sexta-feira, 31 de maio de 2013

Libertar Portugal da Austeridade - "Mais vale um leão à frente de mil ovelhas, que uma ovelha à frente de mil leões"






"Mais vale um leão à frente de mil ovelhas, que uma ovelha à frente de mil leões"
 
Esta frase ocorreu-me ao ouvir Mário Soares e pensar na forma como o PS se deixou manietar pela situação actual e na imagem titubeante que o seu líder transmitiu ao País.
 
Quanto a mim, neste caso, a frase não podia ser mais verdadeira. Mesmo que o PS esteja cheio de leões, esta liderança de Seguro tirou-lhe toda a genica, transformando-o mais num problema para o País, do que numa solução. Isto porque o maior partido da oposição, ao ser inconsequente nas suas tomadas de posição, além de não ser levado a sério, acaba por transmitir às pessoas uma sensação de abandono e de falta de alternativas, sendo esta uma situação extremamente perigosa para o sistema democrático. Há que ter em conta que um sistema democrático só é viável se as pessoas sentirem que existem verdadeiras alternativas democráticas. Um sistema democrático em que as pessoas se sentem abandonadas e entregues a si próprias, transforma-se numa presa fácil de todos os populismos e extremismos. Basta vermos a Grécia, com o seu grupo parlamentar de extrema direita nazi.
 
Falando da Conferência, cujo mentor mais visível foi Mário Soares (quanto a mim, muito bem), com o seu painel de intervenientes, poderá ser um factor decisivo no "virar de página" na forma como a Esquerda tem vindo a fazer oposição. Claro que isto só acontecerá se as ideias expressas nas intervenções feitas, tiverem continuidade para além das paredes da Aula Magna.
 
Falo na Esquerda no seu todo, porque só uma verdadeira convergência de todos os partidos nela englobados (não falo em consenso, não gosto da palavra, cheira a "virar o disco e tocar o mesmo"), assumindo sempre que necessário posições conjuntas,  poderá trazer alguma esperança ao País e ao mesmo tempo forçar aquele "Senhor" que se encontra em Belém, a demitir o Governo e a convocar eleições.
 
Quanto ao PS tem, de facto, de levar um grande abanão.  Pode ser que, a fazer fé nas vozes que se fizeram ouvir, o partido resolva finamente acordar desta letargia em que se colocou. Infelizmente, estou convicto que tal já não é possível com A.J.Seguro à frente. A sua imagem de líder hesitante e completamente manietado pela situação do País, encostado às cordas por uma maioria de direita que, apesar de só fazer estragos, nesse aspecto (encostar o líder do PS às cordas) tem sido extremamente eficaz.
 
Por tudo isto, é essencial que a Conferência não se fique por aqui. Senão será só mais um flop protagonizado pela Esquerda.
 
Quanto ao PS, compete-lhe aprender e apreender a lição de Soares e começar a fazer oposição a sério, nem que para isso tenha de arranjar urgentemente um novo líder (para mim este passo tornou-se urgente e obrigatório). Basta ver o nervosismo de alguns dirigentes da direita com este ressurgimento de Soares, nervosismo esse que nunca demonstraram com Seguro, antes pelo contrário.
 
Quanto aos outros partidos e correntes de esquerda compete-lhes também dar passos visíveis para essa convergência, que terá de ser recíproca entre todos. Se necessário, olhem para a direita que apesar de todas as desavenças, no essencial tem conseguido unir-se contra a Esquerda.
Basta ver os diversos arrufos entre os partidos da maioria de direita, para percebermos que não é por haver falta de sintonia nalgumas situações, que não deixam de se unir quando está em causa a sua permanência no Poder. Penso que aqui a Esquerda tem muito que aprender.
 
É que não há volta a dar por mais que se queira. Ou esta convergência se faz urgentemente, ou vamos passar os próximos dois anos a carpir e a dizer mal de tudo e todos, ao mesmo tempo que o País se enterra.
 
Para terminar, desejo que as palavras de mário Soares, sobre a "perda de pacifismo" (acrescento eu, a perda dos valores democráticos também) dos Portugueses, não se tornem premonitórias.
 
Aí é que será tarde, venha ou não a Esquerda a abrir os olhos.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Mais um f.d.p. (1) que acredita na raça superior ariana e no advento dum novo reich…






 
Mas alguém ainda tem dúvidas sobre as verdadeiras intenções destes “boches”. Alguém ainda acredita que eles querem a Europa que nós queremos? Se acredita, desengane-se. Já passou a fase em que estes prussianos falavam da Europa solidária, da Europa das Nações em que todos participariam e todos seriam membros de pleno direito e em que as idiossincrasias regionais e nacionais seriam respeitadas.
Embora ainda não estejamos na fase de cravar as garras, acreditem que estas já estão a ser afiadas há algum tempo. Ou não fossem estas declarações cada vez mais despudoradas, que revelam a arrogância do poder alemão, perante uma europa do sul completamente de rastos e uma europa do norte que acredita piamente no “regabofe” sulista e, por isso (penso eu), alinha com a alemanha (2).

