sexta-feira, 4 de abril de 2014

Promessa de Seguro de acabar com os sem-abrigo em 4 anos é irresponsabilidade? Será irresponsabilidade ou simplesmente mais um mentiroso que entra na via do populismo fácil?





Irresponsabilidade ou simplesmente mais um mentiroso que entra na via do populismo fácil? É uma boa questão para a qual eu tenho uma resposta visto que, infelizmente, os tempos têm-me ensinado que se calhar é mesmo mais um mentiroso.
 
De qualquer forma mesmo que seja "só" irresponsabilidade, olhem bem para o candidato a primeiro-ministro que nos aparece.

Como é que é possível alguém prometer que erradica os sem abrigos numa legislatura, principalmente num País com a nossa situação socio-económica?

Ou é mentiroso ou então é um completo ignorante, porque erradicar este flagelo social não é algo que se defina por decreto ou de forma coerciva.

Segundo as últimas estatísticas existem cerca de 5 mil sem abrigo em Portugal e muitos mais em risco de virem a cair nessa situação.

Este senhor, se pensar bem verá que esta é uma batalha em 3 frentes, das quais a primeira é sem dúvida a prevenção e esta só se consegue melhorando as condições socio-económicas do País, diminuindo o desemprego, etc.etc.

A segunda é talvez a mais “fácil”, que é a de dar apoio e um abrigo a quem está nessa situação.

A terceira com um grau de dificuldade semelhante à primeira é o acompanhamento e inserção social de forma sustentada das pessoas que são retiradas da rua, de forma a não voltarem atrás.

Uma coisa é certa, sem a primeira e a terceira frente resolvidas, nunca será possível acabar com as pessoas que estão nessa situação.

Se A.J. Seguro se referia apenas a uma sopinha e a um quartinho pensando nos cinco mil que agora andam na rua, tinha obrigação de pensar que todos os dias existem novas pessoas a cair nessa situação. É que mesmo que fosse só a sopinha e um quartinho quero ver onde é que A.J. Seguro iria buscar dinheiro suficiente, visto que existem outros problemas que já colocam as Misericórdias e todas as instituições de apoio social com a corda ao pescoço.

O homem que dizia que não prometia nada que não pudesse cumprir aparece com esta autêntica dádiva do céu, prometendo mundos e fundos consoante o freguês.

Ao menos se quer ser mentiroso, faça-o com inteligência e não nos tome por parvos.

Estou a lembrar-me das famosas mentiras de Passos Coelho. Embora ignóbeis ao menos o homem mentia (e mente) com convicção e, para quem o ouvia tinha uma imagem credível (tanto que ganhou as eleições).

Lembro-me também do nosso famoso e lendário Sócrates, que mesmo que todos nós soubéssemos que estava a dizer a sua mentirinha, ainda assim conseguia (e ainda consegue) cativar muita gente.

Isto para já não falar no nosso “irrevogável” Portas, e outros mais distantes no tempo. Infelizmente para nós, lembrarmo-nos dos mentirosos é fácil, difícil mesmo é descobrir um nome de alguém que fale ou tenha falado a verdade.

Vá lá “caríssimo” Seguro, aprenda ao menos a ser um bocadinho inteligente. V. Exa até já tem um arzinho de “rato de biblioteca” (para além do ar de “beato ofendido”, naturalmente), por isso, não deve ser difícil dar também umas mentirinhas mais credíveis.

O pior disto tudo é que, ao que tudo indica, nas próximas eleições legislativas iremos ter um de dois vencedores: ou o nosso já conhecido Coelho ou o também cada vez mais nosso conhecido Seguro.

Perante isto, venha o diabo e escolha. Eu, uma coisa garanto, de certeza que não escolherei nenhum deles.

De qualquer forma, se Seguro ganhar e cumprir esta promessa, cá estarei eu em 2019 para lhe tirar o chapéu e, naturalmente, votar nele. Esta também é uma promessa minha que aqui fica.



quinta-feira, 3 de abril de 2014

É tão parvinha a menina Isabel Jonet



"As redes sociais são os piores inimigos dos desempregados, que passam demasiado tempo agarrados ao Facebook e vivem uma vida que é uma total ilusão".
Isabel Jonet Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome à Rádio Renascença

É tão parvinha a menina Jonet.

