quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A propósito do défice de 2013: números, números, números…. e quando é que olham para as pessoas, meus senhores?



 

Será que já ouviram falar em vitórias de Pirro? Este, perante um cenário destes, certamente diria "uma outra vitória como esta arruina-nos completamente".


O que parece uma grande vitória do País não é mais que o corolário dum longo caminho manchado pela miséria, pelos milhares de lares a atingirem níveis de pobreza nunca sonhados, pela fome, pelas vidas adiadas e/ou perdidas, pelos idosos humilhados/abandonados, pelas crianças com fome nas escolas, pelos jovens que abandonam o ensino por falta de meios, pelas famílias que perderam as casas, pelas insolvências, pelas falências…

 
Talvez para o Governo e para os seus apoiantes este seja um preço que tem de ser pago para que o País se livre da interferência externa, talvez existam milhares de razões que os levem a defender o percurso tomado, mas que não é nem nunca poderá ser chamado uma vitória, isso tenho a certeza que não.

 
Talvez o Governo e os seus apoiantes nunca tenham ouvido falar de vitórias de Pirro. Pois muito bem, quando muito, se é, tenho a certeza que é uma "vitória de Pirro".

 
Mas caso o Governo e os seus apoiantes não saibam, eu esclareço o que é uma “vitória de Pirro”. “Vitória de Pirro é uma expressão utilizada para expressar uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis.” (1)

 
Já não seria de bom tom vangloriar-se de atingir as metas do défice, tendo em conta os prejuízos causados ao País (2), mas vir bradar ao Mundo que as metas, já de si draconianas, foram ultrapassadas (ainda por cima com excedentes da Segurança Social), é de uma insensibilidade que raia o insulto.

 
O que diriam dum médico que viesse vangloriar-se que tinha curado um doente, sabendo nós que lhe tinha provocado sequelas irreparáveis, não pela cura em si, mas apenas pela forma drástica como lhe tinha aplicado os tratamentos.

 
Mas neste caso é ainda pior. O problema maior é que o doente não está ainda curado, nem de perto nem de longe. O “médico” neste caso, ao que parece, conseguiu apenas baixar um pouquinho a febre.

 
O problema maior é que o “médico” aproveita estas pequenas “melhoras”  para continuar a aplicar o seu tratamento de choque.
 
 
A mim, o que me ocorre como referi no início, é semelhante ao que terá dito Pirro, o Rei do Épiro, "uma outra vitória como esta arruina-nos completamente".

 
Sem grandes comentários porque o mal está à vista de todos, haja decoro (no mínimo).
O melhor, mesmo o melhor se querem a minha opinião, seria mudar de “médico”.
 
 
Mas aí teríamos outro problema, a que novo “médico” recorreríamos?
O que se perfila na praça para substituir o atual? Não será caso para dizer venha o diabo e escolha, mas anda lá bem perto.

Notas:
 
 
(2) talvez ao contrário do que pensa o Governo e os seus apoiantes, para mim, o País são as pessoas e não uma entidade abstrata que serve em muitos casos apenas para alimentar inconfessáveis interesses económicos e também inconfessáveis ideais xenófobos.

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