Basta vermos o grande amigo do gasparzinho de seu nome schauble, wolfgang schauble, que se comporta como o verdadeiro ministro das finanças da europa e dá os recados e raspanetes que quer e que lhe apetece, onde e quando lhe apetece.
Quanto ao comissário dito europeu, se de facto ainda existisse pelo menos um pingo de vergonha, teríamos o nosso querido josé barroso (o tal que deixou cair o durão já há muito tempo) a admoestá-lo publicamente, no mínimo (3).
Pensando na sua nomeação como comissário dito europeu da energia, mesmo que o homem até fosse alguma coisa decente, cabe na cabeça de alguém nomear para comissário europeu uma pessoa que se chama “gunter oettinger”? É que ao lermos o nome, soa a "espirro recalcado". Acham que alguém com um nome destes pode ser alguma coisa de jeito?

Aliás, se formos ver o amigo do gaspar (schauble), sabem que por causa dele eu até pensei que o meu cão falava? É que, um dia destes, ouvi-o dizer schauble, schauble, schauble e pensei que podia ganhar uns troquitos se o levasse à televisão. Mas passou-me rapidamente a alegria. O "schäuble, schäuble, schäuble", era só o raio do cão a lamber a pata.
Voltando ao comissário com nome de “espirro recalcado”, este é apenas mais um episódio da já longa lista de intromissões e insultos cada vez menos velados, com que esta gente tem andado a brindar-nos desde sempre.
Mas quanto a “bocas”, já estou como o outro, os cães ladram e a caravana passa. Só que, neste caso, as bocas não são apenas o exteriorizar da arrogância deste e doutros f.d.p. que por aí andam. O que está a acontecer, é que estamos irremediavelmente condenados a fazer parte da grande prússia e não da grande Europa.
Temos andado (e continuamos) a dormir e, muito provavelmente, já não podemos fazer nada para reverter a situação.
Como já tenho vindo a dizer, todo o historial desta união europeia tem-nos encaminhado aos poucos para a completa subjugação aos interesses alemães. E não somos só nós portugueses, (desengane-se quem ainda tem esperança nos outros países europeus). Basta olhar para a frança com o seu  presidente (juro que o nome que me ocorre é seguro) hollande e a forma como este verdadeiro flop claudicou perante a sua vizinha merkel.
Embora eu esteja com todo este paleio sobre o “atchim recalcado” alemão, sei perfeitamente que não vale a pena andarmos para aqui a insultar alemães e, ao mesmo tempo, deixarmos estes verdadeiros invertebrados que nos "governam", continuarem a rastejar perante o grande reich. Desengane-se quem pensa que esta senda colaboracionista, consumada na chamada “política de austeridade”, tem raízes ideológicas neo-liberais ou grandes teorias científicas por trás. Desengane-se também quem pensa que esta política recessiva de salários baixos, etc., tem a ver com alguma estratégia concorrencial potenciadora de crescimento.
Aquilo que está a acontecer é, pura e simplesmente, uma jogada de eliminação de todo o tecido económico e produtivo dos países do sul, que tem como objectivo a sua submissão económica, que conduzirá, naturalmente e consequentemente, à submissão política.
Basta olharmos um pouco para trás e ver o “aqui-d’el-rei”, que acontecia sempre que alguém falava em federalismo. Vejam se não é o que agora toda a gente anda a pedir que aconteça.
Só que, neste caso, temos de reconhecer que os alemães sabem fazer bem o trabalho de casa. É que eles ainda acham que não estamos bem no ponto para esse passo.  Há que destruir ainda um pouquinho mais e esperar que, um dia destes, nós os pobrezinhos esfarrapados do sul, vamos todos de joelhos a berlim, pedir que nos recebam no seu seio.
Acreditem que estamos muito perto disso.
Notas:
(1) para quem pensar que eu sou um rapazinho malcriado e digo palavrões, f.d.p. quer dizer filho da prússia.
(2) as minúsculas  nesta e noutras palavras que normalmente poderiam ter maiúsculas, são propositadas.
(3) se houvesse um pingo de vergonha, quando algum alemãozinho da treta, ou de outro país qualquer, viesse mandar recados sobre os nossos assuntos internos, os nossos “governantes” apresentariam, a quem de direito, pelo menos um “protesto formal” exigindo o consequente pedido de desculpas.


 

terça-feira, 28 de maio de 2013

A propósito de palhaços


Confesso que tinha abdicado de me pronunciar sobre a história do palhaço que alegadamente anda a passear no Palácio de Belém.
A tentação era enorme, mas calculei que o pessoal cá do burgo, com maior ou menor imaginação, desse boa conta do recado. E calculei bem, por isso fiquei descansado.
Estava já quase a conseguir controlar esta minha fixação/compulsão para atacar o alegado palhaço (e outros também alegados palhaços), quando me aparece o nosso querido e amado amiguinho gasparzinho, com a sua indignaçãozinha pequenininha(1) contra o jornalista que não lhe deu importância nenhuma e questionou um estrangeiro sobre o programa de ajustamento português.
Antes de continuar a falar da minha fixação/compulsão, venho aqui defender o jornalista, pela injustiça do ataque que lhe foi feito. É que o dito cujo (jornalista), ao contrário do que diz o gasparzinho, foi perfeitamente coerente ao questionar o presidente do eurogrupo.
 
Aliás, deselegante seria ele se tivesse questionado o nosso querido ministrozinho. É que a questão é simples e lógica. Quando queremos saber alguma coisa concreta, seja em que ambiente for e nos encontramos na presença do patrão e do empregado, a quem é que colocamos a questão? Pelos vistos todos nós sabemos a resposta, menos o gasparzinho. Neste ponto, confesso que o rapazinho (gaspar) é coerente com o que nos habituou. A falhar como falha as suas previsões, deve também pensar que as pessoas o vão respeitar, mesmo sabendo que ele não é mais do que a voz do dono (neste caso, da dona que, por sinal, é estrangeira).
 
