Uruguai torna-se no primeiro país do mundo a legalizar comércio de marijuana.
Com o falhanço de todas as vias repressivas seguidas no mundo inteiro, sendo a América Latina um dos pontos em que o flagelo do narcotráfico mais vítimas causa, é de saudar esta decisão, que abre uma outra via ao combate a esse mesmo narcotráfico.
A opção pela regulamentação e venda legal de forma controlada e a preços competitivos, vem à partida tirar espaço de manobra ao comércio ilegal. Não sei se será a melhor solução, mas pelo menos abre outra porta de saída para um problema de proporções incontroláveis.
Como em tudo na vida, a defesa de dogmas completamente ultrapassados pela realidade dos nossos dias, é oferecer de bandeja ao "inimigo" o controlo da situação. O que quero dizer com isto é que, defender a via puramente repressiva (que, friso, redundou num rotundo falhanço) é, quanto a mim, defender a manutenção do actual status quo, com os grandes carteis da droga a expandirem quase impunemente os seus negócios.
Esta decisão, inteligente, revela uma enorme coragem, porque tem contra ela todas as instâncias internacionais, é ainda mais importante porque parte dum País latino americano e mais ainda sendo uma zona de enorme influência das agencias de combate ao narcotrafico dos Estados Unidos (um dos países ocidentais mais repressivos neste domínio e, ao mesmo tempo, um dos países em que a luta anti-droga mais tem falhado).
Será que isto vem alterar ou melhorar alguma coisa? Naturalmente, não tenho certezas porque dogmas antigos não se combatem com novos dogmas, mas sim com análises racionais.
Tendo dito isto, acredito que esta é a melhor via para a resolução do problema.
E, se dúvidas houverem basta olhar para o passado e temos exemplos como a lei seca nos Estados Unidos que abriu a porta aos grandes grupos de gangsters que dominavam o trafico do alcool, com todo o problema de criminalidade organizada envolvido.
Para além disso, uma realidade não menos importante, é a subjugação de todos aqueles que, pelos mais variados motivos, são consumdores deste tipo de produtos.
Um mercado de venda legal e controlado permite que um consumidor, ao invés do que se passa actualmente, possa adquirir o produto sem ter que sujeitar-se a ter de "conviver" e negociar com os chamados "dealers", porta aberta para a entrada no sub-mundo e para "passagens" para drogas mais duras.
Termino, saudando o Uruguai e a decisão democrática (tomada pelo Parlamento) desejando o maior sucesso na implementação desta medida.
Ao mesmo tempo, permito-me também desejar que outros países queiram e/ou possam, pelo menos, estar abertos a estudar esta medida e a analisar os seus resultados.

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