quinta-feira, 6 de junho de 2013

Da corrupção à Crise - Paulo de Morais no programa “Justiça Cega” da RTP Informação (5/6/2013). Um programa a ver. Obrigatoriamente...


 


 

Paulo de Morais no programa “Justiça Cega” da RTP Informação (5 de Junho de 2013), a propósito do seu livro "Da Corrupção à Crise. Que fazer?". Um programa a ver. Obrigatoriamente.

Este Programa da RTP Informação dá-nos uma descrição extremamente lúcida e pormenorizada dos tentáculos da corrupção e desmistifica as teias que envolvem o poder local e central. E não só. Nele também se desmistifica a ideia que a crise se deve ao facto dos portugueses terem vivido acima das suas possibilidades, apontando à corrupção as principais responsabilidades.

Não me alongo muito a escrever sobre este tema, porque o programa é suficientemente explícito e contem pormenores raros neste tipo de alegações/acusações.  Pormenores raros porque se descrevem os tipos de esquemas existentes, não só ao nível das práticas mas também dos factores que os originam (em alguns casos com indicação de nomes), tornando explícitas as possíveis soluções.

Com isto, surge-nos uma pergunta. Porque é que não se põe um fim a isto? Não é preciso andar às voltas. Basta seguir as pistas. Se não existissem outros exemplos, bastaria dissecar o que se afirma neste programa, verificar a sua veracidade e actuar. Se mais não existisse, só este programa deveria ser suficiente para pôr a PGR a investigar tudo o que lá se afirma.

Portugal foi o País que mais caiu no ranking do combate à corrupção. Em 2000, encontrávamo-nos na 23ª posição desse ranking. Neste momento estamos em 33º lugar. Uma queda de 10 posições que dizem tudo sobre o descalabro a que chegámos na última década. Para piorar, ao nível da Europa só temos dois países atrás de nós, que não constituem surpresa para ninguém: a Itália e a Grécia.

Outra questão colocada é a que desmistifica a “palhaçada” que nos têm feito engolir, tornando-nos co-responsáveis na crise alegadamente por termos gasto mais do que devíamos, vivendo acima das nossas possibilidades.

Como se afirma no programa, em relação à dívida privada, apenas 15% dessa dívida diz respeito a créditos para consumo dos portugueses. O resto, os 85% da dívida privada e a dívida pública em grande parte foram consumidos em redes de corrupção, ligadas por exemplo à especulação imobiliária, às PPPs, aos grandes investimentos do estado e às suas derrapagens (Expo98, ponte Vasco da Gama, etc. etc., os exemplos são imensos).
 
Se são verdadeiros? Para verificar se o são, há que investigar. Mas para isso é necessário que haja vontade política e não só, para investigar (em primeiro lugar) e que a investigação seja feita com seriedade e, doa a quem doer, as suas conclusões tenham resposta em processos judiciais consequentes, sempre que se verifique que existiram ilícitos criminais (para quem não quiser ver o programa todo, sugiro que vejam as declarações de Paulo de Morais, no início e a partir do minuto 28, mais ou menos).

Está tudo lá. As pistas são imensas. Só não age quem não quiser. E se a classe política e as entidades responsáveis por este tipo de combate não quiserem, que a sociedade civil imponha essa necessidade.

Vendo o programa perguntamo-nos:
 
Será ainda possível cortar com este autêntico vírus que assola as estruturas de poder?

Será ainda possível acabar com tudo aquilo que foi mencionado no programa e que é apontado com uma das principais causas para a crise em que vivemos?

Ainda acredito que sim, embora a luz no fundo do túnel seja muito ténue.
 
O meu receio é que essa luz seja apenas uma miragem e o túnel já esteja fechado há muito tempo.
 

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