"O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém."
Luís Menezes Leitão, no ‘i’
Ao ler o artigo de Luis Menezes Leitão, no Jornal
i, devo dizer que não poderia estar mais de acordo com ele.
O que se passou e continua a passar, após a
comunicação do presidente da república, foi e está a ser um espectáculo
degradante, reflexo do estado a que grande parte da nossa elite política
chegou.
O que os dirigentes partidários dos três partidos
do chamado “arco da governação” estão a fazer não tem paralelo na história da
nossa democracia, fazendo-nos assistir a um execrável “show” de subserviência e
sabujice política perante o presidente, principalmente em matérias que são, na
sua essência, de âmbito parlamentar.
No fundo só dão razão a quem critica as actuais
direcções partidárias de estarem pejadas de “jotas”, que no seu carreirismo
político só sabem assumir posições deste género, em que a hipocrisia, a
subserviência e sujeição à lógica aparelhística partidária são a sua componente
dominante.
Pelos vistos, como bons “jotinhas” que são, a sua
fase de crescimento intelectual estagnou nos tempos de escola, quando os
meninos se zangavam e depois levavam raspanetes dos professores, que os
mandavam para o castigo até fazerem as pazes.
Se pensarmos bem no que está a acontecer, foi isto
mesmo que aconteceu aos dois “jotinhas”, o do psd e o do ps, respectivamente o
menino coelho e o menino seguro, que com o seu percurso político dentro do
aparelho e a sua mentalidade de “meninos de escola”, são o melhor que poderia acontecer
ao “sabido” professor aníbal.
Naturalmente, neste universo “jotinha”, não entra o
menino paulinho que faz parte daquele grupo de alunos “repetentes profissionais”,
que como bom “salta-pocinhas” desestabilizador que se preze, está metido em
tudo o que é marosca ou trapalhada que aconteça na escola.
Já agora pergunto: se assistimos a esta postura por
parte dos três “meninos”, quando estão perante o professor aníbal, o que será
que acontece quando são chamados à directora merkel?
Se agora
baixam as orelhas e vão direitinhos para o castigo até fazerem as pazes,
imagino que perante a sra directora merkel devem borrar-se todos.
Quanto à “salvação nacional”, é com estes anjinhos
que o sr professor aníbal quer salvar a escolinha? Acho que por aqui estamos
conversados. Nesta escolinha cavaquista, se calhar aqui é que dava jeito o
ministro crato, que mandava o professor aníbal para a mobilidade especial e, à
boa maneira antiga, chumbava irremediavelmente os três meninos.
Falando muito a sério, convém lembrar a toda esta
gente e a todos aqueles que aplaudem neste momento a iniciativa presidencial (a
que eu chamo trapalhada presidencial), que os poderes presidenciais e os
poderes da assembleia e do governo estão perfeitamente definidos e o respeito
institucional e respectiva separação de poderes tem duplo sentido, isto é, não
compete só ao parlamento e ao governo respeitar a figura e os poderes
presidenciais. Esse respeito deve ser mútuo, sob pena de subversão do regime
constitucional vigente.
Por maior apego ao poder que este governo possa
ter, nunca deveria ter aceite este raspanete e muito menos a chantagem do “ou
se entendem ou demito-os”, como se este fosse um regime presidencialista em que
o presidente põe e dispõe a seu bel prazer.
Ao mesmo tempo, por maior vontade de chegar ao
poder que o líder do maior partido da oposição possa ter, deveria ter levantado
a sua voz e recusado não só esta ingerência da presidência da república em
matérias que à assembleia dizem respeito, como também a chantagem explícita no
discurso do presidente.
Convém lembrar que a dignidade e a vitalidade do
nosso sistema democrático dependem da dignidade e vitalidade das suas instituições
mais representativas. Como podemos constatar, isto está muito longe de
acontecer, se olharmos para o espectáculo deplorável que nos proporcionam os diversos
actores, seja na presidência da república, no governo ou mesmo no parlamento.
E é bom que todos estejamos conscientes que por mais raspanetes ou
reguadas que os actuais dirigentes políticos possam merecer, os fundamentos do
Estado Democrático devem prevalecer. Como tal, disse e muito bem, Luís Menezes
Leitão:
"Ao aceitarem submeter-se a este ultimato, os líderes partidários
prestaram um mau serviço à democracia, que fica em risco com essa sua
menorização. O país precisa do confronto democrático, não de partidos que
aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém (1). E, como se
viu pela imediata subida dos juros, nem os sacrossantos mercados acreditam
neste devaneio do Presidente.”
NOTA: (1) a esta frase só acrescentaria, num contexto mais geral, que não
queremos partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de
quem quer que seja.

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