Custa-me sempre comentar a estupidez humana, porque não há justificações racionais para palermices deste género.

Então agora os desempregados irresponsáveis e, de certeza, culpados por estarem nessa situação, em vez de andarem a procurar emprego, passam a vida no Facebook, aproveitando-se da boa fé do Estado, que todos os meses lhes põe um chorudo subsídio de desemprego na conta bancária.

Como é que é possível (já não digo ser tão burrinha, porque isso denegria todas as quadrúpedes que dão por esse nome), ser tão insensível em relação a seres humanos que estão numa situação de sofimento terrível.

Já há tempos esta verdadeira invertebrada veio mandar bocas relativamente aos pobrezinhos e à sua constante obsessão por comer bifes todos os dias.

Claro que só uma mente tortuosa como a minha vê mal nas palavras desta autêntica aberração.

Eu sei que estou a ser injusto porque, como todos nós sabemos, o Reino dos Céus está vedado a todos os pobrezinhos ambiciosos e a todos os desempregados que andam nas redes sociais, daí a preocupação desta verdadeira “senhora”.

Aliás, essas preocupações estão bem expressas nas palavras ditas por S.Exa:

“Se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias. E esse empobrecimento é porque comemos bifes todos os dias e achávamos que podíamos comer bifes todos os dias e não podemos”.

“….quem não tem trabalho e fica “dias e dias inteiros agarrado ao Facebook, ou a jogos ou a falsos amigos que não existem”, vivendo “uma vida que é uma total ilusão”, quando podia participar em acções de voluntariado que lhe aumentassem as chances de arranjar emprego. Nas redes sociais, observou a mesma responsável, os desempregados caem no engano de pensar que estão a trabalhar, “por estarem agarrados ao computador”.
 
 
Vá lá pobrezinhos, levantem-se desses sofás, desliguem o Facebook, façam uma merendinha de pão seco e uma garrafinha de água (da torneira) e vão até ao Banco Alimentar oferecer-se para serem voluntários. No prazo de uma semana esta verdadeira Fada, arranja-lhes de certeza um bom emprego para deixarem de ser pobrezinhos e poderem depois então começar a comer bifes.

“Vá-se catar, minha senhora”, é só o que tenho para dizer.

Quanto ao Banco Alimentar, já o disse em 2012 e repito agora. Enquanto esta personagem estiver a gerir os destinos desta instituição, nem mais um cêntimo sai do meu bolso. Desde 2012 que é isto que eu faço, apesar de ter todo o respeito pelos voluntários e voluntárias que todos os dias dão o melhor de si.

É precisamente por causa destas centenas ou milhares de voluntários e das pessoas a quem a sua ação se destina, que digo que o Banco Alimentar não merece gente como esta Jonet.

Fechar os olhos, não é a solução. Até porque este tipo de palavras não é inócuo, porque denigre e humilha quem passa por situações indiscritíveis. Gente como esta Jonet devia, precisamente por viver numa situação privilegiada, utilizar a sua exposição mediática para incentivar, acarinhar e apoiar.

Mas não, no léxico desta gente não existe a palavra SOLIDARIEDADE. Apenas existe uma coisa chamada caridade. Traduzindo por miúdos, são tão bons os elegantes chás de caridade (um verdadeiro "must" social) frequentados por todas as "senhoras bem", em que se angaria umas coroas para os pobrezinhos (claro está, desde que nenhum desses pobrezinhos lá apareça).

É gentalha como esta, que pulula por todo o tipo de instituições (sociais, políticas, etc), que quer a toda a força tornar culpado quem apenas deseja para si a para os seus uma vida melhor.
 
Andamos todos muito ocupados a querer deitar o Governo abaixo (e bem) e esquecemos que são mentalidades como a desta gente que fazem com que o Governo atue da forma que tem atuado.
 
Que chatice ter existido o 25 de Abril. Antes os pobrezinhos eram pobrezinhos e agradeciam às senhoras e às madrinhas por ficarem com as filhas em casa (como criadas, claro) e os filhos irem trabalhar para as fábricas ou para as terras dos senhores seus maridos. E as senhoras eram tão boas que quando os filhos dos pobrezinhos (por acaso) faziam a quarta classe até lhes davam umas roupinhas velhas que já não usavam. E assim por diante ....