sexta-feira, 22 de março de 2013

Seguro defende moção de censura com “situação de pré-ruptura social”?????


 
 
 

 Seguro defende moção de censura com “situação de pré-ruptura social”?????…
O homem está mau. Deve ter dormido mal e acordou rabugento, ou então o almoço não lhe caiu bem. Digo o almoço, porque com a rapidez com que ele toma decisões, a má disposição do almoço só lhe aparece à hora do jantar.

Mas, alvíssaras senhor, saiu uma decisão e não vamos menosprezar o facto. Só que “não há bela sem senão”. Para quem possa pensar que o homem se precipitou ou de repente decidiu mudar de vida e deixou as choraminguices para começar a tomar posições, desengane-se.
Então não vêm que a moção de censura é justificada com a “situação de pré-ruptura social”. É por isto que se nota que está aqui uma decisão muito, muito, muito ponderada. É que, para os mais distraídos, o País já está numa situação de pré-ruptura social há já algum (longo) tempo…

Sendo assim, por aqui se pode inferir que o homem no melhor do seu estilo, vem ponderando esta decisão já há alguns meses, para não dizer anos. Sim, porque justificar a moção com a situação de pré-ruptura social, é o mesmo que ir apanhar o comboio das 3 da tarde, às 10 da noite. Então ninguém disse ao homem que o país já não está numa situação de pré-ruptura social. Será que ninguém lhe disse que já estamos, há algum (longo) tempo, em situação de verdadeira ruptura social?
Ou o homem tem um mundo próprio e não ouve ninguém, ou está muito mal aconselhado, ou então a sua “corte” também gravita naquele mundo próprio em que o povo é submisso e para além de não ter o direito de “comer bifes todos os dias”, só tem é de “aguentar, aguentar”.

É que nesse mundo verdadeiramente feliz, em que o povo é simples e submisso e as pessoas “decentes” arranjam umas sopinhas e umas roupinhas para dar, esta nem seria uma situação de pré-ruptura… ainda seria uma situação de pré-pré-ruptura e, nesse mundo, o homem seria um perigoso revolucionário a avançar com uma moção de censura muito à frente do tempo.
Só que, infelizmente, a realidade não está para brincadeiras e com o maior partido da oposição refém desta verdadeira capacidade e rapidez de decisão, proponho que se arranje uma nova figura regimental na Assembleia em que, para além das moções de censura aos governos, também se possam votar moções de censura às oposições. É que a democracia vive das maiorias e das minorias, dos programas dos governos e das alternativas das oposições e, por isso, não é só o governo que merece ser censurado quando as coisas não correm bem. É também a oposição que deve ser responsabilizada, quando não apresenta alternativas credíveis.

E, azar dos azares, o que temos nós? Ter um governo que faz aquilo que todos nós sabemos e uma oposição incipiente e bacoca, como a encabeçada por este homem “seguro”, é mesmo o cúmulo dos azares.
É por isso que, perante notícias como a que deu origem a este artigo, eu já não peço ao PSD que tire o tapete ao Passos Coelho, nem ao PP que denuncie a coligação, nem ao grande “magistrado de influência” que demita o Governo. Eu só desejava uma coisa: que o PS tirasse o tapete ao homem da “moção de confiança justificada pela situação de pré ruptura social”.

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