terça-feira, 23 de abril de 2013

Grupo de socialistas escreve carta-aberta a António José Seguro...




Mais uma carta. Mas que raio se passa com estes políticos que agora só sabem escrever cartas.
São cartas do Seguro para todo o lado, são cartas do Passos Coelho ao Seguro, são cartas de…. sei lá mais quantas cartas andarão por aí.

Agora aparece esta “carta-aberta a A.J. Seguro” onde alegadamente “ mais de 50, entre eles os "costistas" João Tiago Silveira, Ana Catarina Mendes, Fernando Rocha Andrade e Duarte Cordeiro, a quererem que o próximo líder socialista seja escolhido em eleições diretas abertas a não militantes.”

Temos então que um “grupo de destacados socialistas próximos de António Costa, insatisfeito com o rumo das coisas no partido, decidiu "fazer alguma coisa" para pôr travão à crescente falta de confiança dos cidadãos nos partidos”.
Segundo a notícia, a carta estaria cheia de propostas “arrojadas” que resultaram de “dois meses a partir pedra” ou seja de intenso trabalho. Ao ler mais em pormenor fiquei a saber que, de tanta pedra partirem, estes destacados militantes chegaram a seis brilhantes propostas concretas que, no essencial, após páginas e páginas de paleio, são as seguintes:

1) eleições primárias abertas a simpatizantes na eleição para secretário-geral do PS;
2) possibilidade de referendos vinculativos para decidir sobre as posições do partido;
3) inclusão de independentes/simpatizantes na Comissão Nacional e na Comissão Política;
4) criação de um direito de petição para os militantes do PS e cidadãos poderem apresentar propostas ao Congresso;
5) criação de um processo participativo aberto a todos os cidadãos para apresentação e votação de propostas através da internet, com vista à sua inclusão nos programas eleitorais do PS;

6) apresentação das medidas concretas dos programas eleitorais acompanhadas de um calendário de execução e de uma estimativa de impacto económico-financeiro e seu financiamento.

Confesso que ,após o meu enfado inicial (mais propriamente enjoo) por ver a notícia de mais uma carta aberta, resolvi ler a notícia e tentar saber que importantes medidas concretas saíram de tão brilhantes cabeças. A minha curiosidade adensou-se quando li que os mentores e subscritores desta carta eram destacados “costistas”. Olhando para os meus botões e, tendo em conta as minhas vagas esperanças de que alguém ainda consiga mandar o Exmo Seguro à vida e mudar nem que seja um pouquinho esta entediante e inócua oposição, pensei que provavelmente estaria aqui uma forma de os apoiantes de António Costa tentarem uma última cartada.
Mas, ao ler as seis propostas concretas (tive o cuidado de ler a carta na integra em http://issuu.com/mais.participacao.melhor.ps/docs/carta_aberta, e a notícia faz um resumo, quanto a mim, correcto) , dei comigo a olhar outra vez para os meus botões e pensar no que levará tanta gente a estar dois meses a olhar para o umbigo e vir, todo feliz e ufano, escrever cartas e vangloriar-se sobre esse verdadeiro exercício narcisista?

Sinceramente, estiveram dois meses a "partir pedra" para chegar a estas seis míseras propostas concretas? Aqui ocorre-me o seguinte: ou andam a gozar com o pessoal, ou acham-nos a todos tolos, ou andarão eles próprios lá muito perto.
Dois meses!!! se houvesse aqui alguma novidade, ou se tivessem descoberto a roda, ainda daria de barato. Mas seis propostas numa carta que não passa de um conjunto de clichés, em que se diz que se pretende acabar com o divórcio entre a sociedade e os partidos? Podem chamar-me má língua, mas um qualquer comentador mediano faria isso numa manhã.

Que aproximação poderá ter um partido à sociedade, que soluções milagrosas poderá propor, quando vem clamar aplausos por ter juntado, durante dois meses, cerca de cinquenta destacados militantes, para fazer um trabalho que uma pessoa faria numa manhã? Se levássemos uma coisa destas para o mundo real (para uma empresa, por exemplo), das duas uma, ou a empresa falia ou estas cinquenta pessoas iam direitinhas para a rua.
Para além disto tudo, em que país ou galáxia vive esta gente que, em tempos como os que correm, em que é urgente derrotar este tipo de política e de governo, vêm dizer ao mundo que estiveram dois meses a ver como vão alterar os estatutos do seu querido e amado PS? Que urgência em debater precisamente neste próximo Congresso questões que só terão efeito, a crer nos subscritores, a partir das próximas eleições legislativas? Isto porque, se o actual secretário-geral é o candidato do P.S. a próximo primeiro ministro (como dizem), só depois destas, a mudança de estatutos terá efeitos práticos.

