quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

triste é o meu olhar


 
triste é o meu olhar.
estou perante ti,
não sinto, não penso, não choro
nem sei de onde vim.

 
estou perante ti,
quero dar-te a mão,
abandonar-me no teu colo,
ouvir-te chamar por mim.
não sinto, não penso, não choro
dou-te só a mão,
beijo o teu rosto,
chamo por ti.

 
o frio já percorre o teu corpo,
pálida está a tua mão
e eu, que não sinto, não penso,
nem sequer choro, aqui estou
perante ti. e triste,
tão triste é o meu olhar.


Luciano Santos, em "A Porta Verde"

domingo, 23 de fevereiro de 2014

obsessão

 

acordou tarde o Mundo.
uma vez, só. o Silêncio com o Dia!
um Corpo num Cubo
um Sonho e a Saudade, o Futuro!

 
nesse Dia, na Manhã,
como em todas as Manhãs antes da Esperança,
Solidão.

 
nessa Manhã,
o Corpo e uma Lágrima, uma única Lágrima,
no Cubo, na Manhã.

 
o Corpo move-se.
fora, no Mundo os primeiros passos. o Silêncio desaparece.
o Corpo move-se.
dentro, no Cubo, Solidão.
o Corpo move-se.
um Adeus, só.
o Corpo move-se.
um Dia, só!
o Corpo move-se.
um Dia. depois
Adeus!
o Corpo move-se, move-se e não para.
dentro, no Cubo, Solidão.
dentro, no Corpo, Mágoa.
o Corpo move-se, move-se e a Mágoa cresce.
o Corpo grita! no Cubo,
Solidão.
o Corpo cai! no Cubo,
Silêncio.
o Corpo grita.
na Manhã, no Cubo.
Adeus!

 
no Cubo um Som!
o Corpo vira-se, procura
o Corpo corre, procura!
o Som!
o Corpo para.
Silêncio.
o Corpo chama.
Silêncio. um Adeus.
 

o Corpo chama.
Silêncio.
Adeus!
o Corpo vira-se.
Mágoa.
o Corpo vira-se.
o Cubo, pequeno!
vira-se,
o Cubo, fechado!
vira-se.
no Cubo, uma Porta!
o Corpo corre,
a Porta abre.

 
fora, na Manhã
como em todas as Manhãs antes da Esperança,
Sombras! que se movem.
o Corpo olha.
o Olhar perde-se
no Cubo, Silêncio.
o Corpo sai.

 
fora, no Mundo, na Manhã
Sombras que passam.
o corpo caminha.
Sombras que passam
Sombras que olham.
o Corpo caminha.
Sombras que passam, olham e falam.

 
o Corpo para, vira-se, olha.
o Cubo. o Silêncio.
Sombras,
Sombras.
o Cubo.
o Silêncio.
o Corpo vira-se.
Sombras.
vira-se, caminha,
Sombras,
caminha.
o Cubo. Sombras.
o Silêncio. corre.
no Mundo,
Sombras.
o Cubo.
corre. o Cubo!
Corre. o Cubo aqui.
para! a Porta abre.
entra. a Porta fecha.


o Cubo.
o Corpo, no Cubo.
nem Sombras nem Mundo.
na Manhã, o Corpo.
só!

 
o Cubo. pequeno. fechado.
o Corpo. só!
a Mágoa. o Corpo.
uma Lágrima,
na Manhã, como em todas as Manhãs antes da Esperança,
a Saudade!
no Corpo, sempre.

 
o Corpo, no Cubo
o Sonho.
desejou! o Sonho,
esquecer, desejou.
o Mundo, na Manhã,
Tempo, Sonho, Corpo
no Cubo, na Manhã
esquecer, desejou, tentou.
o Corpo, na Manhã.

 
só. no Sonho, Sombras
da Manhã no Mundo. Dor.
no Cubo! Tempo, Desejo,
esquecer. uma Lágrima.
só. sempre.

 
nessa Manhã,
o Corpo. uma Lágrima, uma única Lágrima
no Cubo, na Manhã.
Tempo Desejo
Sonho. Dor.
esquecer. só
Tempo Desejo
Saudade! no Cubo.
na Manhã.

 
esquecer. só.
Sonho, Saudade, Adeus.
o Corpo no Cubo.
caído. na Manhã
no Sonho. Tempo Desejo
esquecer. Sempre
o Sonho, no Cubo. caído.
na Manhã, como em todas as Manhãs antes da Esperança.
Dor!

