domingo, 16 de fevereiro de 2014

Incríveis GIFs 3D criados com um simples efeito visual. Efeitos fantásticos a partir duma ideia tão "simples".


Embora diferente do habitual que tenho aqui publicado, captou a minha atenção, pela forma como a partir dum raciocínio tão "simples" se criam efeitos visuais espetaculares.

Não me detenho muito em explicações (as imagens são suficientemente eloquentes).

A forma como o nosso cérebro é "enganado" é incrível, e tudo isso a partir dum simples “truque”. Faço aqui uma pequena seleção dos GIFs apresentados no blogue original
(ver artigo) . Qualquer um dos GIFs é excepcional. Escolham o vosso preferido.

Como é que se consegue isto? É simples (aparentemente).
 
A adição de um par de linhas verticais (geralmente em branco) nas imagens em movimento, é o ponto de partida para a criação do efeito tridimensional.

As linhas divisórias brancas servem como marcadores visuais para o primeiro plano. Quando algum objecto aparece na frente destas linhas, o cérebro do espectador imediatamente traduz isto como uma cena tridimensional.
Quando os personagens e objetos se movem para o primeiro plano, aparentemente ultrapassam a barreira da imagem, criando este efeito visual.  
 
 

O “truque” na criação destes GIF 3D é aproveitar este efeito e escolher cenas em que algo, quer se trate de uma pessoa, animal, monstro, etc. está inicialmente no fundo e avança para o primeiro plano.
 
 


   
 
 
 


  
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

eu sou

 

eu sou a consciência dos tempos
a eternidade dos deuses que matei
nem outros nem ídolos nem donos nem senhores
eu sou o que penso
não sigo nem procuro
eterno sou
 

não tenho caminhos
nem mistérios
eu sou
mais ninguém
a consciência de mim


Luciano Santos, em "A porta Verde"

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

o meu mundo


 
olho para ti. céu mar,
esse sorriso, o mundo
as mãos na guitarra. o mundo, em ti
vejo o dedilhar, vejo-te. o meu mundo

 
“so, so you think you can tell”

 
a voz, hesitante insegura
os teus olhos, céu mar
o dedilhar, a guitarra
e eu, feliz. sinto-me feliz.
és tu.

 
“how I wish, how I wish you were here”

 
e continuas. a voz, o sonho, a vida.
a tua voz. olho-me, olho-te.
o dedilhar, a guitarra,
o teu primeiro passo, o teu riso.
olho-me.
vejo-te. a tua voz, céu mar mundo.

 
“running over the same old ground”

 
olho para ti. no olhar céu mar,
esse sorriso, o mundo.
as mãos na guitarra. o mundo, em ti.
 

“what have we found”


o som que me percorre, fecho os olhos.
és tu, linda. o teu olhar céu mar,
o dedilhar a guitarra.
o meu mundo, o teu mundo.
sonho. sonho-te feliz, quero-te feliz.

 
“wish you were here”


Luciano Santos, em "A Porta Verde"
 
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Chamava-se MARIUS e foi abatido em nome do “melhoramento genético que tem como objetivo garantir uma população saudável de girafas em zoos europeus”.

 
(Ver artigo do DN)

HEIL DINAMARCA, HEIL UNIÃO EUROPEIA. VÃO-SE *****

CANALHAS, é o termo que me ocorre escrever, porque os termos que me vêm à cabeça são mil vezes piores.

Sem quais forem as razões (científicas ou não) para o abate, nada o justifica.

Segundo parece, isto aconteceu porque devido à legislação da União Europeia, o animal não se poderia reproduzir por questões de consanguinidade. Então a lógica é simples, antes que ande para aí na “malandrice”, toca a matá-lo.

Não vale a pena terem existido dezenas de lugares prontos a acolher o infeliz animal e que, de certeza, se comprometeriam a não deixá-lo aproximar-se de qualquer girafinha jeitosa. Nem essas dezenas de ofertas convenceram esta espécie de ASAEs dinamarqueses.

“Na sua página oficial o diretor do jardim zoológico, explica que "as girafas do Zoo de Copenhaga fazem parte de um programa internacional de melhoramento genético que tem como objetivo garantir uma população saudável de girafas em zoos europeus"”.

Eu já li isto em qualquer lado, em discursos lá para os idos anos 30 e 40 do século vinte, ali num país bem pertinho (só que nessa altura eram relativos a humanos).

Para além disso, eu pensava que a ideia era, ir acabando aos poucos com os zoos e tentar encaminhar estas espécies para os seus habitats naturais, não digo numa geração, mas em várias gerações para que os animais nascidos em cativeiro pudessem ser protegidos. No entanto o objetivo final, quanto a mim, seria a redução gradual de nascimentos em cativeiro para que este verdadeiro “voyeurismo” humano terminasse e os animais pudessem viver “tranquilamente” em reservas naturais.
Pelo menos é isso que eu defendo, o fim gradual dos zoos.

Afinal a União Europeia vem dizer-me que tem programas para reprodução e “melhoramento” genético para “garantir uma população saudável em zoos”. Se não fosse dramático era, no mínimo, estúpido.

Como se já não bastasse toda a situação, o infeliz animal é abatido (com tiro de pistola para não estragar a carne) e extirpado em frente a dezenas de curiosos, com crianças a assistir. Para além do artigo do DN coloco um link para o VÍDEO do acontecimento (é suficientemente eloquente, pelo que não comento).

E eu que sempre ouvi dizer que estes povos nórdicos eram civilizados. Grande civilização.
Vamos apurar raças para que os meninos “civilizados” possam ir divertir-se e conhecer a fauna do mundo. Mas não é conhecer de qualquer maneira, no meio da selva. Coitadinhos, ainda eram mordidos por mosquitos e podiam voltar cheios de pulgas para casa. Não, os meninos têm de conhecer a fauna num ambiente giro e protegido e, se possível, com um pacote de pipocas nas mãos, ou no caso de nórdicos mais civilizados, umas saladinhas de vegetais biológicos.

Para além disso, estes grandes defensores dos direitos dos animais, no que se trata de "melhoramentos genéticos" e, portanto, científicos, toca a levar a filharada ao zoo.

E depois os povos do sul é que são bárbaros. Eu sei que somos uns bárbaros, mas irrita-me quando aparecem certos "arianistas" defender os virtuosos nórdicos, quando no fundo acabamos por ser todos “farinha do mesmo saco”.

Ironias e tretas à parte, fica aqui a minha tristeza. Em primeiro lugar por esta girafa, MARIUS, que teve o azar de nascer na Europa dos “melhoramentos genéticos” e em segundo lugar por nós, humanos.

Por nós (humanos), porque quando a Europa, considerada o exemplo da defesa dos direitos das espécies, assume nas suas leis a morte seletiva, muito mau se me afigura o futuro.

Para terminar e desabafar (mais uma vez)

 HEIL DINAMARCA, HEIL UNIÃO EUROPEIA, VÃO-SE *****.


NOTA FINAL: Olhem se a moda pega e Passos Coelho e a sua trupe ouvem isto. Toca a matar uns “velhinhos”, que já não produzem nada e são completamente “desnecessários”. E os jovenzinhos com ”sangue na guelra” também. Matam-se uns quantos em nome da seleção genética e o desemprego jovem fica resolvido.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

meu amor


 
e porque deste mundo um dia hás-de partir
e se a Morte, à tua
meus olhos não poupar,
ao Vento pedirei que sem destino me leve
ao Sonho, que com carinho  me embale
e à Saudade, meu amor,
a memória de ti!

 
e se o Vento um dia me pousar
e o Sonho o meu corpo perder,
então
meu amor, com a Saudade
olharei o Tempo,
se algum ainda me sobrar!


Luciano Santos, em "A Porta Verde"
 
 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

quando um dia eu partir

 

quando um dia para mim esta viagem
terminar e distante o meu fogo estiver
não invoquem deuses nem preces
deixem-me partir altivo e senhor de mim

 
deixem que o meu corpo distante de mim
em chamas se consuma e nos braços
do vento se espalhe pelas águas
de uma qualquer viagem 

 
quando o meu fogo partir
que o meu corpo se consuma sem deuses
nem preces
apenas eu altivo e senhor de mim

 
que o meu destino  se faça
terminando esta viagem como a vivi
deixem-me partir senhor do meu ser


Luciano Santos, em "A Porta Verde"

cresci com os pássaros

  

cresci com os pássaros
ao sabor do vento
procurando a primavera
mundo infinito
pássaro de viagem
cantando ao ritmo da vida.
 

cresci com os pássaros
não pássaro de gaiola
mundo fechado
nem triste nem alegre
cantando ritmadamente
compassadamente
para o seu senhor.

 
cresci com os pássaros
ao ritmo da vida
cresci não pássaro de gaiola
pássaro de viagem
caminho infinito asas ao vento
percorrendo caminhos
procurando a primavera.

 
cresci com os pássaros
ao sabor do vento
conheci pássaros de viagem
pássaros de gaiola e seus senhores
cantei ao ritmo da vida
cantei compassadamente.

 
hoje vivo com os pássaros
de viagem e de gaiola
de gaiola e seus senhores
mas canto ao ritmo da vida
sou pássaro de viagem
caminho infinito asas ao vento
procurando a primavera.