Não me alongando mais sobre as razões e os autores de tão diligente trabalho, o que pensaremos nós de alguém que quer colocar como questão principal dum congresso os estatutos de um partido, quando o País se encontra na situação que todos conhecemos?
Assim como Passos Coelho fica todo contente com as cartas de Seguro à Europa, que são uma óptima propaganda ao serviço do governo, Seguro também deve estar todo feliz porque o próximo congresso em vez de debater a sua liderança ou a sua estratégia política, vai estar ocupado como seu “umbigo” partidário.

No fim disto tudo, ocorrem-me várias coisas:
- Quando o país precisa de alternativas reais e concretas a este governo, aparece-nos uma mão cheia de militantes destacados do principal partido da oposição, a olharem para o “umbigo” como forma de abrir o seu partido à sociedade.

- Quando critico A.J. Seguro pela posição incipiente e inócua que faz ao Gpverno, aparece-nos uma aparente oposição a Seguro, também a actuar de forma inócua e incipiente;
- Quando, apesar de tudo, esperamos que o próximo congresso do PS possa trazer alguma  perspectiva de debate sobre estratégias concretas para o País, começamos a ter a sensação de que  o que se vai discutir lá são uma série de "balelas" partidárias, sem nexo nos tempos que correm.

Continua a ser para mim um mistério o motivo pelo qual António Costa não avançou para a liderança do partido. No entanto, começo a ter algumas luzes e nenhuma delas me agrada:
- Ou António Costa subscreve na integra este tipo de estratégias e então estamos conversados. Por mim pode lá ficar o Seguro.  

-Ou António Costa sabe que só pode contar com este tipo de destacados “costistas” e, por isso, não avançou. Neste caso, eu faria o mesmo.

Uma coisa é certa. Com este governo, com este presidente, com este p.s. e com esta oposição dentro do p.s., a sensação com que fico, com o devido respeito, é a de que estamos entregues à “bicharada” (faço notar que a falta de maiúsculas nesta frase é propositada).

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Carlos Silva: “A UGT só representa os trabalhadores”. Quem diria...








Um discurso interessante. Basta olhar para o título e sub-título do artigo do DN:
Carlos Silva: “A UGT só representa os trabalhadores”
No primeiro discurso enquanto secretário-geral, Carlos Silva deixou claro que o superior interesse nacional é estar “sempre” ao lado dos trabalhadores."

 Afinal ,a UGT tem como superior interesse estar ao lado dos trabalhadores. Ou sou muito distraído, ou então isto é novidade (pelo menos nos últimos tempos).

É incrível como o primeiro discurso do novo secretário geral da UGT, tem como objectivo vir dizer ao comum dos mortais que a UGT é uma central sindical. Claro que como qualquer sindicato ou central sindical “o superior interesse é estar “sempre” ao lado dos trabalhadores”. Quando, um novo dirigente de uma qualquer organização sente a necessidade de afirmar a sua razão de existência, é sinal que pelo menos algumas dúvidas existem quanto à forma como essa organização tem feito o seu percurso.

De facto, a era “proencista”, pelo menos nesta última fase, tem sido pautada por uma série de “cheques em branco” ao governo, que não lembrariam nem sequer às associações patronais.

Com disse muito bem dito Carlos Silva, uma central sindical serve para defender os trabalhadores, e não para ser uma espécie de arauto da concertação social. A história recorrente  protagonizada por esta UGT, tem sido o desconcertante e extremamente nefasto “aceitámos este porque podia ser pior”.

Aliás, o que notámos nas reacções dos diversos quadrantes quanto à era que agora termina (ou que espero que termine), foi o elogio  quase unânime a João Proença vindo de (“pasme-se” ou não) quadrantes que apoiam o governo, oposicionistas da ala “seguro” e das associações patronais. Dos trabalhadores… não tenho ouvido nenhuns (tirando naturalmente as declarações de circunstância no congresso).

Este discurso de Carlos Silva, personagem que eu não conheço, pode também ser uma daquelas espécies de discursos de afirmação pessoal, para marcar o inicio de mandato. Se for isto, continuará tudo na mesma, ou seja, um Seguro “inseguro”, um Carlos Silva “proencista” e um presidente “envergonhante” (onde raio terá ido aquele homem  desencantar esta palavra).

Se não for este o caso e estas forem declarações genuínas de alguém que quer mesmo fazer a diferença e começar a lutar verdadeiramente pelos “superiores interesses dos trabalhadores”, então a UGT voltará a ser uma central sindical e aí os pratos de uma verdadeira concertação social poderão começar a ficar um pouco mais equilibrados.

