quinta-feira, 21 de março de 2013

Igreja ortodoxa põe espólio à disposição do Governo para salvar Chipre...





A Igreja ortodoxa põe espólio à disposição do Governo para salvar Chipre… se esta for uma oferta verdadeiramente desinteressada, considero que é um dos gestos mais bonitos que uma organização, religiosa ou não, poderia ter…
Friso este ponto, se esta for uma oferta verdadeiramente desinteressada. Vamos ser optimistas e acreditar na bondade desta proposta e considerá-la como uma verdadeira oferta de ajuda.
Sendo este o caso, mesmo que os valores envolvidos não cheguem nem de longe nem de perto para solucionar o problema, presto aqui a minha mais sincera homenagem à Igreja Ortodoxa Cipriota e aos seus dirigentes. Este gesto, talvez dos gestos mais surpreendentes a que tenho assistido, é sem dúvida uma verdadeira lufada de ar fresco, que deverá trazer não só aos cipriotas, mas a todos os povos do mundo, uma nova esperança e o desejo que todas as religiões  trilhem os mesmos passos da Igreja Ortodoxa do Chipre.
Embora este gesto magnífico não faça de mim um crente (nem nesta nem noutra qualquer religião ou entidade religiosa), tem no entanto o condão de me fazer acreditar que as organizações religiosas e as respectivas hierarquias podem, de facto (se não todas, pelo menos algumas e, neste caso, certamente uma), estar genuinamente apostadas em colocar-se ao serviço dos homens, cumprindo a missão a que se propuseram.
E, mesmo que aleguemos que todo o seu poder e dinheiro adquirido ao longo dos tempos, possa ter por base actos menos dignos, este magnífico gesto não pode nem deve ser menorizado ou denegrido.
Só espero que estando esta Igreja circunscrita ao território cipriota, outras igrejas em outros cantos do mundo sigam o exemplo. Não precisamos de ir muito longe (aliás podemos mesmo centrar-nos no nosso país) e ver o impacto que um gesto destes poderia ter se não nos sacrifícios que o povo português está a atravessar, pelo menos no seu sentimento de abandono e traição relativamente a todos aqueles que se comprometeram em ajudá-lo.
Centrando-nos no nosso país, mesmo que os valores financeiros atingidos por uma oferta deste nível não dessem para aliviar o sufoco que atravessamos, pelo menos trariam a este povo (maioritariamente católico), a sensação que não estavam sós ou abandonados à sua sorte.
Para além disto, neste tempo em que se elogia o aparecimento de um novo Papa que tenta transmitir uma imagem de verdadeira humildade e simplicidade, que melhor gesto poderia ele ter que o de seguir o exemplo da Igreja Ortodoxa Cipriota. Podemos afirmar que o poder financeiro da Igreja iria ficar abalado, mas tenho a certeza que, em contrapartida, esse gesto iria engrandecer esta religião a um nível nunca visto.
Pelo menos  aos meus olhos (não crente convicto) este gesto da Igreja Cipriota e um possível gesto semelhante da Igreja Católica, iriam sem dúvida ter o condão de elevar o meu respeito pelas suas hierarquias, já que o meu respeito pelos crentes não está em causa.
É costume dizer-se que é nas alturas de crise e sofrimento que aparecem os verdadeiros heróis e se revela  também o melhor da Natureza Humana. Espero sinceramente que seja este o caso e que, independentemente da minha não crença religiosa (que não se alterará), o líder da Igreja Ortodoxa do Chipre, Arcebispo Chrysostomos II, o Papa Francisco I e outros em outras religiões ou instituições religiosas, sejam verdadeiros heróis do nosso tempo. E, (já agora sejamos ambiciosos) que estes Herois contagiem, com este gesto, outro tipo de organizações (quem sabe políticas e financeiras), para que finalmente toda a Humanidade consiga trilhar um rumo que esteja de acordo com os seus tão apregoados ideais.
P.S. (não é o partido): coloco aqui um post-scriptum, para que não seja anulado o sentido deste artigo. É que, também posso ser pessimista e pensar que um gesto destes tem contrapartidas. Se as tiver, não digo que devam ser rejeitadas à partida, mas sim que esta “oferta” seja tratada e analisada da mesma forma que estão a ser analisadas as outras. Ou seja, que esta “oferta” de ajuda seja analisada do mesmo modo que estão a ser analisadas as propostas de “ajuda” dos russos e dos “merkelianos” europeus e que, após essa análise, o governo e parlamento cipriotas tomem a atitude mais favorável ao seu Povo. De qualquer forma, se for este o caso e se tratar apenas de um gesto de “ajuda” igual aos outros, fica aqui apenas um ligeiro sentimento de desilusão.
 

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