Luciano Santos
 
 

um poema para ti



quero escrever-te um poema
um poema de amor.
soneto petrarquiano
ou  shakespeariano
épico ou lírico,
dramático não.
não sei se rimo
conto as sílabas
ou as estrofes,
quero só um poema
um poema apenas
de amor para ti.

 

quero escrever-te um poema
de amor! uma ode
mas não sei cantar. elegia não,
o meu coração está feliz.
não sou jogral nem trovador
não contarei as sílabas nem as estrofes
nem sei se irei rimar.
talvez diga ou escreva
um poema,
um apenas para ti.

 

quero escrever-te um poema
um poema apenas,
de amor para ti.



Luciano Santos
 
 

como flores no campo



caminho contigo, lado a lado,
bela, sublime como no dia
em que te encontrei.
caminho sentindo-te feliz,
livre como a brisa da tarde,
flor no campo brilhando ao sol,
sorrindo com o orvalho da manhã.

 

caminho ao teu lado,
livre como a brisa da tarde.
ao teu lado, feliz,
brilhando ao sol.
quero-te como me quero,
flor no campo
não numa jarra
ou num jardim.

 

caminhamos lado a lado
pelos campos,
ao sol, com a brisa da tarde.
não me pedes flores,
apenas que olhe,
floresça com a sua beleza,
seja belo, não teu.
queres-me belo, simplesmente,
como as flores no campo.

 

caminho ao teu lado,
não te quero minha,
quero-te flor no campo
livre como a brisa da tarde.
porque te amo,
não te quero numa jarra
nem num jardim,
quero-te flor no campo,
flor mágica livre brilhando ao sol,
sorrindo com o orvalho da manhã.

 

caminhas ao meu lado,
não minha,
quero-te tua,
ao meu lado bela, livre
como a brisa da tarde.
não minha, apenas tua,
como as flores no campo.

 

caminhamos lado a lado,
olhando as flores no campo,
espelhos de ti de nós
brilhando ao sol,
sorrindo com o orvalho da manhã.

 
Luciano Santos

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. BE apresenta proposta para autonomizar o crime de MGF.



Assinala-se hoje o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina e o BE apresenta uma proposta para autonomizar este crime no direito penal português.

Está de parabéns o BE. Porque não é suficiente assinalar datas e alertar para este verdadeiro crime contra as Mulheres e por consequência contra toda a Humanidade.

A legislação nacional atualmente trata a MGF como um crime de ofensas corporais, manifestamente insuficiente para punir verdadeiramente e exemplarmente este atentado contra os mais elementares Direitos Humanos.

Segundo o artigo do Público, “estima-se que há 500 mil mulheres que vivem na Europa que sofrem as consequências desta prática e que 180 mil raparigas se encontram em risco de ser alvo da mesma”.

Porque é urgente dizer BASTA e punir quem promove e executa estas práticas e porque é preciso prevenir que todas as jovens mulheres que correm risco de vir a sofrer o mesmo destino, é necessário que este país atue de forma eficaz.

Espero que o Parlamento a aprove com a máxima urgência e, ao mesmo tempo, sejam colocados no terreno todos os meios necessários para debelar este verdadeiro flagelo.

Hoje deixo aqui dois artigos suficientemente eloquentes, pelo que aconselho a sua leitura:


"BE apresenta proposta para autonomizar o crime de mutilação genital feminina" (PÚBLICO)


"Declare Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina" (AMNISTIA INTERNACIONAL)
 
 
6 de fevereiro, “TOLERÂNCIA ZERO CONTRA A MUTILAÇÃO GENITAL FEMININA”.
 
Porque é preciso não esquecer, Um crime a denunciar. 
 
HOJE E SEMPRE.

 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A propósito do défice de 2013: números, números, números…. e quando é que olham para as pessoas, meus senhores?



 

Será que já ouviram falar em vitórias de Pirro? Este, perante um cenário destes, certamente diria "uma outra vitória como esta arruina-nos completamente".