Convém esclarecer a "proencistas" e outros que tais, que concertação social não é assinar acordos independentemente do que possa estar lá escrito, ou assinar acordos porque senão pode ser muito pior.

Convém também esclarecer que, em sede de concertação social, compete às associações patronais defender os seus direitos e às centrais sindicais os seus, estando o governo como parte interessada defendendo os interesses do estado no seu todo, servindo ao mesmo tempo de gerador de consensos.

Neste caso o que temos tido é precisamente o contrário do que refiro aqui.  Temos um Governo a defender a sua visão ideológico-contabilística, as associações patronais a defender os seus interesses (que praticamente não têm sido beliscados) e a UGT  a ir cedendo, cedendo e cedendo, em nome de vai-se lá saber o quê.

Carlos Silva, depois de um discurso em que também foram feitos novos avisos ao governo, tem porventura condições de se demarcar do caminho seguido por João Proença, que não deixa saudades a ninguém. Corrijo a minha imprecisão, João Proença não deixa saudades a nenhum trabalhador. Pelos vistos vai deixar muitas do lado das associações patronais, do governo e ao “envergonhante” presidente.
 
Talvez não possa dizer o mesmo de Seguro. O ar muito sorridente e até entusiasmado com que assistiu Seguro assistiu à posse de Carlos Silva, não é para mim uma boa referência. Espero enganar-me e que, apesar da amizade que parece que os une, os seus caminhos e as formas de os trilhar sejam muito diferentes.
 
Para finalizar e, por via das dúvidas, quero dizer a Carlos Silva que não basta só estar ao lado dos trabalhadores (isso também Proença provavelmente estaria), uma Central Sindical tem como obrigação única, lutar pelos direitos dos trabalhadores.
 

Ou como escreveu Daniel Oliveira no seu artigo no “Expresso”: "E se a UGT se transformasse numa central sindical?” (ver em: http://expresso.sapo.pt/e-se-a-ugt-se-transformasse-numa-central-sindical=f801952#ixzz2RC4XX33Y)

Olhem que era uma perspectiva muito interessante. Finalmente a UGT ser uma Central Sindical. Espero que não seja preciso mudar os estatutos para que isso aconteça.

P.S.: Se, de facto, Carlos Silva enveredar por um novo caminho de luta pelos direitos dos trabalhadores, já agora era bom que Seguro fosse fazer umas feriazinhas e o PS tivesse um novo Secretário-Geral. O congresso vem aí, ainda vão a tempo. Talvez alguém possa dar uma palavrinha a António Costa.
 

terça-feira, 16 de abril de 2013

Fenprof admite greve aos exames, "pelo tempo" que os professores aguentarem.


 



 
A Educação neste País vai de mal a pior. Apesar das melhorias verificadas ao nível da educação dos Portugueses nos últimos trinta e tal anos, basta ler as estatísticas publicadas a semana passada para perceber que muito há ainda a fazer.

No entanto, nos últimos anos tem vindo a ser constante o ataque ao sistema educativo e aos seus vários intervenientes. Nas ditaduras, umas das primeiras coisas que se ataca é o sistema educativo porque, como rezam os cânones, quanto mais ignorante um povo mais aberto a populismos e a formas de governo autocráticas. Será esta a intenção? Reduzir os níveis culturais da população, de forma a calar a sua contestação e aumentar a sua submissão? Acredito que as intenções não sejam essas, mas lá que parece, isso parece. Sejam quais forem as intenções (ideológicas ou contabilísticas), os ataques são reais.

A continua degradação do sistema económico a nível nacional tem também, a este nível, tomado uma particular importância, tanto pela degradação das condições socio-económicas das famílias (com as devidas repercussões nos alunos) como pela degradação das condições de funcionamento das próprias escolas. A juntar a isto temos também o ataque sistemático aos professores que para além da redução de vagas e de rendimentos (isto já desde o governo de Sócrates), têm pendentes novas/velhas ameaças de despedimentos.

A juntar a esta situação, temos um ministro (com letra pequena, naturalmente) que se revelou talvez o maior problema dos últimos anos, com uma visão de contabilidade de “vão de escada” cujos resultados irão repercutir-se por muitos anos. Resultados nefastos, infelizmente.

Mas voltando aos Professores e ao sistema educativo e à luta que um pouco por todo o lado tem vindo a acontecer (incluindo-se aqui os alunos e os funcionários das escolas), verifica-se um extremar de posições como tentativa última para tentar vencer estes “energúmenos” que nos (des)governam.