E para cúmulo da deselegância, não é que o malandro do jornalista, ao questionar o estrangeiro em português em solo português, fez gato sapato das recomendações dos assessores do gaspar, que queriam que as perguntas fossem feitas em inglês.
 
Ora ou eu estou totalmente baralhado com esta minha fixação/compulsão e não penso coisa com coisa, ou estamos perante outra “gasparice” (que outros no meu lugar podiam chamar palhaçada). Não é que o sr. ministro achou deselegante o jornalista questionar um estrangeiro sobre assuntos nacionais em Portugal, na presença dum governante português e, ao mesmo tempo, quis obrigar os jornalistas a fazer perguntas em inglês, em território português a um estrangeiro, na presença desse mesmo governante português. Digam lá se isto não é uma grande palhaçada.
Voltando à minha fixação/compulsão, juro que estava quase controlada, quando me apareceu esta “ave rara” a expor monocordicamente a sua indignação (3).
 
Inexoravelmente, como em todas as fixações/compulsões, rodopiaram na minha mente as imagens (governamentais, não governamentais e outras que tais), de outros também alegados distintos membros dessa classe profissional circense:
  • O alegado palhaço lá dos lados de Belém, naturalmente, em lugar de destaque (2).
  • O rapazinho com ar de virgem ofendida, agora a braços com a greve dos professores.
  • O paulinho das feiras que não ultrapassa linhas vermelhas (diz ele), com um passado recheado de palhaçadas submarinas.
  • O opositor “seguro”, que acumula a função circense com a sua vocação seminarista.
  • Aquela central dita sindical que, sob a batuta “proencista” e a par com o opositor “seguro”, andou estes últimos tempos a fazer de “palhaça” de serviço do nosso querido primeiro Coelho.
  • A caridosa “tiazinha” que ultimamente anda caladinha, que se zangava connosco por querermos comer bifes todos os dias.
  • O Nandinho, com o seu nome muito nórdico, que nos manda aguentar, aguentar…
  • O reformado indignado e recheado e presidente daquela associação também reformada e indignada (e recheada?), que desapareceu depois de algumas vaias.
  • O empresário de sucesso com as suas opiniões (“palhaçadas”?) que, num acto de heroísmo patriótico, mudou a sua sede para a Holanda.
  • Uma parte (sem ironia, não digo a maior parte) daquele grupo de duzentos e cinquenta que anda ali para os lados de São Bento.
  • Uma parte (aqui sim, digo a maior parte) dos comentadores políticos, naturalmente inocentes nesta “palhaçada” toda, que agora aparecem cheios de soluções para o País.
  • Aquela associação que “defende” os consumidores com uns leilões giros em que cobra (alegadamente) comissões de milhões.
  • Os nossos queridos parceiros da União Europeia, que também nos “ajudam” com as comissõezinhas da praxe.
E podia continuar mais umas boas linhas, mas para desabafo chega.
Chega de falar de palhaços e palhaçadas. Como se diz e muito bem, chamar palhaços a esta gente, é ofender os palhaços (os genuínos). E não é apenas por se tratar de uma profissão nobre, cujo principal e também nobre objectivo, é fazer-nos rir.
É também, acima de tudo, porque esta gente e as suas alegadas “palhaçadas”, não têm graça nenhuma. Nenhuma mesmo, antes pelo contrário.
Aviso, prevenindo desde já episódios futuros, que a minha fixação/compulsão não está curada.
 
Nem pouco mais nem menos. Mas desculpem lá, precisava de desabafar…
 
Notas:
 
(1) a propósito da palavra pequenininha fui ao dicionário e tirei o significado de pequeno. Entre outros aparece o seguinte:
- Pequeno (Fig.): sem valor; Espírito pequeno, pessoa de ideias estreitas, etc.
(2) Desculpem mas não resisto sem falar do “alegado” palhaço-mor de Belém. Porque é que a PGR não abre um inquérito ao cidadão Cavaco, cada vez que ele insulta a função presidencial com as suas “palhaçadas”?
(3) Alguém que diga ao monocórdico Sr. Ministro Gaspar que, quando se indignar, tem de fazer um ar e um tom diferente daquele que usa para as habituais leituras dos powerpoints. É que aquele tom só pode mesmo agradar aos seus queridos e patéticos patrões alemães.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Conselho de Estado… a insustentável estupidez do ser


Confesso que não posso dizer que estou surpreendido… mas ainda me faz confusão como é que um tão elevado número de “distintas criaturas” se presta a um espectáculo tão ridículo.

Ou anda tudo a lamber as botas ao homem de Boliqueime para poderem continuar a manter o “status quo” (mesmo que nos seus comentários televisivos e não só venham dizer o contrário) ou acreditam todos que fazem parte do Olimpo e como tal não têm que prestar contas aos comuns mortais.

No caso de andarem a lamber as botas àquela espécie de placebo que existe lá para os lados do Museu dos Coches, podiam aproveitar e começar a puxar os ditos. Além de poderem ganhar uns trocos a passear turistas, davam alguma utilidade à sua vida e, enquanto estavam ocupados, não andavam para aí a atazanar-nos as vidas. Desculpem-me a falha histórica, eu sei que os ditos eram puxados por cavalos mas, à falta destes, qualquer burro serve (fazendo jus ao bom desenrascanço português).

No caso de acreditarem que fazem parte do Olimpo, deixem-me dar-lhes uma novidade. Quem pagava o ordenado dos deuses do Olimpo, não eram os simples e reles mortais. No caso desta verdadeira epidemia de bactérias, é bom que se lembrem que somos nós que os sustentamos.

Peço desculpa aos leitores (poucos) destes desabafos, mas esta linguagem traduz a minha revolta, que considero legítima, quando para além do mal que esta gente anda para aí a fazer ao País (uns por alinharem com as políticas actuais e outros pela oposição inócua que fazem) ainda nos tentam passar um atestado de burrice.

Então não é que, depois de sete horas reunidos, o “inspirado” do poço de Boliqueime manda fazer aquele comunicado ridículo a falar de cinco também ridículos pontos.

Ainda se me dissessem que estiveram sete horas a jogar à bisca e a tomar uns canecos e depois para disfarçar puseram um desgraçado qualquer a escrever aquela meia dúzia de patranhas, eu até compreendia.

Aqueles cinco pontos recheados de lugares comuns e balelas sem qualquer conteúdo, representam bem o complexo de superioridade (há quem lhe chame inferioridade) que o presidente tem relativamente ao Povo que o elegeu.

Mesmo acreditando que possam ter discutido alguma coisa de relevante e mesmo considerando que é apenas um órgão consultivo do presidente, deveríamos merecer da parte deste a consideração e o respeito de nos dizer mais qualquer coisa que aquele comunicado, que no mínimo é estúpido e insultuoso.
Estúpido, porque ao fazê-lo e achar que somos estúpidos ao ponto de ver ali alguma coisa de jeito, só revela a estupidez de quem o fez.

Insultuoso, porque no meio deste perfeito descalabro social que este País atravessa, ainda vem este “artista” contar-nos histórias da carochinha (estas pelo menos distraíam as criancinhas, as histórias dele só se forem para nos fazer morrer de tédio).
Será que a “presidenta” que lhe disse que a troika tinha sido inspirada, também lhe disse que ele era um deus do Olimpo? Talvez tenha dito, mas na intimidade dos outros eu não me meto. O que sobressai dali é que estão os dois bem um para o outro.

Uma coisa é certa, aos anos que o homem anda por aí a moer-nos o juízo, tipo carraça que não descola… acho que não é só no futebol que existe um “emplastro”.

domingo, 19 de maio de 2013

Esta noite, sonhei que os comentaristas políticos que nos enchem diariamente os écrans de televisão se uniam, criavam um novo partido, ganhavam as próximas eleições e formavam governo.
Nesse novo governo apareciam Marques Mendes, José Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Santana Lopes, Morais Sarmento, Marcelo Rebelo de Sousa, Medina Carreira, Jorge Coelho, Silva Pereira, Santos Silva, etc, etc,etc....
Foi um sonho lindo. Todos eles, nos seus respectivos ministérios, punham em prática tudo o que tinham vindo a apregoar enquanto comentadores políticos.
E foi ver o País a crescer, a sair da recessão, o Povo feliz, o Estado verdadeiramente reformado, o desemprego e os impostos a descer para níveis nunca imaginados, os reformados e pensionistas respeitados, as PPP com acordos justos e vantajosos para todos nós, os 14 salários repostos....
Foi um sonho lindo. Devido à actuação desse Governo, a Europa seguiu-nos o exemplo, saiu da recessão e até a Merkel, rendida, veio a público pedir desculpa e dizer que a Alemanha ia adoptar na íntegra as políticas seguidas por Portugal.
Foi um daqueles sonhos que todos desejamos ter um dia:
Era ver os ministros desse Governo a cumprir tudo o que prometeram nas eleições e defenderam enquanto comentadores.
Era ver na Assembleia da República, todos os Deputados (contagiados pelo Governo) a debaterem o País e a servirem abnegadamente a Nação.
Era ver um Presidente (confesso que no sonho não consegui ver quem era, mas tenho a sensação que era um destes comentadores) como um Defensor efectivo da Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir.
Foi mesmo um sonho lindo. Tão lindo, que acordei feliz e quis logo vir aqui partilhá-lo, nem que fosse para que pudessem ter como eu uma nova esperança.
Confesso que não vim logo e foi o meu mal. Resolvi tomar um cafezito e, ao primeiro gole, fez-se luz no meu espírito. Comecei a lembrar-me dos nomes dos ministros desse futuro Governo (actuais comentadores políticos) e desgraça das desgraças... não é que todos eles, sem excepção, já lá estiveram...
Atónito, ainda fui fazer as minhas pesquisas e era verdade... todas aquelas "almas santas" que apareciam no meu sonho, já tinham sido ministros e/ou secretários de estado em um ou vários dos governos que nos conduziram a esta desgraça.
Ainda atónito pensei, bom então se eles já lá estiveram eu estou ainda a sonhar e o País está bem. Mais uma vez, azar dos azares, tinha a tv ligada nas notícias e vi a desgraça em que nos encontramos.
Revoltado, mudei o canal para o National Geographic (já que é para ver "bicharada" ao menos vejo bicharada decente) e comentei com os meus botões: era tão bom que toda esta distinta "gentalha" tivesse um pingo de vergonha na cara e ficasse em casa a ver TV.
Não digo a ver o National Geographic como eu. Talvez o Big Brother... acho que para esta gente era mais aconselhável...

frança em recessão... a triste história dum "banana" chamado hollande.

o "homem" chegou às eleições de peito feito... se fosse eleito iria encostar a merkel à parede e a europa voltaria à sua anterior grandiosidade.
 