O que parece uma grande vitória do País não é mais que o corolário dum longo caminho manchado pela miséria, pelos milhares de lares a atingirem níveis de pobreza nunca sonhados, pela fome, pelas vidas adiadas e/ou perdidas, pelos idosos humilhados/abandonados, pelas crianças com fome nas escolas, pelos jovens que abandonam o ensino por falta de meios, pelas famílias que perderam as casas, pelas insolvências, pelas falências…

 
Talvez para o Governo e para os seus apoiantes este seja um preço que tem de ser pago para que o País se livre da interferência externa, talvez existam milhares de razões que os levem a defender o percurso tomado, mas que não é nem nunca poderá ser chamado uma vitória, isso tenho a certeza que não.

 
Talvez o Governo e os seus apoiantes nunca tenham ouvido falar de vitórias de Pirro. Pois muito bem, quando muito, se é, tenho a certeza que é uma "vitória de Pirro".

 
Mas caso o Governo e os seus apoiantes não saibam, eu esclareço o que é uma “vitória de Pirro”. “Vitória de Pirro é uma expressão utilizada para expressar uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis.” (1)

 
Já não seria de bom tom vangloriar-se de atingir as metas do défice, tendo em conta os prejuízos causados ao País (2), mas vir bradar ao Mundo que as metas, já de si draconianas, foram ultrapassadas (ainda por cima com excedentes da Segurança Social), é de uma insensibilidade que raia o insulto.

 
O que diriam dum médico que viesse vangloriar-se que tinha curado um doente, sabendo nós que lhe tinha provocado sequelas irreparáveis, não pela cura em si, mas apenas pela forma drástica como lhe tinha aplicado os tratamentos.

 
Mas neste caso é ainda pior. O problema maior é que o doente não está ainda curado, nem de perto nem de longe. O “médico” neste caso, ao que parece, conseguiu apenas baixar um pouquinho a febre.

 
O problema maior é que o “médico” aproveita estas pequenas “melhoras”  para continuar a aplicar o seu tratamento de choque.
 
 
A mim, o que me ocorre como referi no início, é semelhante ao que terá dito Pirro, o Rei do Épiro, "uma outra vitória como esta arruina-nos completamente".

 
Sem grandes comentários porque o mal está à vista de todos, haja decoro (no mínimo).
O melhor, mesmo o melhor se querem a minha opinião, seria mudar de “médico”.
 
 
Mas aí teríamos outro problema, a que novo “médico” recorreríamos?
O que se perfila na praça para substituir o atual? Não será caso para dizer venha o diabo e escolha, mas anda lá bem perto.

Notas:
 
 
(2) talvez ao contrário do que pensa o Governo e os seus apoiantes, para mim, o País são as pessoas e não uma entidade abstrata que serve em muitos casos apenas para alimentar inconfessáveis interesses económicos e também inconfessáveis ideais xenófobos.

sábado, 18 de janeiro de 2014

VAMOS FAZER CAMPANHA PELO "SIM". CONTRA O PRECONCEITO, PELA DEMOCRACIA, PELOS DIREITOS HUMANOS

 


Assim como já não acredito no Pai Natal, também não acredito que o inquilino de Belém inviabilize o referendo.
 
Como tal, convido-os já a partir de hoje a iniciar a campanha pelo SIM.
Porque ainda temos uma palavra a dizer. Ainda temos uma arma, o nosso VOTO. Ele ditará se queremos viver numa sociedade verdadeiramente democrática ou numa "democracia" hipócrita e lamacenta.
 
A proposta de referendo propõe a consulta popular sobre duas perguntas:
 
1. Concorda que o cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo possa adoptar o filho do seu cônjuge ou unido de facto? EU VOTO SIM .
 
2. Concorda com a adopção por casais, casados ou unidos de facto, do mesmo sexo?" EU VOTO SIM.
 
SEM QUAISQUER DÚVIDAS: EU VOTO SIM. Incito-vos a fazer o mesmo

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Artur Bual e o "gestualismo" (1)

 
1 – Artur Bual

Artur Bual (Lisboa, 1926 - Amadora, 1999): artista plástico português que influenciou de forma determinante a arte em Portugal na segunda metade do século XX.

Embora escultor e ceramista, é como pintor gestualista que a sua obra artística é mais reconhecida. Realizou diversas exposições em Portugal e no estrangeiro.

Está representado em diversas coleções: Palácio da Justiça de Lisboa, Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, Museus Nacionais, Câmaras Municipais, Centro de Formação Profissional de Pegões, Governo Regional dos Açores, etc. Executou diversos frescos em doze capelas, no Alentejo e Ribatejo.

Faz parte de uma lista de pintores historicamente representativos das várias tendências da pintura abstracta em Portugal. A razão é que a pintura de Bual é a primeira, e ainda a mais importante, referência do gestualismo na pintura portuguesa.

