Será que já ouviram falar em vitórias de Pirro? Este, perante um
cenário destes, certamente diria "uma outra vitória como esta arruina-nos
completamente".
O que parece uma grande vitória do País não é mais que o corolário dum
longo caminho manchado pela miséria, pelos milhares de lares a atingirem níveis
de pobreza nunca sonhados, pela fome, pelas vidas adiadas e/ou perdidas, pelos
idosos humilhados/abandonados, pelas crianças com fome nas escolas, pelos jovens que
abandonam o ensino por falta de meios, pelas famílias que perderam as casas,
pelas insolvências, pelas falências…
Talvez para o Governo e para os seus apoiantes este seja um preço que
tem de ser pago para que o País se livre da interferência externa, talvez
existam milhares de razões que os levem a defender o percurso tomado, mas que
não é nem nunca poderá ser chamado uma vitória, isso tenho a certeza que não.
Talvez o Governo e os seus apoiantes nunca tenham ouvido falar de
vitórias de Pirro. Pois muito bem, quando muito, se é, tenho a certeza que é
uma "vitória de Pirro".
Mas caso o Governo e os seus apoiantes não saibam, eu esclareço o que é
uma “vitória de Pirro”. “Vitória de Pirro é uma expressão utilizada para
expressar uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de
prejuízos irreparáveis.” (1)
Já não seria de bom tom
vangloriar-se de atingir as metas do défice, tendo em conta os prejuízos
causados ao País (2), mas vir bradar ao Mundo que as metas, já de si draconianas,
foram ultrapassadas (ainda por cima com excedentes da Segurança Social), é de
uma insensibilidade que raia o insulto.
O que diriam dum médico que viesse vangloriar-se que tinha curado um
doente, sabendo nós que lhe tinha provocado sequelas irreparáveis, não pela
cura em si, mas apenas pela forma drástica como lhe tinha aplicado os
tratamentos.
Mas neste caso é ainda pior. O problema maior é que o doente não está
ainda curado, nem de perto nem de longe. O “médico” neste caso, ao que parece,
conseguiu apenas baixar um pouquinho a febre.
O problema maior é que o “médico” aproveita estas pequenas
“melhoras” para continuar a aplicar o
seu tratamento de choque.
A mim, o que me ocorre como referi no início, é semelhante ao que terá dito Pirro, o Rei do Épiro, "uma outra
vitória como esta arruina-nos completamente".
Sem grandes comentários porque o mal está à vista de todos, haja decoro
(no mínimo).
O melhor, mesmo o melhor se querem a minha opinião, seria mudar de “médico”.
Mas aí
teríamos outro problema, a que novo “médico” recorreríamos?
O que se perfila na
praça para substituir o atual? Não será caso para dizer venha o diabo e
escolha, mas anda lá bem perto.
Notas:
(2) talvez ao contrário do que pensa o Governo e os seus apoiantes, para mim, o País são as pessoas e não uma entidade abstrata que serve em muitos casos apenas para alimentar inconfessáveis interesses económicos e também inconfessáveis ideais xenófobos.

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