Confesso que tinha abdicado de me
pronunciar sobre a história do palhaço que alegadamente anda a passear no
Palácio de Belém.
A tentação era enorme, mas calculei
que o pessoal cá do burgo, com maior ou menor imaginação, desse boa conta do
recado. E calculei bem, por isso fiquei descansado.
Estava já quase a conseguir
controlar esta minha fixação/compulsão para atacar o alegado palhaço (e outros
também alegados palhaços), quando me aparece o nosso querido e amado amiguinho
gasparzinho, com a sua indignaçãozinha pequenininha(1) contra o jornalista que
não lhe deu importância nenhuma e questionou um estrangeiro sobre o programa de
ajustamento português.
Antes de continuar a falar da
minha fixação/compulsão, venho aqui defender o jornalista, pela injustiça do
ataque que lhe foi feito. É que o dito cujo (jornalista), ao contrário do que
diz o gasparzinho, foi perfeitamente coerente ao questionar o presidente do eurogrupo.
Aliás, deselegante seria ele se tivesse questionado o nosso querido
ministrozinho. É que a questão é simples e lógica. Quando queremos saber alguma
coisa concreta, seja em que ambiente for e nos encontramos na presença do
patrão e do empregado, a quem é que colocamos a questão? Pelos vistos todos nós
sabemos a resposta, menos o gasparzinho. Neste ponto, confesso que o rapazinho (gaspar)
é coerente com o que nos habituou. A falhar como falha as suas previsões, deve
também pensar que as pessoas o vão respeitar, mesmo sabendo que ele não é mais
do que a voz do dono (neste caso, da dona que, por sinal, é estrangeira).
E para cúmulo da deselegância, não
é que o malandro do jornalista, ao questionar o estrangeiro em português em
solo português, fez gato sapato das recomendações dos assessores do gaspar, que
queriam que as perguntas fossem feitas em inglês.
Ora ou eu estou totalmente
baralhado com esta minha fixação/compulsão e não penso coisa com coisa, ou
estamos perante outra “gasparice” (que outros no meu lugar podiam chamar
palhaçada). Não é que o sr. ministro achou deselegante o jornalista questionar um
estrangeiro sobre assuntos nacionais em Portugal, na presença dum governante
português e, ao mesmo tempo, quis obrigar os jornalistas a fazer perguntas em inglês, em
território português a um estrangeiro, na presença desse mesmo governante português. Digam
lá se isto não é uma grande palhaçada.
Voltando à minha fixação/compulsão, juro que estava
quase controlada, quando me apareceu esta “ave rara” a expor monocordicamente a
sua indignação (3).
Inexoravelmente, como em todas as
fixações/compulsões, rodopiaram na minha mente as imagens (governamentais, não
governamentais e outras que tais), de outros também alegados distintos membros
dessa classe profissional circense:
- O alegado palhaço lá dos lados de Belém, naturalmente, em lugar de destaque (2).
- O rapazinho com ar de virgem ofendida, agora a braços com a greve dos professores.
- O paulinho das feiras que não ultrapassa linhas vermelhas (diz ele), com um passado recheado de palhaçadas submarinas.
- O opositor “seguro”, que acumula a função circense com a sua vocação seminarista.
- Aquela central dita sindical que, sob a batuta “proencista” e a par com o opositor “seguro”, andou estes últimos tempos a fazer de “palhaça” de serviço do nosso querido primeiro Coelho.
- A caridosa “tiazinha” que ultimamente anda caladinha, que se zangava connosco por querermos comer bifes todos os dias.
- O Nandinho, com o seu nome muito nórdico, que nos manda aguentar, aguentar…
- O reformado indignado e recheado e presidente daquela associação também reformada e indignada (e recheada?), que desapareceu depois de algumas vaias.
- O empresário de sucesso com as suas opiniões (“palhaçadas”?) que, num acto de heroísmo patriótico, mudou a sua sede para a Holanda.
- Uma parte (sem ironia, não digo a maior parte) daquele grupo de duzentos e cinquenta que anda ali para os lados de São Bento.
- Uma parte (aqui sim, digo a maior parte) dos comentadores políticos, naturalmente inocentes nesta “palhaçada” toda, que agora aparecem cheios de soluções para o País.
- Aquela associação que “defende” os consumidores com uns leilões giros em que cobra (alegadamente) comissões de milhões.
- Os nossos queridos parceiros da União Europeia, que também nos “ajudam” com as comissõezinhas da praxe.
E podia continuar mais umas boas
linhas, mas para desabafo chega.
Chega de falar de palhaços e
palhaçadas. Como se diz e muito bem, chamar palhaços a esta gente, é ofender os
palhaços (os genuínos). E não é apenas por se tratar de
uma profissão nobre, cujo principal e também nobre objectivo, é fazer-nos rir.
É
também, acima de tudo, porque esta gente e as suas alegadas “palhaçadas”, não têm
graça nenhuma. Nenhuma mesmo, antes pelo contrário.
Aviso, prevenindo desde já episódios futuros, que a minha
fixação/compulsão não está curada.
Nem pouco mais nem menos. Mas desculpem lá, precisava de desabafar…
Notas:
(1) a propósito da palavra pequenininha fui ao
dicionário e tirei o significado de pequeno. Entre outros aparece o seguinte:
- Pequeno (Fig.): sem valor; Espírito pequeno, pessoa de ideias
estreitas, etc.
(2) Desculpem mas não
resisto sem falar do “alegado” palhaço-mor de Belém. Porque é que a PGR não
abre um inquérito ao cidadão Cavaco, cada vez que ele insulta a função
presidencial com as suas “palhaçadas”?
(3) Alguém que diga ao monocórdico Sr. Ministro Gaspar que,
quando se indignar, tem de fazer um ar e um tom diferente daquele que usa para
as habituais leituras dos powerpoints. É que aquele tom só pode mesmo agradar
aos seus queridos e patéticos patrões alemães.

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