Com efeito, o gestualismo principiou na pintura portuguesa em 1958 com Artur Bual e foi na obra deste pintor que atingiu, e mantém ainda, a sua mais alta expressão estética.
 

"Aquilino"
 

Bual aparece no meio artístico português nos anos 50. Um tempo de alguns equívocos mas também de intensa ebulição criativa, em que a arte abstracta, até ali dispersa, passa a ser vista como uma vanguarda entre / ou contra, o Neo-Realismo e o Surrealismo, que eram, desde o final da II Guerra Mundial, os movimentos modernos que agitavam mais alto as bandeiras. 

O seu nome figura entre os dos artistas abstractos de Portugal que a Galeria de Março, (1952-54) reuniu "em parada completa pela primeira vez" em Abril de 1954 num I Salão de Arte Abstracta, mas a sua pintura não tinha ainda encontrado nessa altura, um rumo próprio: o abstraccionismo, conquanto provável no seu horizonte, não constituía senão uma tendência. Bual não tinha qualquer filiação estética especialmente nominável e quanto à sua posição em face da questão do momento: "o que era ser figurativo ou não figurativo?" tanto não rejeitava como também não se submetia à representação do real. 

O que na verdade a sua pintura tendia a representar (isso o ia levar, justamente, ao gestualismo) era o próprio acto de pintar. (2)



1.1 A pintura “gestualista” de Artur Bual

Artur Bual cedo se revelou um dos artistas mais dotados da sua geração, considerado um pioneiro da pintura gestual em Portugal, desde o início dos Anos Cinquenta. Ao Longo de cerca de 50 Anos de pintura, o seu gestualismo de vocação expressionista sempre se debateu entre a abstracção e a figuração, na apropriação de um espaço cenográfico, onde se inscreve o ritmo convulsivo do gesto do pintor.

A sua palete não abdica do claro-escuro do cromatismo tonal, que sugere profundidade e luminosidade, ao associar o negro a uma gama de tons sombrios até cinzentos e castanhos, de cuja densa obscuridade irrompem, por vezes, súbitos clarões de brancos, vermelhos sanguíneos e amarelos pálidos. Curiosamente, é no princípio e, mais deliberadamente no fim da sua carreira, que melhor se afirma a sua pintura gestual abstracta, expansiva e informal.
 
O expressionismo abstracto, que se vinha anunciando desde os anos 50, atinge ampla e significativa dimensão nos anos 90, nomeadamente nas últimas telas executadas em 1998, no ano que antecedeu a morte do pintor, em Janeiro de 1999. Numa visão retrospectiva a figuração e a abstracção alteram e frequentemente, se confundem, na obra de Artur Bual. É nos retratos de conhecidos Escritores Portugueses como Bocage, Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro (1963), Fernando Pessoa (1988) entre outros, que o talento do pintor vai ao encontro do gesto dominante. 

De temperamento expressionista, o gesto do pintor tende a romper com esquemas de representação convencional, quer nas cabeças de "Cristo" quer nas "Crucificações", que sintetizam a paixão e a angústia existencial do homem contemporâneo. O desenho revela a gramática formal do artista. Na representação esquemática do nú feminino, em que a atitude de pose erótica-sensual, há algo de irreverente e provocatório. No traçado gestual de cavalos em movimento, a figura tende a reduzir-se a uma ágil caligrafia. Em Portugal, nomeadamente desde 25 de Abril de 1974, Dia da Liberdade, Artur Bual pintou ao vivo telas de grandes dimensões nos encontros Internacionais de Arte, nas Bienais de Cerveira e em outros locais públicos. A pintura de Artur Bual é a primeira e ainda hoje a mais importante referência do Gestualismo na Pintura Portuguesa. (3)

 
 "Cristos"
 

2 - O “Gestualismo” (Action Painting) 

O gestualismo, pintura gestual ou action painting é uma forma de pintura abstracta onde se pode observar o gesto pictórico. Este tipo de pintura não apresenta esquemas prévios, e surgiu em Nova Iorque, nos anos 40 do século XX, sob influência dos processos surrealistas de pintura automática.
 
Alguns pintores inventam verdadeiras escritas pessoais fazendo sinais gráficos ao longo da superfície da tela, qua a levam a perder, em geral, a sugestão de violência muscular para se tornar opticamente mais atuante, chama-se então, pintura de sinais . Os sinais e os gestos de pintar como meio expressivo foram as bases desse tipo de pintura origininária do expressionismo abstrato. Tem como principais representantes Pollock, Kline e De Kooning. (2) 


2.1 Jackson Pollock

  
 



Pollock nasceu em Cody, no estado de Wyoming. Começou os seus estudos em Los Angeles e depois mudou-se para New York. Desenvolveu uma técnica de pintura, criada por Max Ernst, o 'dripping' (gotejamento), na qual respingava a tinta sobre suas imensas telas; os pingos escorriam formando traços harmoniosos e pareciam entrelaçar-se na superfície da tela.

