quarta-feira, 8 de maio de 2013

PS tem de "vir a jogo" e propor alternativas....(PSD dixit)





O PSD diz que o PS tem de ir a jogo....
 
Claro que tem!!!
Com muita pena minha (por concordar com esta gente), esta é uma realidade.

O PS de Seguro (como estão todos amiguinhos, posso dizer todo o PS) colocou-se a jeito e sem uma reviravolta na sua actuação, disto não se safa. O PSD/CDS, como indica o artigo, bem ou mal apresentou propostas e medidas concretas. Ao PS, em coerência com o que tem afirmado, compete-lhe agora responder.

É o que dá andar a reboque e esperar que os outros avancem. Agora não há volta a dar. Encostados entre a espada e a parede, é obrigatório ir a jogo. Tudo o que for dito, perante a opinião pública soará a pretexto, com o natural aproveitamento pela maioria PSD/CDS.

Será que ainda não entenderam que esta estratégia do esperar para ver ou de amuar e fazer birras, não os leva a lado nenhum? Seja ou não verdade, pelo menos essa é a imagem que passa e sabem, melhor do que eu, que em política a imagem não é meio caminho andado, é o caminho quase todo.

Senão vejamos… o Governo apresentou mais um dos seus famigerados pacotes de cortes. Cortes estes que, no geral, já vinha anunciando há uma série de tempo. Será que o PS não teve tempo de estudar e apresentar alternativas sustentadas, que prevenissem ou rebatessem de forma eficaz mais este ataque escabroso aos direitos de um Povo?

Será que em vez de esperar pela apresentação dos cortes pelo governo, o PS (demonstrando ser uma verdadeira alternativa) não teve tempo para apresentar estratégias credíveis, com medidas concretas para garantir o equilíbrio orçamental das nossas contas e, em simultâneo, assegurar a estabilidade social e económica do País?

Não pensem que se safam com ataques avulsos e vagos às medidas do governo, ou com propostas também vagas sobre o crescimento económico. O que têm de fazer é muito simples (ou não) e, para isso, é fundamental definir em concreto duas questões (que já deviam estar definidas há muito tempo):

1-     Qual o valor dos cortes a fazer na despesa para garantir a estabilidade social, económica e financeira?

Esta é a questão fundamental quanto a mim. Quanto é necessário cortar? O Governo apresentou um valor para os cortes. Esse valor é correcto? Sim ou não. Se a resposta for não, então qual o valor a cortar na despesa que garanta a estabilidade social, económica e financeira (friso aqui as vertentes social e económica, que não podem ser separadas em nenhum momento da financeira)? Será inferior ao que o Governo diz? Será superior? Sem uma resposta a estas questões, quanto a mim fundamentais, não é possível qualquer debate. Há uns anos, falou-se sobre as dificuldades que gestores e chefias intermédias tinham em conseguir estabelecer objectivos concretos, devidamente justificados e quantificados. Pelos vistos o PS sofre desse problema. Não basta dizer que não concorda. Para conseguir rebater o(s) valor(es) e prazo(s) apresentado(s) pelo governo, tem de apresentar os seus próprios valores e prazos, devidamente justificados e quantificados. Ora, quanto a mim, o PS não fez isso e, se o fez, não o soube transmitir porque eu não sei e não conheço ninguém que saiba.

2-     Onde, quando e quanto se deve cortar, para chegar ao(s) valor(es) e prazo(s)  estimado(s)?

Depois de resolvida a questão do ponto 1, será necessário ver onde, quando e quanto deve ser cortado, de forma a atingir o valor definido. Neste ponto, tal como no anterior, todas as medidas, prazos e valores devem ser definidos e quantificados de forma concreta e realista. Volto a frisar que todas as medidas a implementar, têm de salvaguardar, em simultâneo, a estabilidade nas três frentes (social, económica e financeira).

O que precisamos de saber, resume-se a estes dois pontos e nada mais.

Bem ou mal, concordando ou não, o governo respondeu às duas questões. O que fez o PS?
Bem ou mal, de forma adequada ou não, o governo disse que ia especificar valores e medidas para os atingir e fê-lo. O que fez o PS?
Com isto, o governo conseguiu mais uma vez encostar o PS à parede e, sob pena de se descredibilizar ainda mais, este vai ter de ir a jogo.
 
Resta-lhe apenas decidir a forma como vai jogar. Mas isto só poderá acontecer, se responder de forma cabal aos dois pontos aqui referidos.

Assim sendo, compete ao PS, em primeiro lugar, esclarecer com dados concretos se o valor apresentado pelo governo é correcto? Quando falo em esclarecer com dados concretos, falo em apresentar valores e justificações fiáveis. Não queremos justificações vagas, queremos valores concretos e reais. Estejam descansados que o Povo entende as explicações e, por mais complicadas que sejam, sempre são melhores que a falta delas.

Seja o valor para os cortes, apresentado pelo PS, igual ou diferente do apresentado pelo governo, será necessário justificar muito bem o porquê desse número.
Se for igual, não pensem que pelo facto de o PS dizer que concorda com o valor do governo, nós vamos acreditar. Vai ter de o justificar também. E justificar não só o valor, mas também os prazos.

Esclarecido o ponto relativo ao valor a cortar, só aí podemos passar ao ponto dois.

Neste ponto, o que o PS tem de fazer é dizer onde e como cortar. Em que despesas. Nada de coisas vagas tais como, por exemplo, “é preciso cortar nos consumos intermédios”. Deste “paleio”, estamos fartos. O que é necessário fazer é, pegando no exemplo, dizer quais as rúbricas que podem ser cortadas e o seu valor, não esquecendo de definir os prazos. Só actuando desta forma, isto é, apresentando alternativas concretas e quantificadas (tanto em valor como em prazos de execução), poderão rebater de forma credível as medidas  propostas pelo governo.

É absolutamente necessário que o PS tenha a consciência que todas as concordâncias e/ou discordâncias que possa ter com o governo, têm de ser plenamente justificadas de forma concreta, apresentando medidas também concretas, especificando tudo o que for apresentado (discriminando rúbricas, definindo valores, prazos, etc.).

Só assim alguém pode olhar para o PS e sentir que, quando este governo cair, podemos ter uma alternativa viável com ideias e estratégias para o País e não uma continuação da navegação “à vista”, a que estamos habituados.

Se o PS não fizer isto, “ir a jogo ou não”, não vai alterar nada. Vai ficar sempre mal visto na fotografia. E olhem que esta imagem ainda pode piorar.

Finalmente, respondendo à pergunta: o PS tem de ir a jogo?
Tem. A situação em que se colocou, de andar a reboque do governo, obriga-o a isto. No entanto pode optar, indo a jogo nas condições impostas pelo governo ou nas suas próprias condições.

Mas para que isto aconteça, uma coisa é certa, tem obrigatoriamente de fazer o trabalho de casa.
Se o fizer, ninguém o obrigará a sentar-se à mesa com o governo e muito menos nas condições que este impõe. Só a apresentação de medidas concretas, perfeitamente definidas e quantificadas, alicerçadas em estratégias que garantam a estabilidade social, económica e financeira do País, poderá fazer com que o PS deixe de andar a reboque do governo e se apresente como uma verdadeira e credível alternativa.

Caso contrário, ou faz de “menino birrento” ou acaba por se sentar à mesa com o governo nas condições que lhe são impostas. Pode depois vir bradar aos ventos que está tudo mal, mas a única coisa que consegue é reforçar a sua imagem “patética”, que o governo tanto agradece.

Sem comentários: