quarta-feira, 20 de março de 2013

João Ferreira do Amaral defende saída do euro..


 
 

 
João Ferreira do Amaral defende a saída do euro. E porque não? Porque não começar a pensar em verdadeiras alternativas para sair deste buraco onde nos metemos.


A receita do memorando com as suas diversas revisões em cima de revisões, com as inúmeras e quase diárias falhas nas previsões efectuadas, as alternativas propostas no quadro do chamado “arco do poder”, em que se fala muito de estabilidade e crescimento, mas ninguém parece seriamente convencido de quais as medidas a tomar.
Pelos vistos, dentro deste quadro, temos duas alternativas: ou continuamos neste ciclo vicioso da austeridade sobre a austeridade, ou arranjamos uns paliativos e propomos umas hipotéticas medidas de promoção do crescimento que, a terem algum resultado, nunca seria a curto prazo, prolongando a agonia daqueles que já vivem numa situação de verdadeira emergência.
Aquilo que João Ferreira do Amaral vem dizendo já há muito tempo (devemos dar-lhe esse crédito), poderá vir ao encontro daquilo que está expresso nos cânones de todos  as profissões, ou seja, quando não se consegue resolver um problema  dentro de um determinado sistema, a solução estará logicamente, em procurar soluções fora desse sistema. Dito de forma muito simples, se o país não encontra soluções dentro do "status quo" actual, a solução estará  muito certamente em projectar-se para fora dele e descobrir aí uma verdadeira alternativa.
Talvez, como afirma João Ferreira do Amaral, o ponto de partida para a solução esteja na saída faseada e controlada do euro, minimizando o choque devido à quase completa dependência em que nos colocámos.
Talvez, como afirmam partidos como o PCP e Bloco de Esquerda e muitas personalidades independentes, o ponto de partida esteja em renegociar a dívida em todos os seus termos: prazos, juros e montantes, de forma a permitir condições mais favoráveis para fazer face aos compromissos internacionais e, ao mesmo tempo, permitir a folga necessária ao crescimento da nossa economia, tanto interna como externamente.
O que me parece é que no actual estado de coisas, já nem uma nem outra, separadamente, são a solução.
Sair do euro "per si"(mesmo controladamente), mantendo o serviço da nossa dívida como está, para alem de não nos dar folga nenhuma em termos financeiros, iria ainda trazer custos que aumentariam a asfixia da nossa economia.
Renegociar com sucesso a dívida em todos os seus termos, muito provavelmente traria a folga necessária para o relançar da economia, mas a nossa dependência do euro, a nossa completa submissão aos directórios da Alemanha e das outras grandes economias europeias, voltaria a médio prazo a colocar-nos numa situação semelhante. Penso que é lícito pensar que uma economia como a nossa, dificilmente se aguentará sem ter os seus próprios e independentes mecanismos de defesa (incluindo a moeda própria e um banco central autónomo), face às variações dos mercados.
Claro que, em todas as situações e soluções há prós e contras mas, pelo rumo seguido até agora, seja em Portugal seja nos países do sul da Europa e na própria União Europeia, pensar diferente, talvez seja a verdadeira solução.
Naturalmente, não sejamos "naïfs" em pensar que o país pode seguir outros rumos que não os actuais, sem existir da parte do Povo português uma verdadeira consciência de mudança e, ao mesmo tempo, um olhar para todas as perspectivas sem qualquer preconceito e medo.
Sem preconceito, porque sendo estas soluções  defendidas por partidos como o PCP e BE (que no quadro parlamentar actual não chegam aos 20%) e por personalidades que não se enquadram propriamente no chamado “arco do poder”, poderão muito bem ser equacionadas, sem qualquer perigo de radicalismos extremistas. Ninguém, com algum peso percentual, defende o “não pagamos”, por isso esse quadro está fora de qualquer perspectiva.
Sem medo, porque mesmo que trilhemos por caminhos não tradicionais, provavelmente não serão muito mais perigosos do que os actuais. E estes, com a agravante,de que, certamente, um dia destes irão empurrar-nos precisamente para as outras soluções, ou seja, para a renegociação da dívida e para a saída do euro. Mas existe um ponto fundamental, que fará uma grande diferença. Uma coisa é sairmos do euro e renegociarmos a dívida por vontade própria, enquanto ainda nos resta algum (pouco) poder negocial e outra, completamente diferente, é sermos forçados a isso, pura e simplesmente porque as políticas actuais nos empurraram para esse buraco. Aí sim, a dor será infinitamente maior. Aí sim, é que devemos ter verdadeiramente medo.
Soluções imaginativas, que alterem o actual paradigma europeu da “austeridade pela austeridade” e que, ao mesmo tempo, permitam a Portugal encarar o futuro com esperança e alguma segurança, devem ser urgentemente trazidas para um quadro de discussão alargada, que envolva a própria "sociedade civil" (visto que o quadro partidário na sua maioria se encontra actualmente preso a soluções já reconhecidamente vistas como completamente descontroladas e, pior, que nos conduzem, inexoravelmente, a um buraco cada vez mais fundo).
É necessário o envolvimento da "sociedade civil" na procura, exigência e promoção de soluções fora dos actuais paradigmas institucionais, tendo em conta que o actual sistema partidário tem sido completamente ineficaz na procura de alternativas verdadeiras e credíveis.
Neste quadro partidário, em que uma ampla maioria defende as soluções previstas no memorando (com as já referidas revisões sobre revisões) não podemos esperar qualquer solução verdadeiramente credível, senão vejamos:
·         A actual maioria parlamentar encontra-se completa e definitivamente colada aos falhanços constantes das previsões desta tendência "mekeliano-gasparista" e, a não ser por um qualquer golpe de mágica, daqui não poderá sair sem excluir do seu seio os actuais lideres e protagonistas deste descalabro governativo.
·         O Partido Socialista, com esta tendência encabeçada por António Seguro, propõe tímidas renegociações (um pouco à imagem das que, de forma encapotada, o governo tem vindo a fazer) mas, no essencial, mantém a coluna vertebral assinada no memorando. Para além disso, em termos de políticas de crescimento, as propostas que vem apresentando são em grande medida ideias gerais, sem uma grande explicação concreta e credível para a sua implementação. Por isto também se constata o desnorte do maior partido da oposição.
Perante este panorama institucional, a solução terá de vir, friso, da pressão da sociedade civil, seja para a mudança radical da política seguida por este governo (que eu não acredito que aconteça) seja, em alternativa, na exigência da sua demissão com a convocação imediata de novas eleições.
Claro que levar o governo à demissão e depois voltar a colocar lá partidos que continuem a defender o mesmo tipo de soluções, quanto a mim é um desperdício de energia a que não nos podemos dar ao luxo.
O que a sociedade civil tem de fazer, é mostrar aos partidos que têm obrigatoriamente de apresentar programas com verdadeiras alternativas e soluções, castigando aqueles que continuarem a reger-se pelas sebentas que levaram ao memorando.
Seja o PSD, o PS, o CDS ou todos os outros partidos fora deste “arco” deverão ter nos seus militantes e simpatizantes, forças de influência que os obriguem a verdadeiras alternativas. Naturalmente, que deverá estar implícito que o povo não tolerará mais "chico espertos" que apresentam um programa e não têm qualquer pejo em rasgá-lo mal chegam ao poder.
Posto isto e, porque o artigo já vai longo, proponho apenas que olhemos para todas as soluções e alternativas que, como esta de João Ferreira do Amaral, poderão conduzir-nos a um novo caminho de esperança, tirando-nos deste buraco em que, inconscientemente (ou não), nos metemos.


 

 

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