Pollock foi muito importante para o 'dripping'; o quadro "UM" é um exemplo dessa técnica. Pintava com a tela colocada no chão para sentir-se dentro do quadro. Pollock parte do zero, do pingo de tinta que deixa cair na tela elabora uma obra de arte. Além de deixar de lado o cavalete, Pollock também não usa mais pincéis.

A arte de Pollock combina a simplicidade com a pintura pura e suas obras de maiores dimensões possuem características monumentais. Com Pollock, há o auge da pintura de ação (action painting). (2)


2.2 Willem de Kooning

 
 
Willem de Kooning (Roterdão, 24 de Abril de 1904 — Long Island, 19 de Março de 1997) foi um pintor holandês do expressionismo abstrato.

De Kooning foi um pintor figurativista, sobretudo retratista, e usou o guache, aguarela, pastel e técnicas mistas. Foi também escultor e desenhador.

A sua formação artística incluiu oito anos na Academia de Roterdão de Belas Artes e Técnicas. Nos anos 1920 Willem trabalhou como assistente do diretor de arte de um departamento de Rotterdam Store.

 
De Kooning era um dos trinta e oito artistas escolhidos a partir de um convite geral a Nova York para desenhar e pintar 105 murais públicos na Feira de 1939 Mundial de Nova York. O seu colega muralista, David Margolis relatou mais tarde as suas 1932 viagens a Savoy Ballroom e "o grande interesse no Jazz" de De Kooning.

Aos 21 anos, em 1926, embarcou clandestinamente para os Estados Unidos. Instalou-se em Nova Iorque e viveu de pequenos expedientse. Descobriu Greenwich Village, o bairro dos artistas, e ligou-se aos primeiros pintores abstratos americanos, decidindo, em 1935, dedicar-se inteiramente à pintura. Em 1937, juntou a partícula "de" ao seu nome para o tornar mais acolhedor.
 
Conheceu Arshile Gorky, com quem partilhou um atelier em 1947 e, tal como ele, se interessava pela pintura abstrata mais que pela figurativa. Graças aos seus conselhos, de Kooning «aprendeu a manter uma forma plana, dando a ideia de um volume». Ambos foram inspirados por Joan Miró e Pablo Picasso.
 
Em abril de 1948 expôs pela primeira vez sozinho, na Charles Egan Gallery. Em 1950 lançou uma série sobre as mulheres intitulada « Women », e representando Marilyn Monroe, seguida de outra série sobre os negros dos Estados Unidos. Começou-se a falar do "rosa de Kooning" e em 1961 instalou-se num grande atelier em East Hampton. Recusou categoricamente pertenças ou afiliações a movimentos artísticos. (2)


2.3 Franz Kline
 
 


Tal como Jackson Pollock e outros pintores abstratos, Franz Kline utilizava um tipo de pintura abstracta designada pintura gestual (action painting). A maior parte do trabalho de Kline era "praticada espontaneamente". Desenhava muitos esboços dos seus trabalhos, nomeadamente em páginas de listas telefónicas, antes de elaborar o seu trabalho plástico.

Os melhores e mais conhecidos trabalhos expressionistas de Kline foram feitos com as cores branca e preta puras, ainda que por vezes introduzisse diversas tonalidades de ambas as cores.

Só voltou a utilizar cor nas suas pinturas a partir de 1955. Usou cor em muitos das suas mais importantes obras, mais consistentemente, após 1959.

Parece haver referências à caligrafia chinesa nas suas composições em branco e preto, apesar de que o artista sempre tenha negado dita relação. Pontes, túneis, edifícios e outras estruturas arquitectónicas e industriais foram usualmente mencionados como fontes da inspiração de Kline.

O estilo/método mais reconhecido do artista deriva de uma sugestão feita pelo seu amigo Willem De Kooning. Em 1948, Kooning sugeriu a Kline que experimentasse utilizar um projector para obter imagens sobre uma parede lisa. (2)


Fontes:

(1) Este artigo surge na sequência do desafio que me foi lançado por Valentim Rem (Valentim Remédios) no Facebook (a quem dou os parabéns), pretendendo ser apenas uma modesta contribuição para o início de uma partilha de pequenos e grandes “saberes”. Esta contribuição, como disse, é modesta e não tem qualquer espécie de originalidade, resultando somente duma pesquisa/compilação de textos encontrados na net. Apesar de o desafio lançado ser sobre Artur Bual, resolvi falar essencialmente sobre o seu percurso “gestualista” e um pouquinho sobre o “gestualismo”.

