Resolução ONU defende direitos das mulheres??????? Eu diria que defende o direito de os Países maltratarem as Mulheres. Ao ler o artigo a minha reacção foi em primeiro lugar de espanto e depois de um asco que por pouco não se traduziu em vómito.
Eu chamaria
resolução da vergonha, ou como se consegue tornar inócua (no mínimo) uma boa oportunidade
para tentar mudar alguma coisa.
Ao aprovar esta resolução a ONU mais não fez que passar uma esponja por todo o sofrimento, humilhações e torturas a que as mulheres estão sujeitas em todo o mundo.
Mais valia não ter existido resolução nenhuma. A mensagem que a ONU devia ter passado para o exterior
é que não tinha havido resolução por que os países a,b, c e d se opuseram.
E os países europeus/união europeia deviam ter emitido um comunicada o condenar veementemente a falta de acordo, explicando os motivos.
Mas a ONU e a diplomacia europeia não passam de instituições invertebradas e balofas que,
ou não actuam ou quando resolvem actuar, só fazem m….
No fundo, não passam duma espécie de comissões
parlamentares portuguesas que, ou não decidem nada ou, quando decidem, as suas decisões são
inócuas ou completamente facciosas…
Senão vejamos: “Para conseguir
uma aprovação por consenso, os promotores da resolução, liderados pela Noruega,
foram obrigados a retirar um parágrafo que condenava "todas as formas de
violência contra as mulheres".”
A Noruega
decidiu eliminar um parágrafo a estipular que os Estados devem "condenar
firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra as
defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes, tradições
ou religião para esquecer obrigações" assumidas.”
Este é o parágrafo da nossa vergonha, ou seja, a sua
ausência permite que tudo continue na mesma.
Eu até acho que fica pior, porque os países que o vetaram estão de certeza, neste
momento, a rir-se perante a covardia e a mentalidade corrupta deste pseudo "ocidente de
valores". Corrupta sim, porque ao retirarem o parágrafo, os noruegueses/europeus/norte americanos, mais não fizeram que calar os seus ideais, em nome do acesso aos
mercados milionários desses países.
“Os países africanos insistiram no respeito
dos costumes e tradições, enquanto a Rússia, o Irão e a China exigiram que os
defensores dos direitos devem respeitar as leis de cada país, disseram diplomatas e
militantes."
Só que esta espécie de animais rastejantes que integram a comissão da onu, esquecem que "o respeito de costumes e tradições" é , por exemplo, respeitar e
compactuar com a mutilação genital nalguns desses países.
Esquecem também que "o respeito das leis do país" é por exemplo aceitar que uma mulher
não passa de uma mera propriedade do homem.
E neste esquecimento desta canalha (para não chamar nomes piores) vêm à minha memória estes números que publiquei ontem (do artigo que saiu no
Público a propósito do Dia internacional pela Eliminação da Violência contra as
Mulheres): "Por
todo o mundo uma em cada três mulheres será sujeita a uma das várias formas de
violência. Uma em cada três raparigas casará antes dos 18 anos e 12% delas
casar-se-ão antes de completarem 15 anos. 125 milhões de mulheres terão sido
sujeitas a mutilação genital feminina.
Todos os
dias 20.000 raparigas, com menos de 18 anos, dão à luz no mundo em
desenvolvimento e 603 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica
não é crime. Entre 250.000 e 500.000 mulheres e raparigas foram violadas
durante o genocídio no Ruanda em 1994. Sete em cada 10 mulheres no mundo
relatam ter sofrido alguma forma de violência física e psíquica ao longo das
suas vidas. As mulheres e raparigas contabilizam cerca de 80% das cerca de
800.000 pessoas que todos os anos são traficadas e 79% dessas mesmas mulheres
serão traficadas para fins de exploração sexual. E podia ainda falar do assédio
sexual, do assédio no lugar de trabalho, dos crimes de honra, dos crimes
ligados ao dote, da seleção pré-natal do sexo, do femicídio. Em Portugal, dados
não oficiais dão conta de três dezenas de mulheres assassinadas este
ano."....
O que a resolução da ONU fez ao retirar o parágrafo que
condenava “firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra
as defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes,
tradições ou religião para esquecer obrigações” foi passar uma esponja sobre estes
dados reais.
Vergonhosos os consensos que se arranja, alegando que
optamos por um mal menor. É curioso como a europa defensora dos Direitos
Humanos, com os países nórdicos como bastiões do desenvolvimento e da dignidade
humana, se vergam ao poder do petróleo, do dinheiro , dos mercados de biliões.
Para já não falar nos estados unidos, arautos da Democracia e dos Direitos Humanos.
Que diria obama se, há 50 anos atrás, a ONU tivesse aprovado uma resolução a
dizer que o racismo era condenável, mas que se devia respeitar as leis dos
países. Neste momento ainda teríamos segregação nos estados do sul.
O que esta resolução veio trazer foi adiar por mais
uns bons anos, ou como se costuma dizer, foi adiar lá para as calendas gregas, uma condenação eficaz e activa das violações dos direitos das mulheres.
Será que esta diplomacia abjecta subordinada aos
interesses económicos, não entende que há consensos que não se admitem?
Será que esta gente (onde de certeza estiveram “senhoras”
europeias) que negociou esta vergonha, chegou a casa e conseguiu olhar-se ao
espelho?

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