Este extremar de posições, é quanto a mim uma resposta necessária e urgente, porque depois de tudo o que tem acontecido e de tudo o que está previsto é tempo de dizer “basta”. Se calhar numa lógica "à Seguro” ou "à Proença” poderíam ir escrevendo cartas ou ameaçando rasgar acordos. Mas, numa lógica de pessoas "normais" que querem lutar pelos seus direitos  continuamente massacrados, o momento é “agora” e a luta deve assumir as proporções necessárias (proporções democráticas, claro).

Há quanto a mim um senão que tenho vindo a notar ao longo deste tempo. O ataque ao sistema de ensino e aos seus intervenientes tem vindo a ser feito e, pela sua interligação ou interdependência, todos têm vindo a ser afectados. No entanto, as várias jornadas de luta têm, em regra, sido sectoriais não deixando transparecer a união que a situação exige.

Então porque não sentarem-se todos à mesa e tomarem medidas urgentes de luta que juntem todos numa jornada só. Quando falo em todos, refiro-me a professores e funcionários e respectivos sindicatos, alunos, pais e encarregados de educação e respectivas associações, etc.

Quando um ataque contínuo e constante é feito a todos indiscriminadamente, então, quanto a mim a lógica é que, em conjunto, todos defendam os seus direitos. Talvez seja necessário apelar a  consensos entre os intervenientes, mas o resultado será sem dúvida melhor que lutar cada um por si.

O que estes anos têm mostrado da parte deste governo, é uma profunda insensibilidade social e uma visão profundamente “merkeliano-gasparista” (merkeliana primeiro, porque o nome do “dono” aparece sempre à frente) reflectida na tal teimosia  da austeridade “custe o que custar”. Desta forma, a única hipótese de fazer mudar esta “teimosia“ é a união de forças que os obrigue a negociar. De outra forma será mais do mesmo, ou seja este governo terá “um passeio tranquilo pelas ruas de Paris e uma marcha vitoriosa junto ao Arco do Triunfo” (quem foi que fez isto?).

Aquilo que leio na notícia de hoje aponta para uma luta sectorial, em que apesar do visado ser o governo, os prejudicados serão os alunos. E ainda mais prejudicados serão quando, numa altura crucial como a dos exames, se virem metidos no meio desta "batalha".

O bom senso diz-me que as formas de luta a encontrar, para terem sucesso, terão de reunir o consenso e o apoio da opinião pública. Ora, com medidas destas (greves aos exames), apesar de legítimas, os Professores apenas vão conseguir dividir ainda mais as opiniões e juntar contra si os alunos e os respectivos pais e encarregados de educação. Com isto, estarão apenas a fazer o jogo do governo que tem no “dividir para reinar” uma das suas principais divisas.

Posto isto, é fundamental que os Professores e respectivos sindicatos se sentem à mesa com os outros intervenientes (alunos, pais e encarregados de educação e funcionários) e arranjem formas de luta comuns que obriguem o governo a parar e negociar.

Sem este consenso, temo que vai acontecer outra vez e, mais uma vez, o mesmo. Manifestações e greves, que reafirmo, apesar de legítimas, serão no essencial, inconsequentes. Mas, neste caso, as greves aos exames, serão pior que inconsequentes porque, para além de não obterem resultados, irão prejudicar uma das partes (alunos), talvez a mais fraca e a que seguramente não tem qualquer culpa do estado actual do País.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Parece que a democracia voltou....

O chumbo do constitucional. Não vou fazer grandes comentários....  mas neste momento a primeira reacção é a sensação de ter voltado a viver num país democrático.

Vou esperar para ver....

Como, infelizmente, já não me considero um grande optimista (tendo em conta os "artistas" que nos governam) fico à espera de ver por onde é que eles vão atacar agora. Talvez uma nova taxa ou um aumento de impostos ou, pura e simplesmente, um saque descarado num qualquer rendimento que este "paciente" zé povinho possa ter...

Como também já não sou um grande optimista relativamente a estas oposições que temos (especificamente "seguros e companhia", mais aqueles grandes sindicalistas "proencistas"), sei que no caso de um novo contra ataque do Governo, vou ter um Seguro a ameaçar que vai escrever à Merkel e à troika e um Proença a ameaçar pela décima milionésima vez que vai denunciar o acordo de concertação social. Naturalmente que estes dois grandes "fadistas" terão acompanhamento, não à guitarra nem à viola.... mas sim dum desafinado "cavaquinho" vindo lá dos lados de Belém.

Como estou "bem" entregue, sei bem que não vale a pena estar a contar com subsídios devolvidos ou com a reposição dos meus direitos. Eles vão desaparecer de alguma maneira.

De qualquer forma, pelo menos hoje quero recostar-me e pensar que, apesar de tudo, ainda vivo num país democrático.

Até quando? Logo se verá.... mas hoje, nem que seja só hoje, quero dormir descansado.