(2)
http://pt.wikipedia.org

(3)
http://www.eurogaleria.pt/consagrados/artur.xml

 


 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Em quem vou eu votar ou em quem gostaria eu de votar? Ou como uma análise do atual panorama político se transformou no meu “manifesto” para quem quiser o meu voto.


 
Com as eleições europeias quase à porta (maio de 2014) e sendo as legislativas em 2015 como tudo indica, para mal ou bem das nossas vidas (dependendo da perspetiva), acordei hoje a pensar nisto.

Sinceramente, podia dar-me para estar virado para outras coisas mais agradáveis. Talvez as prendinhas que vou receber no Natal, ou as festaças que aí vêm, mas não, deu-me para isto (as eleições).

Brincadeiras à parte, para mim e para as minhas intenções de voto, o cenário é desolador.

À direita, estamos conversados. Para aí não vai de certeza o meu voto, nem que me apareçam os pastorinhos com “selfies” da nossa senhora abraçada ao passos coelho e ao portas.

À esquerda, tenho muita pena mas, por agora, conversados estamos. Senão vejamos:
No PS, não posso votar simplesmente porque não sei como se vota num partido que não existe, ou que se eclipsou completamente. Podem argumentar que o partido não é a sua direção, mas isso são simplesmente argumentos, porque ainda no ano passado o dito assumiu o consenso (quanto a mim podre) em volta de seguro. Não estejam à espera que eu vá votar neles, só porque se agarraram a uma estratégia do “vamos ficar quietinhos que o poder vem cair-nos ao colo”. De qualquer forma, é melhor não imaginar a.j. seguro como primeiro ministro. Não me apetece passar a quadra natalícia com pesadelos.

No PC? Sinceramente, apesar de serem o partido que, a par com a CGTP, protagoniza as acções de luta mais eficazes (na esfera partidária), continuam iguais a si próprios. Neste caso, o que me fez não votar neles em eleições anteriores, mantém-se. Não é minha intenção discutir aqui essas razões, porque daria muito pano para mangas, mas poderá ser interessante para outro artigo.

O BE com a sua simpática mas ineficaz liderança bicéfala, convence cada vez menos. A sensação que dá, é dum partido acomodado na sua postura oposicionista, que desistiu de ser ou participar em soluções de poder (ou se calhar nunca quis). Apesar de reivindicativo e de mostrar empenho, não aparece como uma verdadeira força alternativa que possa alterar as fronteiras do chamado arco governativo. Acho que o BE devia olhar para a sua direita e ver a forma aguerrida com que o CDS/PP, apesar de saber que não tem hipótese de ser o partido maioritário, luta para conseguir uma margem eleitoral que lhe permita participar e influenciar soluções governativas com o PSD.

Para além destes atuais protagonistas de esquerda, aparecem agora duas espécies de possíveis alternativas, o LIVRE e o 3D (este fresquíssimo apresentado esta semana).

Quanto ao LIVRE, depois de ouvir as notícias sobre este embrião de partido e de saber que se pretendem situar num espaço entre o PS e o BE, fiquei curioso e quis saber mais. Aquilo que vi no site oficial (ou não vi, talvez mais o que não vi) desencantou-me. Para além das banalidades generalistas, o primeiro comunicado ou documento de reflexão (como lhe chamaram) fala da convergência à esquerda e da necessidade de chamar os outros partidos a uma espécie de plataforma  de esquerda para combater a direita. Apesar de meritório este objetivo, mas que raio de primeiro documento de reflexão é este. Ainda se fosse um segundo ou terceiro, poderia estar de acordo.  Agora como primeiro documento? Se num primeiro documento, não se fala dos nossos objectivos próprios, das nossas soluções/reflexões governativas, em suma daquilo que pretendemos propor aos nossos apoiantes para que confiem em nós quando é que falaremos. Como posso eu cativar alguém se, à primeira vista, simplesmente me ofereço para ser um trampolim para a convergência. Mais vale os eleitores votarem nos outros interessados e esperar que eles se entendam. Não é necessário meter mais uma carta no baralho.