Passou um ano e cá temos o resultado de mais um autentico bluff político. A frança completamente rendida ao directório alemão, numa situação de subalternidade confrangedora.
 
É esta a história deste verdadeiro "banana" que nos encheu de expectativas, prometendo reorientar a europa para a sua verdadeira vocação social, pondo um fim à "austeridade pela austeridade" (apanágio do casamento de conveniência protagonizado pela dupla merkel-sarkozy), colocando a economia ao serviço das populações e implementando políticas de verdadeira solidariedade entre os seus povos.
 
Infelizmente, neste caso, a montanha pariu um rato...  este verdadeiro "banana" conseguiu uma coisa que era impensável há uns meses atrás: a orgulhosa e muitas vezes chauvinista frança, completamente anulada perante o poder do directório alemão.
 
Onde até há um ano existiu o chamado merkozy (de má memória), agora existe apenas uma puritana merkel com um verdadeiro "petain" a seus pés.
 
E a recessão em frança tornou-se o resultado da actuação deste ser invertebrado, que claudicou completamente, desde o primeiro momento após a sua eleição.
 
Se me perguntarem porque falo desta forma deste tipo de gente, a razão é simples .
 
Estes verdadeiros vendedores de banha de cobra são tão maus ou piores do que  aqueles que nos atacam, porque não passam de autênticos abutres quando, para ganharem eleições, se aproveitam da desgraça alheia, prometendo verdadeiros eldorados e apresentando-se como arautos dum novo tempo.
 
E temos hollande, o invertebrado que empolgou o seu povo e os povos do sul com a sua promessa de combater este novo "reich" que se desenha no horizonte, agora transformado num autêntico "petain", aparecendo em discursos patéticos tentando justificar o injustificável.
 
O problema deste autêntico claudicar da frança, é que traz com ele o fim das últimas esperanças que os povos do sul podiam ter numa inversão desta política de austeridade, que serve apenas aos desígnios desta prússia do sec. XXI,  numa nova tentativa de subjugar a europa ao destino conquistador do povo "superior" ariano.
 
Por isso olho para nós neste rectângulo e é natural que a sensação seja de abandono, impotência, desilusão e revolta perante estes autênticos criminosos que nos rodeiam.
 
O sentimento ainda é pior se pensar que neste rectângulo à beira mar plantado, estamos rodeados de "holandes". Não, não falo só do governo, falo por exemplo do patético "inspirado pela nossa senhora", falo do inócuo "seminarista" que por sinal até tem uns óculos redondinhos que lhe dão um ar de hollande, falo dos que em nome de um podre e hipócrita consenso o mantém lá e do verdadeiro complô de interesses subjacentes aos partidos do chamado "arco do poder", falo daquela associação de "proencistas" renovados, etc., etc. 
 
Onde é que isto nos levará se não mudarmos radicalmente o nosso caminho, não admitindo continuar nas mãos desta autêntica "bicharada"?
 
Onde é que isto nos levará se não mudarmos radicalmente o nosso caminho, não admitindo qualquer espécie de negociação com estes "canalhas"?
 
Onde é que isto nos levará se não mudarmos radicalmente o nosso caminho, exigindo a demissão deste governo, deste presidente, desta cúpula ligada ao principal partido da "oposição" e a uma das centrais sindicais?
 
Onde é que isto nos levará se não mudarmos radicalmente o nosso caminho, apagando do nosso léxico a palavra consenso, quando "consenso" significa apenas "mudar as moscas..."?
 
Onde é que isto nos levará?
 
O que prevejo é que daqui a algum tempo teremos os países todos do sul (e alguns do norte da europa) completamente de rastos, com as suas economias completamente destruídas, a apelarem encarecidamente à alemanha para que nos conceda a honra de uma união política (a coberto de uma união europeia) com a capital efectiva em berlim.
 
O que prevejo é que nessa altura a alemanha, do alto do seu pedestal imperial, porá em prática o espírito "solidário" que lhe é característico, obrigando-nos, em contrapartida,  a que gritemos em uníssono: heil merkel, ou adolf, ou schauble ou o diabo que os carregue....
 
 
nota final: as minúsculas nos nomes próprios não são erro, nem uma adaptação minha do acordo ortográfico. são propositadas...
 
 

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Silva Lopes defende que não há alternativas ao corte nas pensões...


Mais um que devia estar caladinho.

E admiramo-nos nós que o país tenha chegado onde chegou. Basta ver a verdadeira corja que tem andado por aí a (des)governar-nos ao longo destes anos.

Este artista vem agora dizer e cito a notícia:”A geração grisalha não pode asfixiar a geração nova da maneira como tem feito até aqui. Não pode ser. Eu sou pensionista, sou da geração grisalha, quem me dera a mim que não toquem nas reformas, mas tocam, vão tocar e eu acho muito bem. Não há outro remédio”, insistiu Silva Lopes.
 
