"Mais vale um leão à frente de mil ovelhas, que uma ovelha à frente de mil leões"
Esta frase ocorreu-me ao ouvir Mário Soares e pensar na forma como o PS se deixou manietar pela situação actual e na imagem titubeante que o seu líder transmitiu ao País.
Quanto a mim, neste caso, a frase não podia ser mais verdadeira. Mesmo que o PS esteja cheio de leões, esta liderança de Seguro tirou-lhe toda a genica, transformando-o mais num problema para o País, do que numa solução. Isto porque o maior partido da oposição, ao ser inconsequente nas suas tomadas de posição, além de não ser levado a sério, acaba por transmitir às pessoas uma sensação de abandono e de falta de alternativas, sendo esta uma situação extremamente perigosa para o sistema democrático. Há que ter em conta que um sistema democrático só é viável se as pessoas sentirem que existem verdadeiras alternativas democráticas. Um sistema democrático em que as pessoas se sentem abandonadas e entregues a si próprias, transforma-se numa presa fácil de todos os populismos e extremismos. Basta vermos a Grécia, com o seu grupo parlamentar de extrema direita nazi.
Falando da Conferência, cujo mentor mais visível foi Mário Soares (quanto a mim, muito bem), com o seu painel de intervenientes, poderá ser um factor decisivo no "virar de página" na forma como a Esquerda tem vindo a fazer oposição. Claro que isto só acontecerá se as ideias expressas nas intervenções feitas, tiverem continuidade para além das paredes da Aula Magna.
Falo na Esquerda no seu todo, porque só uma verdadeira convergência de todos os partidos nela englobados (não falo em consenso, não gosto da palavra, cheira a "virar o disco e tocar o mesmo"), assumindo sempre que necessário posições conjuntas, poderá trazer alguma esperança ao País e ao mesmo tempo forçar aquele "Senhor" que se encontra em Belém, a demitir o Governo e a convocar eleições.
Quanto ao PS tem, de facto, de levar um grande abanão. Pode ser que, a fazer fé nas vozes que se fizeram ouvir, o partido resolva finamente acordar desta letargia em que se colocou. Infelizmente, estou convicto que tal já não é possível com A.J.Seguro à frente. A sua imagem de líder hesitante e completamente manietado pela situação do País, encostado às cordas por uma maioria de direita que, apesar de só fazer estragos, nesse aspecto (encostar o líder do PS às cordas) tem sido extremamente eficaz.
Por tudo isto, é essencial que a Conferência não se fique por aqui. Senão será só mais um flop protagonizado pela Esquerda.
Quanto ao PS, compete-lhe aprender e apreender a lição de Soares e começar a fazer oposição a sério, nem que para isso tenha de arranjar urgentemente um novo líder (para mim este passo tornou-se urgente e obrigatório). Basta ver o nervosismo de alguns dirigentes da direita com este ressurgimento de Soares, nervosismo esse que nunca demonstraram com Seguro, antes pelo contrário.
Quanto aos outros partidos e correntes de esquerda compete-lhes também dar passos visíveis para essa convergência, que terá de ser recíproca entre todos. Se necessário, olhem para a direita que apesar de todas as desavenças, no essencial tem conseguido unir-se contra a Esquerda.
Basta ver os diversos arrufos entre os partidos da maioria de direita, para percebermos que não é por haver falta de sintonia nalgumas situações, que não deixam de se unir quando está em causa a sua permanência no Poder. Penso que aqui a Esquerda tem muito que aprender.
É que não há volta a dar por mais que se queira. Ou esta convergência se faz urgentemente, ou vamos passar os próximos dois anos a carpir e a dizer mal de tudo e todos, ao mesmo tempo que o País se enterra.
Para terminar, desejo que as palavras de mário Soares, sobre a "perda de pacifismo" (acrescento eu, a perda dos valores democráticos também) dos Portugueses, não se tornem premonitórias.
Aí é que será tarde, venha ou não a Esquerda a abrir os olhos.





