Mais uma vez, cavaco não me desiludiu. Simplesmente
porque, mais uma vez, não me iludiu.
Uma promulgação recorde, em 24 horas, duma lei que
permite não pagar agora o subsídio de ferias.
A propósito disto, Constança Cunha e Sá vem dizer que
o presidente é um "verbo-de-encher e não está ali a fazer nada"…. Eu concordo com
muito do que ela diz, excepto com o facto dele não estar ali a fazer nada.
Antes pelo contrário, acho que está a fazer muita coisa, muita… "porcaria" (o decoro não me permite usar outra palavra).
Também não acredito na história do palhaço inocente com tendência para fazer "porcaria" (mais uma vez, o decoro...) ou na história do coitadinho que faz
o que lhe mandam e, muito menos, em o governo o ter como favas contadas.
Eu acredito mais na tese do lobo mau. Não tenho
dúvidas nenhumas que o sr. cavaco silva (1) o faz por convicção profunda e se, em vez de
ser presidente, fosse primeiro-ministro, faria muito pior que o actual.
A nossa memória não deve ser curta e, o tempo
famigerado do cavaquismo, só não foi mais desastroso para o país e para a democracia,
devido à avalanche de dinheiro recebida da UE e à conjuntura internacional
propícia.
Quem não se lembra de todos os traços de
imbecilidade, prepotência e falta de espírito democrático que o, nessa altura,
primeiro-ministro cavaco demonstrava?
Por isso, é bom não pensarmos que estamos perante um
homenzinho simples e piedoso que, com o avançar da idade, vai apresentando sinais
de senilidade e se deixa subjugar por uns jovenzinhos marotos.
Desengane-se quem acredita na tese do uso minimalista
dos poderes presidenciais ou de não se imiscuir nos assuntos governativos. A
história dos seus mandatos tem demonstrado o contrário. Não só se imiscui, como
é vingativo e a sua famigerada "magistratura de influência" existe de facto, mas
não com o cunho de imparcialidade ou de intermediação que sua exa pretende
fazer crer. Ele é não só um actor, mas também um motor desta política. E, é-o,
não por estar preso ou subjugado pelo governo ou outros interesses, mas por
convicção profunda.
Por tudo isto, eu nem o chamo palhaço, nem verbo-de-encher e nem o mando
trabalhar. Eu quero mais, muito mais do que palavras para denominar este espécime.
Quero muito mais e não
me fico por meias medidas. Para mim, gente como o sr. cavaco silva, com todo o
seu historial político, só tem um caminho: DEMISSÃO.
Demita-se sr. cavaco silva. Vá lá gozar a sua reforma “pequenina”,
comer bolo rei, dedicar-se ao estudo das influências da senhora de Fátima ou
simplesmente ser um avozinho ou maridinho extremoso da sua insígne e devota
maria. Deixe-nos em paz.
Sr. cavaco silva, deixe-nos viver as nossas vidinhas sem o
sentir, qual abutre a pairar à nossa volta. Já bastam os chacais que nos andam
a comer a pele e os ossos todos os dias.
É que o sr. silva está a aumentar o seu grau de vilanagem
e desfaçatez e eu até gostava que terminasse com um mínimo de dignidade o seu
mandato (isto agora é a minha veia caritativa, tipo isabel jonet), não por ele, mas pela função que ocupa.
Antes eram só os discursos e as declarações infelizes
nos telejornais, e a magistratura encapotada a favor do governo. Agora já
promulga leis a correr, para que o governo consiga prosseguir a sua (do governo e dele) política.
Se não fosse grave (pelo que demonstra dos reais
motivos desta dupla presidente/governo e
pelos efeitos nefastos na economia das famílias e do País), eu diria que
a culpa desta promulgação relâmpago é daquele senhor de Elvas, que mandou o
presidente trabalhar. Azar dos azares, o homem lá se sentiu motivado e quis
mostrar que trabalha.
Brincadeiras à parte, com tudo o que vem acontecendo acho que é altura de nos livrarmos duma vez por todas desta nefasta e criminosa dupla (presidente/governo).
A greve geral (finalmente e felizmente com o apoio das duas centrais sindicais) que aí vem, pode ser um bom momento para mostrar a esta gente que não os queremos lá.
Era bom que com ela, se "matassem (2) dois coelhos com uma cajadada só", ou neste caso, melhor dizendo, um coelho e um cavaco.
Melhor dizendo ainda, demitam-se, não amanhã, nem depois. Demitam-se hoje mesmo.
Melhor ainda que hoje, só mesmo terem-se demitido ontem ou nunca lá terem estado.