Tadinho, uma verdadeira alma que se quer sacrificar pela geração mais jovem. Um verdadeiro herói. Só que não há bela sem senão... basta fazer alguma pesquisa na internet e encontramos notícias como a do Correio da Manhã, algures em 2008 que dizia em título “Silva Lopes ganhou 410 mil por 4 meses no Montepio” (ver notícia no Correio da Manhã).
 
Este conceituado economista e ex-(des)governante não se importa de cortar na sua própria pensão. Relacionando as duas notícias, tive uma ideia. Mesmo que seja uma ideia disparatada, acho que não vai destoar no meio de tanto disparate que tem sido dito neste país.
 
Posto isto, (para não dizerem que sou só críticas) sugiro uma solução para o problema dos cortes nas pensões e até aposto que a “geração grisalha” além de não protestar, ainda vai aplaudir.
 
Pois bem, a solução é a seguinte:
 
- ponham todos os reformados a trabalhar mais quatro meses e paguem-lhes 410 mil euros por isso. Em troca, têm de aceitar um corte de 10% das suas pensões. Aposto o que quiserem que a adesão a esta medida seria de 100% e muita gente ia pedir a pré-reforma só para ter direito a ela.
 
Disparates à parte, porque o momento é sério, esta corja "conceituada" fazia bem em estar caladinha.
 
Mas os disparates não ficam por aqui. Segundo a notícia o homem ainda diz mais: “Sou a favor da contribuição de solidariedade social, sou a favor desta taxa que o Governo agora promete e que, se calhar, também vai ser declarada inconstitucional. E digo uma coisa: se nós temos a Constituição e a interpretação do Tribunal Constitucional a impedir estas coisas, isto rebenta tudo”.
 
Pois é. Que maçada, a Constituição. Pior ainda, o Tribunal Constitucional que a põe em prática…
 
Este “senhor” bem se podia juntar à longa fila de outros distintos “democratas”, que culpam a Constituição e o Tribunal Constitucional por dizerem que o zé povinho também tem “direitos adquiridos”.
 
É que, num país a sério, com uma constituição mais “amigável” ou com um tribunal constitucional mais “compreensivo”, os direitos adquiridos seriam unicamente pertença duma elite constituída pelas grandes empresas ligadas às PPPs, pelos bancos  e respectivos membros dos conselhos de administração, pelos governantes e deputados e, para não me alongar, digamos por outros semelhantes e afins.

Aliás, esta tralha toda podia juntar-se a outros que acham que seria interessante poder suspender a democracia durante seis meses. Uma medida destas até podia ser colocada num artigo da tal constituição “amigável” e, quem sabe, não viria uma qualquer maria dizer ao marido que esse artigo tinha sido lá colocado por inspiração de Nossa Senhora de Fátima…

sábado, 11 de maio de 2013

A minha famigerada quarta classe… ou o saudosismo bafiento duma aberração que dá pelo nome de Crato


Ontem cumpriu-se mais uma etapa desta nova panaceia que algumas mentes luminosas resolveram implementar no quarto ano… um exame nacional? Não. Melhor ainda. Um exame nacional que não podia ter nas salas professores que comprometessem os seus resultados, obrigando a que muitos alunos tivessem de deslocar-se a outras escolas.
De acordo com o que veio a lume na comunicação social, os exames estão a ser um sucesso organizativo e aparecem os alunos na televisão a dizer que não acharam difícil e alguns até acharam giro irem a outra escola. Até aquele ser iluminado que dá pelo nome de crato, com um ar de condescendência clerical, veio falar com satisfação do ar tranquilo dos alunos.

Maravilha!!! estão resolvidos os problemas da educação neste país!!!
Sim, porque estes problemas devem-se essencialmente à leveza com que os alunos têm encarado a falta de exames. Principalmente a falta de exames nacionais no quarto ano tem implicado uma completa anarquia e irresponsabilidade que acaba agora.

Acrescentamos a isto o facilitismo e irresponsabilidade dos professores do 1º ciclo do ensino básico, que não se preocupam em ensinar ou fazer evoluir os alunos e que, se assistissem aos exames, iriam fazer tudo para falsear os seus resultados
Para piorar ,temos o facto de os pais não ensinarem aos filhos (com umas boas palmadas se for preciso) o que é a disciplina e o temor à autoridade e, já agora, não os obrigarem a ir à catequese e à missa todos os domingos. Para além de que fazem muita falta as belas reguadazinhas dadas pelos professores, que tanto bem faziam às criancinhas.
Melhor ainda que o exame do quarto ano, o que devia acontecer era um exame destes desde o primeiro ano e, porque não, um exame de admissão à primária? Sim, porque nós sabemos o perigo que as creches, infantários e outros que tais representam para o futuro das crianças. Por isso, o melhor mesmo era discipliná-los logo à entrada na Escola.

Que maravilha seria este país se isso acontecesse.
Os alunos voltavam a saber a tabuada de cor, voltavam a saber quais os rios e os caminhos de ferro e ainda iam saber os verbos de cor e salteado. Só os produtos é que não, porque já não se produz muito. Mas podíamos substituir isso pelos produtos que importamos. Era giro, sabermos quais as maiores importações no Algarve, no Norte, etc.

Mais ainda, os alunos voltavam a levantar-se sempre que entrava alguém na sala, voltavam a saber o Hino nacional de cor, etc., etc., etc.,….
Obrigado crato e companhia. Ao fim de 39 anos de desvario democrático, começamos a ver a luz ao fundo do túnel…

Sim, porque quando chegarmos ao fundo do túnel, eu sei que lá estará o belo tempo da escolaridade mínima na quarta classe, os “bifes” a concluírem o liceu (e destes, os eleitos a irem para a universidade) e as “costeletas” a concluírem a escola comercial e industrial e arranjarem um emprego honesto e digno nas empresas dos pais de alguns dos “bifes”.

