quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Em quem vou eu votar ou em quem gostaria eu de votar? Ou como uma análise do atual panorama político se transformou no meu “manifesto” para quem quiser o meu voto.


 
Com as eleições europeias quase à porta (maio de 2014) e sendo as legislativas em 2015 como tudo indica, para mal ou bem das nossas vidas (dependendo da perspetiva), acordei hoje a pensar nisto.

Sinceramente, podia dar-me para estar virado para outras coisas mais agradáveis. Talvez as prendinhas que vou receber no Natal, ou as festaças que aí vêm, mas não, deu-me para isto (as eleições).

Brincadeiras à parte, para mim e para as minhas intenções de voto, o cenário é desolador.

À direita, estamos conversados. Para aí não vai de certeza o meu voto, nem que me apareçam os pastorinhos com “selfies” da nossa senhora abraçada ao passos coelho e ao portas.

À esquerda, tenho muita pena mas, por agora, conversados estamos. Senão vejamos:
No PS, não posso votar simplesmente porque não sei como se vota num partido que não existe, ou que se eclipsou completamente. Podem argumentar que o partido não é a sua direção, mas isso são simplesmente argumentos, porque ainda no ano passado o dito assumiu o consenso (quanto a mim podre) em volta de seguro. Não estejam à espera que eu vá votar neles, só porque se agarraram a uma estratégia do “vamos ficar quietinhos que o poder vem cair-nos ao colo”. De qualquer forma, é melhor não imaginar a.j. seguro como primeiro ministro. Não me apetece passar a quadra natalícia com pesadelos.

No PC? Sinceramente, apesar de serem o partido que, a par com a CGTP, protagoniza as acções de luta mais eficazes (na esfera partidária), continuam iguais a si próprios. Neste caso, o que me fez não votar neles em eleições anteriores, mantém-se. Não é minha intenção discutir aqui essas razões, porque daria muito pano para mangas, mas poderá ser interessante para outro artigo.

O BE com a sua simpática mas ineficaz liderança bicéfala, convence cada vez menos. A sensação que dá, é dum partido acomodado na sua postura oposicionista, que desistiu de ser ou participar em soluções de poder (ou se calhar nunca quis). Apesar de reivindicativo e de mostrar empenho, não aparece como uma verdadeira força alternativa que possa alterar as fronteiras do chamado arco governativo. Acho que o BE devia olhar para a sua direita e ver a forma aguerrida com que o CDS/PP, apesar de saber que não tem hipótese de ser o partido maioritário, luta para conseguir uma margem eleitoral que lhe permita participar e influenciar soluções governativas com o PSD.

Para além destes atuais protagonistas de esquerda, aparecem agora duas espécies de possíveis alternativas, o LIVRE e o 3D (este fresquíssimo apresentado esta semana).

Quanto ao LIVRE, depois de ouvir as notícias sobre este embrião de partido e de saber que se pretendem situar num espaço entre o PS e o BE, fiquei curioso e quis saber mais. Aquilo que vi no site oficial (ou não vi, talvez mais o que não vi) desencantou-me. Para além das banalidades generalistas, o primeiro comunicado ou documento de reflexão (como lhe chamaram) fala da convergência à esquerda e da necessidade de chamar os outros partidos a uma espécie de plataforma  de esquerda para combater a direita. Apesar de meritório este objetivo, mas que raio de primeiro documento de reflexão é este. Ainda se fosse um segundo ou terceiro, poderia estar de acordo.  Agora como primeiro documento? Se num primeiro documento, não se fala dos nossos objectivos próprios, das nossas soluções/reflexões governativas, em suma daquilo que pretendemos propor aos nossos apoiantes para que confiem em nós quando é que falaremos. Como posso eu cativar alguém se, à primeira vista, simplesmente me ofereço para ser um trampolim para a convergência. Mais vale os eleitores votarem nos outros interessados e esperar que eles se entendam. Não é necessário meter mais uma carta no baralho.

O auto denominado movimento 3D, ao que parece “aparece” com o objetivo de concorrer às europeias, não se assumindo como uma verdadeira alternativa de governo (pelo menos por enquanto). Apesar de contar com um número de estimáveis subscritores, sinceramente preciso de mais do que migalhas. Alguém que aparece e apresenta como objectivo apenas as eleições europeias, sinceramente não me satisfaz.

