quarta-feira, 17 de julho de 2013

"O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém."


 
 
 
 
"O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém."
Luís Menezes Leitão, no ‘i’

 
Ao ler o artigo de Luis Menezes Leitão, no Jornal i, devo dizer que não poderia estar mais de acordo com ele.

O que se passou e continua a passar, após a comunicação do presidente da república, foi e está a ser um espectáculo degradante, reflexo do estado a que grande parte da nossa elite política chegou.

O que os dirigentes partidários dos três partidos do chamado “arco da governação” estão a fazer não tem paralelo na história da nossa democracia, fazendo-nos assistir a um execrável “show” de subserviência e sabujice política perante o presidente, principalmente em matérias que são, na sua essência, de âmbito parlamentar.

No fundo só dão razão a quem critica as actuais direcções partidárias de estarem pejadas de “jotas”, que no seu carreirismo político só sabem assumir posições deste género, em que a hipocrisia, a subserviência e sujeição à lógica aparelhística partidária são a sua componente dominante.

Pelos vistos, como bons “jotinhas” que são, a sua fase de crescimento intelectual estagnou nos tempos de escola, quando os meninos se zangavam e depois levavam raspanetes dos professores, que os mandavam para o castigo até fazerem as pazes.

Se pensarmos bem no que está a acontecer, foi isto mesmo que aconteceu aos dois “jotinhas”, o do psd e o do ps, respectivamente o menino coelho e o menino seguro, que com o seu percurso político dentro do aparelho e a sua mentalidade de “meninos de escola”, são o melhor que poderia acontecer ao “sabido” professor aníbal.

Naturalmente, neste universo “jotinha”, não entra o menino paulinho que faz parte daquele grupo de alunos “repetentes profissionais”, que como bom “salta-pocinhas” desestabilizador que se preze, está metido em tudo o que é marosca ou trapalhada que aconteça na escola.

Já agora pergunto: se assistimos a esta postura por parte dos três “meninos”, quando estão perante o professor aníbal, o que será que acontece quando são chamados à directora merkel?

 Se agora baixam as orelhas e vão direitinhos para o castigo até fazerem as pazes, imagino que perante a sra directora merkel devem borrar-se todos.

Quanto à “salvação nacional”, é com estes anjinhos que o sr professor aníbal quer salvar a escolinha? Acho que por aqui estamos conversados. Nesta escolinha cavaquista, se calhar aqui é que dava jeito o ministro crato, que mandava o professor aníbal para a mobilidade especial e, à boa maneira antiga, chumbava irremediavelmente os três meninos.

Falando muito a sério, convém lembrar a toda esta gente e a todos aqueles que aplaudem neste momento a iniciativa presidencial (a que eu chamo trapalhada presidencial), que os poderes presidenciais e os poderes da assembleia e do governo estão perfeitamente definidos e o respeito institucional e respectiva separação de poderes tem duplo sentido, isto é, não compete só ao parlamento e ao governo respeitar a figura e os poderes presidenciais. Esse respeito deve ser mútuo, sob pena de subversão do regime constitucional vigente.

Por maior apego ao poder que este governo possa ter, nunca deveria ter aceite este raspanete e muito menos a chantagem do “ou se entendem ou demito-os”, como se este fosse um regime presidencialista em que o presidente põe e dispõe a seu bel prazer.

Ao mesmo tempo, por maior vontade de chegar ao poder que o líder do maior partido da oposição possa ter, deveria ter levantado a sua voz e recusado não só esta ingerência da presidência da república em matérias que à assembleia dizem respeito, como também a chantagem explícita no discurso do presidente.  

Convém lembrar que a dignidade e a vitalidade do nosso sistema democrático dependem da dignidade e vitalidade das suas instituições mais representativas. Como podemos constatar, isto está muito longe de acontecer, se olharmos para o espectáculo deplorável que nos proporcionam os diversos actores, seja na presidência da república, no governo ou mesmo no parlamento.

E é bom que todos estejamos conscientes que por mais raspanetes ou reguadas que os actuais dirigentes políticos possam merecer, os fundamentos do Estado Democrático devem prevalecer. Como tal, disse e muito bem, Luís Menezes Leitão:

"Ao aceitarem submeter-se a este ultimato, os líderes partidários prestaram um mau serviço à democracia, que fica em risco com essa sua menorização. O país precisa do confronto democrático, não de partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de Belém (1). E, como se viu pela imediata subida dos juros, nem os sacrossantos mercados acreditam neste devaneio do Presidente.”

NOTA: (1) a esta frase só acrescentaria, num contexto mais geral, que não queremos partidos que aceitam atentos, veneradores e obrigados as imposições de quem quer que seja.

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