quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Resolução ONU defende direitos das mulheres? Eu chamo resolução da vergonha numa europa de invertebrados rastejantes...





Resolução ONU defende direitos das mulheres??????? Eu diria que defende o direito de os Países maltratarem as Mulheres. Ao ler o artigo a minha reacção foi em primeiro lugar de espanto e depois de um asco que por pouco não se traduziu em vómito.
Eu chamaria resolução da vergonha, ou como se consegue tornar inócua (no mínimo) uma boa oportunidade para tentar mudar alguma coisa.
Ao aprovar esta resolução a ONU mais não fez que passar uma esponja por todo o sofrimento, humilhações e torturas a que as mulheres estão sujeitas em todo o mundo.
Mais valia não ter existido resolução nenhuma. A mensagem que a ONU devia ter passado para o exterior é que não tinha havido resolução por que os países a,b, c e d se opuseram.
E os países europeus/união europeia deviam ter emitido um comunicada o condenar veementemente a falta de acordo, explicando os motivos.
Mas a ONU e a diplomacia europeia não passam de instituições invertebradas e balofas que, ou não actuam ou quando resolvem actuar, só fazem m….
No fundo, não passam duma espécie de comissões parlamentares portuguesas que, ou não decidem nada ou, quando decidem, as suas decisões são inócuas ou completamente facciosas…
 
Senão vejamos:  “Para conseguir uma aprovação por consenso, os promotores da resolução, liderados pela Noruega, foram obrigados a retirar um parágrafo que condenava "todas as formas de violência contra as mulheres".”
A Noruega decidiu eliminar um parágrafo a estipular que os Estados devem "condenar firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra as defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes, tradições ou religião para esquecer obrigações" assumidas.”
Este é o parágrafo da nossa vergonha, ou seja, a sua ausência permite que tudo continue na  mesma. Eu até acho que fica pior, porque os países que o vetaram estão de certeza, neste momento, a rir-se perante a covardia e a mentalidade corrupta deste pseudo "ocidente de valores". Corrupta sim, porque ao retirarem o parágrafo, os noruegueses/europeus/norte americanos, mais não fizeram que calar os seus ideais, em nome do acesso aos mercados milionários desses países.
 “Os países africanos insistiram no respeito dos costumes e tradições, enquanto a Rússia, o Irão e a China exigiram que os defensores dos direitos devem respeitar as leis de cada país, disseram diplomatas e militantes."
Só que esta espécie de animais rastejantes que integram a comissão da onu, esquecem que "o respeito de costumes e tradições" é , por exemplo, respeitar e compactuar com a mutilação genital nalguns desses países.
Esquecem também que "o respeito das leis do país" é por exemplo aceitar que uma mulher não passa de uma mera propriedade do homem.
E neste esquecimento desta canalha (para não chamar nomes piores) vêm à minha memória estes números que publiquei ontem (do artigo que saiu no Público a propósito do Dia internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres): "Por todo o mundo uma em cada três mulheres será sujeita a uma das várias formas de violência. Uma em cada três raparigas casará antes dos 18 anos e 12% delas casar-se-ão antes de completarem 15 anos. 125 milhões de mulheres terão sido sujeitas a mutilação genital feminina.
Todos os dias 20.000 raparigas, com menos de 18 anos, dão à luz no mundo em desenvolvimento e 603 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica não é crime. Entre 250.000 e 500.000 mulheres e raparigas foram violadas durante o genocídio no Ruanda em 1994. Sete em cada 10 mulheres no mundo relatam ter sofrido alguma forma de violência física e psíquica ao longo das suas vidas. As mulheres e raparigas contabilizam cerca de 80% das cerca de 800.000 pessoas que todos os anos são traficadas e 79% dessas mesmas mulheres serão traficadas para fins de exploração sexual. E podia ainda falar do assédio sexual, do assédio no lugar de trabalho, dos crimes de honra, dos crimes ligados ao dote, da seleção pré-natal do sexo, do femicídio. Em Portugal, dados não oficiais dão conta de três dezenas de mulheres assassinadas este ano."....
 
 
O que a resolução da ONU fez ao retirar o parágrafo que condenava “firmemente todas as formas de violência contra as mulheres e contra as defensoras dos direitos humanos e abster-se de invocar os costumes, tradições ou religião para esquecer obrigações” foi passar uma esponja sobre estes dados reais.
Vergonhosos os consensos que se arranja, alegando que optamos por um mal menor. É curioso como a europa defensora dos Direitos Humanos, com os países nórdicos como bastiões do desenvolvimento e da dignidade humana, se vergam ao poder do petróleo, do dinheiro , dos mercados de biliões.
Para já não falar nos estados unidos,  arautos da Democracia e dos Direitos Humanos. Que diria obama se, há 50 anos atrás, a ONU tivesse aprovado uma resolução a dizer que o racismo era condenável, mas que se devia respeitar as leis dos países. Neste momento ainda teríamos segregação nos estados do sul.
O que esta resolução veio trazer foi adiar por mais uns bons anos, ou como se costuma dizer, foi adiar lá para as calendas gregas, uma condenação eficaz e activa das violações dos direitos das mulheres.
Será que esta diplomacia abjecta subordinada aos interesses económicos, não entende que há consensos que não se admitem?
Será que esta gente (onde de certeza estiveram “senhoras” europeias) que negociou esta vergonha, chegou a casa e conseguiu olhar-se ao espelho?


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