Uma democracia está viva quando os seus jovens participam e reivindicam os seus direitos em actos de cidadania... e, para alguns "distraídos", as manifestações, os protestos de rua, as greves são actos da mais pura democracia.
E é dum verdadeiro exercício de cidadania, da mais pura democracia participativa, que se trata nestas manifestações que os estudantes do ensino básico e secundário promovem hoje em algumas dezenas de escolas deste país.
Estes estudantes, com maior ou menor razão nos seus protestos (do ponto de vista deles e do meu também, com toda a razão ), vêm mostrar a recusa de um sistema que os trata não como um investimento e uma aposta no futuro do país, mas como uma despesa a ser cortada por esta avalanche "merkeliano-gasparista" que nos assola.
Estes estudantes, que neste protesto deitam por terra todas as afirmações sobre a ausência dos jovens relativamente à política e à cidadania, esquecendo-se quem critica esta "ausência" que os jovens apenas não se revêm no sistema político-partidário vigente. Estas manifestações e outras de jovens ou com jovens que têm acontecido por esse país fora, vêm precisamente provar o contrário. Vêm provar que os jovens (assim como todos aqueles que participaram nas manfestações de 15 de Setembro e de 2 de Março) acreditam na cidadania, acreditam na democracia, recusando liminarmente o dirigismo partidário que se foi abatendo na nossa sociedade.
Assim como toda uma grande maioria de portugueses, estes jovens devem ser ouvidos pelos partidos políticos, para que façam agum tipo de inversão nas suas trajectórias e comecem a responder áquilo que é essencial, isto é, a porem de facto em prática uma verdadeira democracia representativa dos legítimos anseios do seu Povo.
Após esta introdução e, olhando para estas manfestações, é importante para mim deixar bem claro o meu apoio inequívoco, porque este actual estado de coisas não é só uma preocupação dos alunos ou dos professores e funcionários, é também uma preocupação nossa como pais, irmãos, avós, tios, primos, vizinhos... ou simplesmente concidadãos.
A degradação das condições económicas das famílias e por conseguinte dos estudantes, a aposta puramente coontabilística e irracional da actual estratégia educativa, tornam urgente que todos nós nos unamos para dizer NÃO.
- NÃO ao ataque contínuo feito ao próprio sistema educativo e à degradação das suas mais elementares condições de funcionamento.
- NÃO ao ataque contínuo feito aos professores, seja na degradação das suas condições e estatuto profissinal, seja no puro e simples empurrão para o desemprego.
- NÃO ao ataque contínuo feito aos funcionários das escolas, a quem se augura o mesmo destino.
- NÃO ao ataque contínuo às justas expectativas dos estudantes, seja no seu percurso escolar ou nas saídas que o futuro lhes poderia reservar.
- NÃO ao ataque contínuo às condições socio-económcas das famílias, que têm um impacto directo sobre a continuidade destes jovens no sistema de ensino.
Um país que percorreu nestes anos pós 25 de Abril, uma longa caminhada na qualificação dos seus jovens (e adultos) arrisca-se, em breves anos, a um retrocesso de consequências imprevisíveis. Imprevisíveis não são, confesso. É mais do que previsível o destino desta(s) geração(ões) de jovens, seja a engrossar as fileiras do desemprego e/ou da emigração (perdendo o país todo o investimento feito) e/ou do abandono escolar, etc. etc. etc....
É por isto tudo, que me sinto no dever de expressar o meu total apoio a este dia de luta destes estudantes.... só espero que venham mais!!!

4 comentários:
É assim mesmo! " Governo, rua! A luta continua!" ehehehe
É assim mesmo! "Governo, rua! A luta continua!" eheheh
Muito bem!!!!
Obrigado Filipa e Inês pelos comentários. A luta continua eheheheh
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