Este meu comentário vem a propósito da notícia saída no
Público “Vasco Lourenço diz que se houvesse condições já estaria a preparar
outra revolução” e algumas outras que têm vindo a sair a público, sobre uma
pretensa possibilidade dos militares actuarem de forma não pacífica para
alterarem a situação.
Em primeiro lugar esclareço (para quem possa pensar que
no meio do texto pode aparecer algum tipo de apoio ou de atitude tipo “deixa lá
ver o que é que isto vai dar”)que este é um texto de total e completo repúdio
de qualquer tentativa não pacífica de alterar a actual situação.
No dia 2 de março saí à rua, em conjunto com mais um milhão quatrocentos e noventa e nove mil pessoas para dizer Basta a este governo, a esta política e a todo o tipo de politiquice bafienta que corrompe os pilares da nossa Democracia.
No dia 2 de Março saí e voltarei a sair à rua sempre que
existirem movimentações semelhantes a esta. E por semelhantes devo dizer, não
tolhidas pelo dirigismo partidário e acima de tudo PACÍFICAS.
No dia 2 de Março gritei como muitos milhares de pessoas
“25 de Abril sempre”. Mas esse grito simbolizou o espírito intemporal de Abril.
Esse grito, era simplesmente o espírito de um Povo que sai à rua, em luta pela
manutenção da Sua Liberdade. Esse grito não era nenhum pedido, nem sequer
nenhuma intenção de reviver o momento (25 de Abril de 1974), em que os militares saíram à
rua com armas na mão. Esse momento foi vivido dessa forma, num contexto que nem
de longe nem de perto se assemelha ao actual. E ao contrário do que alguns
possam pensar, o maior ataque ao 25 de Abril de 1974 que se pode fazer hoje em
dia, são precisamente as "derivas militaristas".
No dia 2 de Março saí à rua com milhares de outras
pessoas, pela manutenção da Democracia, ou melhor dizendo em defesa da
Democracia. E ela existe neste país, apesar deste governo, apesar de tudo o que
está a acontecer. E Ela merece ser defendida. Mas é bom que os Srs. Militares
(felizmente acho que falo apenas para uma pequena minoria) entendam que em
Democracia por maiores que sejam as nossas discordâncias, por maior que seja a
nossa vontade de mudança, por maior que seja a nossa vontade de derrubar o
governo (e a minha é seguramente) isso é feito ou nas instituições eleitas
democraticamente e/ou através da pressão social, da pressão nas ruas e/ou de
outros direitos legítimos, tais como o direito à greve. Mas, tudo isto tem
apenas uma condição: ser feito de forma PACÍFICA, repudiando energicamente
qualquer tipo de violência.
Felizmente que quando falo em possíveis intervenções não
pacíficas, volto a frisar que acredito que estou perante uma pequena minoria de
militares, sendo que muitos deles estão já na reserva.
Digo também que não sou daqueles que acham que os
militares e as forças de segurança não se podem manifestar… acho que podem e
devem, se for esse o seu sentimento. O que devem é fazê-lo como qualquer um de
nós, pacificamente e tendo o cuidado de explicitar de forma bem clara a
natureza PACÍFICA e democrática dos seus protestos (tendo em conta a condição
especial que as armas lhes conferem).
Terminando, peço encarecidamente à pequena minoria de Srs
Militares com “derivas militaristas”, que nem lhes passe pela cabeça… !!!!
Porque o Povo não lhes perdoará (pelo menos eu,
certamente que não)...

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