Seguro confirmou a sua presença na reunião "secreta", convidado por Balsemão.
Sabe-se que Paulo Portas também foi convidado para a conferência do Grupo de Bilderberg.
Pelo que li do Grupo, este existe desde 1954 e reúne empresários, banqueiros, políticos e outras “importantes” individualidades da alta finança europeia e americana.
Para as suas conferências, são convidadas personalidades que se reúnem “à porta fechada”, alegadamente para que os seus membros possam discutir livremente os assuntos agendados, sem terem receio que as suas afirmações apareçam na comunicação social.
Segundo parece Seguro e Portas foram convidados por Balsemão (segundo o Correio da Manhã de hoje). Na lista de participantes em anos anteriores, aparecem personalidades políticas portuguesas, tais como: José Sócrates, Jorge Sampaio, Mira Amaral, António Guterres, Teixeira dos Santos, Durão Barroso, Santana Lopes, etc.
Também existem outras, ligadas à finança, mas foco-me nas personalidades políticas, pelas seguintes razões:
Umas das características inalienáveis da democracia, é a transparência da actuação e das ligações dos seus agentes políticos, de modo a que possa ser feito o seu escrutínio público.
Mais concretamente, esse escrutínio passa não só pelo conhecimento público das afirmações dos políticos, como também das suas ligações. Naturalmente que o veículo por excelência dessa transparência é, sem duvida, a comunicação social que, para informar corretamente, deverá ter acesso a toda a informação considerada de interesse público .
Podemos dizer que há informação confidencial mesmo quando se trata de agentes políticos? Claro que sim. Quando falamos de reuniões internas de partidos, reuniões entre instituições políticas, negociações entre parceiros sociais, etc. é natural que exista alguma reserva.
Só que, neste caso, quando falamos de uma conferência internacional “à porta fechada” ou "secreta", em que os políticos são “levados” (palavras do Correio da Manhã (1)) para grupos restritos com personalidades ligadas à alta finança, alguma coisa não está bem.
Até podem ser os assuntos mais inocentes do mundo, mesmo que não existam relações ou ligações inconfessáveis, quando isto acontece, é de convir que a transparência que se requer aos regimes democráticos fica muito abalada.
Eu não ponho em questão que banqueiros, empresários e outras personalidades se queiram reunir à porta fechada. Estão no seu pleno direito.
O que contesto é que políticos com altas responsabilidades ao nível de partidos e de instituições públicas aceitem participar destas “conferências”.
Como é que um governante português (Paulo Portas) vai a uma conferência destas? Mesmo que alegue que vai na qualidade de líder partidário ou que outros membros de governos estrangeiros também vão.
O mesmo se passa com Seguro. Como é que o líder do PS se submete a isto? Claro que A. J. Seguro, no seu estilo "seminarista" vem dizer que a sua participação vai ser importante porque vai falar, entre outras coisas, sobre o fim das offshores, etc. É tudo muito bonito, mas isto soa à historia das milhentas cartas que sua exa tem enviado para tudo quanto é lado. Só mesmo A.J. Seguro é que acredita que algum dos destinatários das suas cartas liga alguma coisa ao que ele diz. Só mesmo A.J.Seguro para pensar que ao fazer declarações destas, nós acreditamos que alguém lhe dá ouvidos. É que estas cartas como tudo o que ele diz, soa à publicidade colocada na caixa do correio. Vai directamente desta para o "recipiente" mais próximo.
Mas voltando`ao assunto, por mais inocentes que possam ser estas reuniões "secretas", o cheiro a promiscuidade entre a política e a grande finança internacional fica no ar. Principalmente numa época como esta, em que recaem no sistema bancário nacional e internacional grandes responsabilidades na crise, não é aceitável que situações destas sucedam.
Mas voltando`ao assunto, por mais inocentes que possam ser estas reuniões "secretas", o cheiro a promiscuidade entre a política e a grande finança internacional fica no ar. Principalmente numa época como esta, em que recaem no sistema bancário nacional e internacional grandes responsabilidades na crise, não é aceitável que situações destas sucedam.
Isto faz-me lembrar a alegada promiscuidade que existe ou existia entre a política e o futebol.
Basta ter presente o caso da Câmara do Porto, quando Rui Rio foi eleito e cortou com as ligações “preferenciais” e alegados favorecimentos ao F. C. Porto. Excessivo ou não, com razão ou sem ela, o facto é que, ao agir desta forma, Rui Rio cortou com essa promiscuidade e granjeou uma imagem de independência que toda a gente lhe reconhece, independentemente da concordância com a sua ideologia política ou com o resto da sua actuação na Câmara. Da mesma forma, aos seus antecessores, mesmo que injustamente, essa imagem de promiscuidade ninguém lhes tira.
É exactamente por situações como esta que, em nome da independência, da transparência e do corte com a promiscuidade entre agentes políticos e financeiros, sou frontalmente contra a presença de agentes políticos em conferências, reuniões, seminários, etc. "secretos" ou “à porta fechada” e, muito menos, se são “levados” por personalidades ligadas a grupos económicos ou outros.
É por isto que, sendo verdade ou não o que diz o Correio da Manhã (1), que Balsemão vai “levar” Paulo Portas e A. J. Seguro a esta conferência, considero que estes dois ao aceitarem o convite para a conferência "secreta", fazem um mau serviço à democracia.
Da mesma forma, como considero que fizeram um mau serviço à democracia portuguesa, os outros políticos portugueses que alegadamente já compareceram a esta ou outras conferências do género ("secretas").
Já agora seria interessante saber por quem terão sido “levados” e, não menos importante, quem lhes paga (ou pagou) as despesas.
Quer queiramos quer não, por mais sérios que possam ser os intervenientes, uma reunião "secreta" ou à "porta fechada" entre a alta finança internacional e altos dirigentes políticos, cheira a promiscuidade. E em democracia, tudo o que cheira a promiscuidade é fatal.
NOTA:
(1) Foco também a notícia do Correio da Manhã, porque com o seu jornalismo muito característico, dá uma ideia do tipo de insinuações ou de dúvidas que se podem levantar com o "secretismo" destas reuniões entre agentes políticos e a alta finança internacional.
Quer queiramos quer não, por mais sérios que possam ser os intervenientes, uma reunião "secreta" ou à "porta fechada" entre a alta finança internacional e altos dirigentes políticos, cheira a promiscuidade. E em democracia, tudo o que cheira a promiscuidade é fatal.
NOTA:
(1) Foco também a notícia do Correio da Manhã, porque com o seu jornalismo muito característico, dá uma ideia do tipo de insinuações ou de dúvidas que se podem levantar com o "secretismo" destas reuniões entre agentes políticos e a alta finança internacional.

Sem comentários:
Enviar um comentário