quinta-feira, 1 de maio de 2014

A propósito da prova de Inglês. CRATINHO, MEU MENINO, ÉS TÃO IMBECILZINHO.




 
Não é o teste ser fácil ou dificil que me incomoda. Aliás, um teste diagnóstico, por definição, serve apenas para aferir o nível em que estão os alunos, e não é para ser facil ou dificil. Os alunos respondem apenas o que sabem e depois são qualificados no nível que obtiveram.

A treta toda aqui é que a escola pública contratou uma instituição privada para elaborar os teste. Então o ministério não tem docentes à altura para os elaborar? E estaremos nós perante o provincianismo dum ministro estrangeirado que, à boa maneira portuguesa, só porque uma entidade é estrangeira ou tem um nome estrangeiro, já é melhor que as portuguesas. Será que os certificados passados pelo ministério não teriam a mesma ou maior validade?

Já dizia Eça nos Maias:
"Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssimo, com os direitos de Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..."

Pois é, ministrozinho cratinho, e viva a Cambridge, mesmo que nos "fique curta nas mangas".
 
Ou será a história não contada de mais uma PPP na educação? Pois é, "a civilização custa-nos caríssimo".

Por fim, qual cereja no topo do bolo, este ministrozinho ainda põe os alunos a pagar o certificado. Aqui está a essência do ensino público "à crato": os ricos que o usem, se quiserem e como quiserem e os pobres que se desunhem.

Só para citar Eça mais uma vez: "Em todas as evoluções da arte, nós (portugueses) nunca aproveitamos com os princípios, e ficamos sempre com os maneirismos."

Parabéns ministrozinho cratinho. Estás a conseguir. Lá continuamos nós com os maneirismos. E assim termino a história de mais um ministro "estrangeirado".