O auto denominado movimento 3D, ao que parece “aparece” com o objetivo de concorrer às europeias, não se assumindo como uma verdadeira alternativa de governo (pelo menos por enquanto). Apesar de contar com um número de estimáveis subscritores, sinceramente preciso de mais do que migalhas. Alguém que aparece e apresenta como objectivo apenas as eleições europeias, sinceramente não me satisfaz.

Depois disto tudo olho para a esquerda e o que fica? Por exclusão de partes, não fica nada, ou seja, a esquerda como verdadeira e consequente alternativa à direita, é um vazio completo.

Pelos vistos, o panorama é este: os partidos de esquerda que já existem, aparecem-me como situacionistas (PC) e acomodados (BE), ou em período de hibernação e com devaneios de centro direita (PS).

Os que desejam aparecer (LIVRE e 3D), logo à partida se mostram destinados a ser inconsequentes e a virem engrossar aquele nicho dos zero vírgula qualquer coisa por cento.

Depois de tudo isto, desisto de pensar em quem vou votar. Prefiro ser consequente e pensar em quem gostaria de votar:

1 – Num partido ou programa ideologicamente situado entre o PS e o Bloco de Esquerda.

2- Num partido ou programa que apostasse no crescimento económico, revitalizando de forma controlada o consumo privado e apostando em cortes de despesa que não passassem, por exemplo por cortes de salários ou de pensões e apostasse numa efetiva redução do peso do estado.

3 – Num partido ou programa que defendesse a manutenção debaixo da esfera exclusivamente pública tanto do SNS como da Educação, apostando sempre na qualidade dos seus serviços e da sua gestão. Naturalmente que o privado pode continuar a existir sem qualquer problema, mas quem quiser a ele aceder pagará os seus custos efetivos, sem qualquer participação do estado. Ou seja, nada de parcerias público privadas ou de cheques ensino. As existentes são para terminar (imediatamente as ruinosas e com o tempo as outras).

4 - Num partido ou programa que apostasse numa efetiva solução para os setores estratégicos ligados à energia, aos transportes, etc. seja alienando, mantendo ou fazendo-os retornar na medida do possível e analisando caso a caso, para a alçada do estado. Isto sempre tendo em conta uma verdadeira visão estratégica, prevendo mecanismos eficazes de controlo e supervisão e que prevenisse os desperdícios, abusos e outras matérias inconfessáveis.

5- Num partido que apostasse numa efetiva reforma da Justiça, com soluções concretas para os atuais problemas.

6 – Num partido que apostasse em tetos para a despesa e para a dívida, sem ter qualquer problema em colocar isso na Constituição ou nas chamadas "regras de ouro" (aprovadas ou alteradas por maiorias de dois terços).

7- Num partido  que apostasse na introdução das "regras de ouro" em setores como a Justiça (precisamente para que a sua reforma seja consensual e dure por muitos anos), como a Educação, a Saúde, etc. (exatamente pelos mesmos motivos).

8 – Num partido que apostasse numa verdadeira política de Solidariedade Social e não de caridade social, em que a dignidade humana seria sempre o ponto inicial e final de todas as questões. Aqui também se aplicaria a introdução das “regras de ouro”.

9 – Num partido ou programa que assumisse os direitos das chamadas “minorias” como direitos inalienáveis e em que o direito à Liberdade Individual de cada Cidadão (seja qual for a sua opção política, religiosa, sexual,etc.) fosse um dado adquirido, mantendo e ampliando, onde necessário, os já existentes. Incluo, por exemplo, nos direitos individuais a eutanásia, a livre interrupção da gravidez,   a adoção por casais homossexuais em igualdade de direitos com os heterossexuais, etc.. Incluo também o respeito e a dignificação das comunidades imigrantes (exatamente como gostaríamos que os nossos emigrantes fossem tratados no exterior).
 
10 - Falando em direitos, promovendo a legislação necessária e aplicando-a efetivamente na proteção dos animais, incluindo a proibição de qualquer atitude ou atividade (tradicional ou  não) que lhes provoque sofrimento. Falo muito concretamente, por exemplo,  das touradas e da utilização de animais em circos.

11 – Num partido que assumisse a defesa e o respeito efetivos e consequentes pela Constituição Portuguesa.

12 – Num partido que assumisse perante as instituições internacionais uma postura reivindicativa mas responsável (sem as tretas do não pagamos ou, em sentido contrário,  o choradinho do nós somos pequeninos e eles é que mandam).

E poderia continuar por aí além…mas para reflexão basta.

Se alguém ler este artigo e quiser o meu voto já sabe, proponha isto tudo e…convença-me que quando lá estiver vai cumprir.