Claro que a minha “democraticite aguda”, contraída precisamente por ter frequentado o sistema de ensino durante estes anos de desvario, leva-me a olhar para esta(s) aberração(ões) que nos governa(m) e sentir uma sensação profunda de nojo, com a respectiva compulsão para o vómito.

É que eu (ao contrário do que tenho vindo a ler e a ouvir) acho que os meus tempos de primária (dentro da sala de aula, claro) foram um nojo absoluto. Desde o decorar pelo decorar (fosse a tabuada, o abcedário ou a gramática, os rios e as montanhas, etc., etc.) às reguadas pelos erros (às vezes com a chamada “menina de cinco olhos”) e aos castigos de ficar virado para a parede em pé, em alguns casos com as famigeradas orelhas de burro. Quem não se lembra das filas dos alunos à frente do(a) professor(a), depois do ditado, para apanharem as reguadas correspondentes aos erros?

Deixem-me fazer uma salvaguarda relativamente aos professores primários da época, que sei que deram o seu melhor tendo em conta as condicionantes e directivas de que dispunham. O nojo que sinto é relativo à mentalidade, cultura e metodologias em vigor nessa altura e que agora, perigosamente, aparecem algumas mentes a quererem defender.

Também me lembro do meu exame da quarta classe. Convém dizer que nesse tempo os exames da quarta classe representavam o fim da escolaridade obrigatória e, penso que por este facto, tinham uma razão de ser. Convém também dizer que os professores facilitavam a vida (e bem) a quem não ia continuar a estudar.
Também me lembro dos conceitos de educação e da forma como se agia com a as crianças.
Só que, quero lembrar a este verdadeiro gang craticista que os tempos mudaram, as crianças e jovens foram educados (e bem) de forma diferente e que o ensino e as suas metodologias  evoluiram muito (e bem).

E é este "desvario educativo" (segundo crato e companhia) dos últimos 39 anos que eu venho agora defender, ao mesmo tempo que faço questão de repudiar vivamente esta espécie de saudosismo bacoco, que seria simplesmente ridículo se não existisse aqui um padrão ideológico que poderá vir a afectar as actuais e novas gerações.
 
Posto isto, o que defendo para as actuais e futuras gerações de crianças e jovens em geral, é a continuação das tendências educativas postas em prática nos últimos anos 39 anos:
 
-motivação onde esta gente defende autoritarismo

- paciência e compreensão onde esta gente defende punição

- inclusão e  integração onde esta gente defende selecção
- raciocínio onde esta gente defende decoranço

E poderia continuar…
O que defendo é o repúdio completo destas e doutras medidas que este governo e este ministro vêm pondo em prática e que não são mais do que o consubstanciar das suas opções ideológicas, eivadas do mais puro e bafiento saudosismo retrógrado.

O que defendo é o repúdio por qualquer espécie de retorno à minha famigerada quarta classe. E, para ser consequente com esse repúdio, naturalmente que quero a demissão dessa  aberração que dá pelo nome de crato.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PS tem de "vir a jogo" e propor alternativas....(PSD dixit)





O PSD diz que o PS tem de ir a jogo....
 
Claro que tem!!!
Com muita pena minha (por concordar com esta gente), esta é uma realidade.

O PS de Seguro (como estão todos amiguinhos, posso dizer todo o PS) colocou-se a jeito e sem uma reviravolta na sua actuação, disto não se safa. O PSD/CDS, como indica o artigo, bem ou mal apresentou propostas e medidas concretas. Ao PS, em coerência com o que tem afirmado, compete-lhe agora responder.

É o que dá andar a reboque e esperar que os outros avancem. Agora não há volta a dar. Encostados entre a espada e a parede, é obrigatório ir a jogo. Tudo o que for dito, perante a opinião pública soará a pretexto, com o natural aproveitamento pela maioria PSD/CDS.

Será que ainda não entenderam que esta estratégia do esperar para ver ou de amuar e fazer birras, não os leva a lado nenhum? Seja ou não verdade, pelo menos essa é a imagem que passa e sabem, melhor do que eu, que em política a imagem não é meio caminho andado, é o caminho quase todo.

Senão vejamos… o Governo apresentou mais um dos seus famigerados pacotes de cortes. Cortes estes que, no geral, já vinha anunciando há uma série de tempo. Será que o PS não teve tempo de estudar e apresentar alternativas sustentadas, que prevenissem ou rebatessem de forma eficaz mais este ataque escabroso aos direitos de um Povo?

Será que em vez de esperar pela apresentação dos cortes pelo governo, o PS (demonstrando ser uma verdadeira alternativa) não teve tempo para apresentar estratégias credíveis, com medidas concretas para garantir o equilíbrio orçamental das nossas contas e, em simultâneo, assegurar a estabilidade social e económica do País?

Não pensem que se safam com ataques avulsos e vagos às medidas do governo, ou com propostas também vagas sobre o crescimento económico. O que têm de fazer é muito simples (ou não) e, para isso, é fundamental definir em concreto duas questões (que já deviam estar definidas há muito tempo):

1-     Qual o valor dos cortes a fazer na despesa para garantir a estabilidade social, económica e financeira?