Depois disto tudo olho para a esquerda e o que fica? Por exclusão de partes, não fica nada, ou seja, a esquerda como verdadeira e consequente alternativa à direita, é um vazio completo.

Pelos vistos, o panorama é este: os partidos de esquerda que já existem, aparecem-me como situacionistas (PC) e acomodados (BE), ou em período de hibernação e com devaneios de centro direita (PS).

Os que desejam aparecer (LIVRE e 3D), logo à partida se mostram destinados a ser inconsequentes e a virem engrossar aquele nicho dos zero vírgula qualquer coisa por cento.

Depois de tudo isto, desisto de pensar em quem vou votar. Prefiro ser consequente e pensar em quem gostaria de votar:

1 – Num partido ou programa ideologicamente situado entre o PS e o Bloco de Esquerda.

2- Num partido ou programa que apostasse no crescimento económico, revitalizando de forma controlada o consumo privado e apostando em cortes de despesa que não passassem, por exemplo por cortes de salários ou de pensões e apostasse numa efetiva redução do peso do estado.

3 – Num partido ou programa que defendesse a manutenção debaixo da esfera exclusivamente pública tanto do SNS como da Educação, apostando sempre na qualidade dos seus serviços e da sua gestão. Naturalmente que o privado pode continuar a existir sem qualquer problema, mas quem quiser a ele aceder pagará os seus custos efetivos, sem qualquer participação do estado. Ou seja, nada de parcerias público privadas ou de cheques ensino. As existentes são para terminar (imediatamente as ruinosas e com o tempo as outras).

4 - Num partido ou programa que apostasse numa efetiva solução para os setores estratégicos ligados à energia, aos transportes, etc. seja alienando, mantendo ou fazendo-os retornar na medida do possível e analisando caso a caso, para a alçada do estado. Isto sempre tendo em conta uma verdadeira visão estratégica, prevendo mecanismos eficazes de controlo e supervisão e que prevenisse os desperdícios, abusos e outras matérias inconfessáveis.

5- Num partido que apostasse numa efetiva reforma da Justiça, com soluções concretas para os atuais problemas.

6 – Num partido que apostasse em tetos para a despesa e para a dívida, sem ter qualquer problema em colocar isso na Constituição ou nas chamadas "regras de ouro" (aprovadas ou alteradas por maiorias de dois terços).

7- Num partido  que apostasse na introdução das "regras de ouro" em setores como a Justiça (precisamente para que a sua reforma seja consensual e dure por muitos anos), como a Educação, a Saúde, etc. (exatamente pelos mesmos motivos).

8 – Num partido que apostasse numa verdadeira política de Solidariedade Social e não de caridade social, em que a dignidade humana seria sempre o ponto inicial e final de todas as questões. Aqui também se aplicaria a introdução das “regras de ouro”.

9 – Num partido ou programa que assumisse os direitos das chamadas “minorias” como direitos inalienáveis e em que o direito à Liberdade Individual de cada Cidadão (seja qual for a sua opção política, religiosa, sexual,etc.) fosse um dado adquirido, mantendo e ampliando, onde necessário, os já existentes. Incluo, por exemplo, nos direitos individuais a eutanásia, a livre interrupção da gravidez,   a adoção por casais homossexuais em igualdade de direitos com os heterossexuais, etc.. Incluo também o respeito e a dignificação das comunidades imigrantes (exatamente como gostaríamos que os nossos emigrantes fossem tratados no exterior).
 
10 - Falando em direitos, promovendo a legislação necessária e aplicando-a efetivamente na proteção dos animais, incluindo a proibição de qualquer atitude ou atividade (tradicional ou  não) que lhes provoque sofrimento. Falo muito concretamente, por exemplo,  das touradas e da utilização de animais em circos.

11 – Num partido que assumisse a defesa e o respeito efetivos e consequentes pela Constituição Portuguesa.

12 – Num partido que assumisse perante as instituições internacionais uma postura reivindicativa mas responsável (sem as tretas do não pagamos ou, em sentido contrário,  o choradinho do nós somos pequeninos e eles é que mandam).

E poderia continuar por aí além…mas para reflexão basta.

Se alguém ler este artigo e quiser o meu voto já sabe, proponha isto tudo e…convença-me que quando lá estiver vai cumprir.

2 comentários:

Unknown disse...

Porque não crias esse partido?

Unknown disse...

quem sabe esse não venha a ser um caminho. se existirem interessados com empenho e motivaçãoque comunguem destas ideias/reflexões, porque não?