 gramas
por litro), não fossem os dignos juízes terem-se dado ao luxo de escrever estas sábias palavras, dignas de figurarem nos mais respeitáveis compèndios do direito e, naturamente, fazerem jurisprudência a nível nacional e internacional:
“Vamos convir que o trabalho não é
agradável”, observam ainda os desembargadores Eduardo Petersen Silva, Frias
Rodrigues e Paula Ferreira Roberto. “Note-se que, com álcool, o trabalhador
pode esquecer as agruras da vida e empenhar-se muito mais a lançar frigoríficos
sobre camiões, e por isso, na alegria da imensa diversidade da vida, o público
servido até pode achar que aquele trabalhador alegre é muito produtivo e um
excelente e rápido removedor de electrodomésticos.”
Considero que, com estas sábias palavras, os três juízes do tribunal da
relação do porto encontraram a solução para o problema da produtividade neste país.
Se os nossos governantes, empresários e trabalhadores em geral, começarem a aplicar esta inovadora e sábia doutrina, iremos assistir muito brevemente, ao maior aumento da procura interna de alcool e derivados e, consequentemente, à revitalização galopante de toda a economia.
É pena o anterior ministro da economia ter saído. Assim, em vez de pensar em
exportar os pasteis de nata, podia começar a apregoar os poderes milagrosos desta solução e apostar na exportação de tudo quanto possa pregar
uma grande carraspana ao pessoal, utilizando uma série de slogans (que serviriam tanto às empresas como aos trabalhadores) do tipo:
- Os seus trabalhadores não fazem puto… encharque-os em bagaço.
- Sente-se infeliz no trabalho… bora mandar uns shots abaixo.
- Vais a uma entrevista de emprego? Bebe uns copos. Contratação garantida.
Era ver as empresas, o país e, quiçá, o mundo em ambiente de festa eterno…tipo
santo antónio ou sao joão.
Se o paulo portas e o passos coelho, em vez de andarem às turras,
tivessem ido à tasquinha tomar uns copos, aposto que não tinha havido crise.
Ou havendo a crise, se o cavaco em vez de vir fazer aquele
discurso de salvação nacional, tivesse convidado os dois mais o seguro
para uns bagacinhos, podem crer que, ao fim da noite, tínhamos um governo de
salvação nacional unido para os
próximos cem anos. Pronto, estou a exagerar. Unido pelo menos até à ressaca. Mas como
a solução era passar a vida na tasca, a ressaca curava-se com mais uns copitos.
Quanto aos juízes, apenas quero dizer que estas sábias
palavras só pecam por tardias.
Se tivessem dito isto há uns dois anos, imagino o que teria
acontecido se o nosso querido ex-ministro gaspar e os técnicos da troika, durante
as famigeradas avaliações, tivessem apanhado umas valentes carraspanas. Não quero
garantir, mas talvez estivéssemos um bocadinho melhor. Claro que ainda vamos a tempo, porque vêm aí mais umas avaliações. Já não será o gaspar, mas sim a maria albuquerque. Se ela gostar duns copitos, estamos safos.
Quanto a todos os que nos governaram, durante os vinte ou
mais anos anteriores e nos levaram a ficar nas mãos da troika,
aposto que já conheciam a receita dos juízes, isto é, devem ter passado os
seus anos de governação no mais puro estado de embriaguez.