Esta é a questão fundamental quanto a mim. Quanto é necessário cortar? O Governo apresentou um valor para os cortes. Esse valor é correcto? Sim ou não. Se a resposta for não, então qual o valor a cortar na despesa que garanta a estabilidade social, económica e financeira (friso aqui as vertentes social e económica, que não podem ser separadas em nenhum momento da financeira)? Será inferior ao que o Governo diz? Será superior? Sem uma resposta a estas questões, quanto a mim fundamentais, não é possível qualquer debate. Há uns anos, falou-se sobre as dificuldades que gestores e chefias intermédias tinham em conseguir estabelecer objectivos concretos, devidamente justificados e quantificados. Pelos vistos o PS sofre desse problema. Não basta dizer que não concorda. Para conseguir rebater o(s) valor(es) e prazo(s) apresentado(s) pelo governo, tem de apresentar os seus próprios valores e prazos, devidamente justificados e quantificados. Ora, quanto a mim, o PS não fez isso e, se o fez, não o soube transmitir porque eu não sei e não conheço ninguém que saiba.

2-     Onde, quando e quanto se deve cortar, para chegar ao(s) valor(es) e prazo(s)  estimado(s)?

Depois de resolvida a questão do ponto 1, será necessário ver onde, quando e quanto deve ser cortado, de forma a atingir o valor definido. Neste ponto, tal como no anterior, todas as medidas, prazos e valores devem ser definidos e quantificados de forma concreta e realista. Volto a frisar que todas as medidas a implementar, têm de salvaguardar, em simultâneo, a estabilidade nas três frentes (social, económica e financeira).

O que precisamos de saber, resume-se a estes dois pontos e nada mais.

Bem ou mal, concordando ou não, o governo respondeu às duas questões. O que fez o PS?
Bem ou mal, de forma adequada ou não, o governo disse que ia especificar valores e medidas para os atingir e fê-lo. O que fez o PS?
Com isto, o governo conseguiu mais uma vez encostar o PS à parede e, sob pena de se descredibilizar ainda mais, este vai ter de ir a jogo.
 
Resta-lhe apenas decidir a forma como vai jogar. Mas isto só poderá acontecer, se responder de forma cabal aos dois pontos aqui referidos.

Assim sendo, compete ao PS, em primeiro lugar, esclarecer com dados concretos se o valor apresentado pelo governo é correcto? Quando falo em esclarecer com dados concretos, falo em apresentar valores e justificações fiáveis. Não queremos justificações vagas, queremos valores concretos e reais. Estejam descansados que o Povo entende as explicações e, por mais complicadas que sejam, sempre são melhores que a falta delas.

Seja o valor para os cortes, apresentado pelo PS, igual ou diferente do apresentado pelo governo, será necessário justificar muito bem o porquê desse número.
Se for igual, não pensem que pelo facto de o PS dizer que concorda com o valor do governo, nós vamos acreditar. Vai ter de o justificar também. E justificar não só o valor, mas também os prazos.

Esclarecido o ponto relativo ao valor a cortar, só aí podemos passar ao ponto dois.

Neste ponto, o que o PS tem de fazer é dizer onde e como cortar. Em que despesas. Nada de coisas vagas tais como, por exemplo, “é preciso cortar nos consumos intermédios”. Deste “paleio”, estamos fartos. O que é necessário fazer é, pegando no exemplo, dizer quais as rúbricas que podem ser cortadas e o seu valor, não esquecendo de definir os prazos. Só actuando desta forma, isto é, apresentando alternativas concretas e quantificadas (tanto em valor como em prazos de execução), poderão rebater de forma credível as medidas  propostas pelo governo.

É absolutamente necessário que o PS tenha a consciência que todas as concordâncias e/ou discordâncias que possa ter com o governo, têm de ser plenamente justificadas de forma concreta, apresentando medidas também concretas, especificando tudo o que for apresentado (discriminando rúbricas, definindo valores, prazos, etc.).

Só assim alguém pode olhar para o PS e sentir que, quando este governo cair, podemos ter uma alternativa viável com ideias e estratégias para o País e não uma continuação da navegação “à vista”, a que estamos habituados.

Se o PS não fizer isto, “ir a jogo ou não”, não vai alterar nada. Vai ficar sempre mal visto na fotografia. E olhem que esta imagem ainda pode piorar.

Finalmente, respondendo à pergunta: o PS tem de ir a jogo?
Tem. A situação em que se colocou, de andar a reboque do governo, obriga-o a isto. No entanto pode optar, indo a jogo nas condições impostas pelo governo ou nas suas próprias condições.

Mas para que isto aconteça, uma coisa é certa, tem obrigatoriamente de fazer o trabalho de casa.
Se o fizer, ninguém o obrigará a sentar-se à mesa com o governo e muito menos nas condições que este impõe. Só a apresentação de medidas concretas, perfeitamente definidas e quantificadas, alicerçadas em estratégias que garantam a estabilidade social, económica e financeira do País, poderá fazer com que o PS deixe de andar a reboque do governo e se apresente como uma verdadeira e credível alternativa.

Caso contrário, ou faz de “menino birrento” ou acaba por se sentar à mesa com o governo nas condições que lhe são impostas. Pode depois vir bradar aos ventos que está tudo mal, mas a única coisa que consegue é reforçar a sua imagem “patética”, que o governo tanto agradece.