 
Mágoa Saudade.
só. Sempre!
no Cubo, no Corpo. Lembrar
Sonho
só. Sempre!
na Manhã, como em todas as Manhãs antes da Esperança.
Sonho!

 
no Corpo, no Sonho.
partir. Mágoa Dor.
na Manhã, Sombras. partir
lembrar. o Corpo no Sonho
só. Sempre!
partir. Ousar
no Cubo. na Dor
lembrar. Tempo Desejo
partir. Ousar
o Corpo no Cubo.
Decidir. Adeus, o último ! só.
Sempre!

 
no Mundo, Sombras
no Cubo,
do Corpo. Adeus, o último!
só. Sempre! na Manhã, como em todas as Manhãs. o Corpo!

 
no Cubo, o Mundo. na Manhã. Sombra.
do Corpo?
Sombra, Palavras! o Mundo
no Cubo, olhou. Palavras! Saber
do Corpo, no Cubo o Mundo,
olhou. leu. Palavras, do Corpo, no Cubo.

 
olhou. leu. uma vez
só! nessa Manhã
o Mundo, no Cubo. Entendeu!

 
Sombras, no Cubo,
Palavras, na Sombra
do Corpo.
as Sombras, as Palavras, no Cubo,
na Sombra do Corpo. olharam. leram.
nessa Manhã, como em todas as Manhãs!

 
das Palavras, no Cubo, na Sombra
do Corpo.
nessa Manhã como em todas as Manhãs, a Esperança!
só! Sempre.


Luciano Santos, em "A Porta Verde"

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Foi chumbada pelo TC a proposta de referendo à adopção e co-adopção por casais homossexuais. Vamos lá a ver se os jotinhas não voltam à carga.






Foi chumbada pelo TC a proposta de referendo à adopção e co-adopção por casais homossexuais. Vamos lá a ver se os jotinhas não voltam à carga.

Não me espantava. A exemplo dos seus excelsos patrões que, sempre que há uma decisão do Tribunal Constitucional, arranjam maneira de dar a volta à questão, estes jotinhas poderão muito bem vir agora pedir dois referendos, sendo colocadas as questões em separado. Ou então poderão arranjar qualquer outra proposta mirabolante que não me ocorre sequer imaginar.

Talvez desistam, mas se isso acontecer é porque talvez se apercebam que como manobra de diversão, já não pega. Mais vale partirem para outras (manobras de diversão), para esconder as “porcarias” que este Governo anda a fazer.

Também o “menino” cavaco, quer queira quer não, pelo menos por agora é obrigado a vetar a proposta de referendo.

Só os meninos jotitas do PSD (manobrados sabe-se lá por quem) é que se sujeitaram a isto, que não passou de uma manobra de diversão e/ou golpada (1) para adiar uma questão que parecia bem encaminhada para uma resolução na Assembleia e, ao mesmo tempo,  para nos distrair dos costumeiros atentados a que esta governação nos tem habituado.
 
É que nem o parceiro de coligação desta "insígne" geração de jotinhas os acompanhou, embora todos saibamos para onde tenderia o seu voto se este referendo fosse para a frente. É que até para o PP, neste caso, o descaramento tem limites.
 
Vamos a ver o que nos reservam estes "artistas" nos tempos mais próximos.  De certeza que já andam a conspirar pela calada.

Esperemos que tomem todos juízo e que o processo relativo à adopção e co-adopção volte à Assembleia da República, de onde nunca devia ter saído e que, em sede de comissão, seja redigido e depois já no hemiciclo seja aprovado.

A democracia, todos nós e, em particular, as crianças merecemos que o direito à adopção e co-adopção por casais homossexuais seja reconhecido por lei.

De qualquer forma por enquanto é altura de celebrar e, mais uma vez, dar os parabéns ao TC e, acima de tudo, lembrar o texto constitucional que tem sido o garante da alguma, pouca, legalidade democrática a que nos temos habituado.
 
NOTA: (1) Reações dos partidos (excepto PSD) ao chumbo: 
 

 

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

amanhã vou estar triste


 
amanhã vou estar triste,
vais estar perto de mim e
sei que vou estar triste.

 
amanhã vou estar triste 
mesmo estando perto de ti.
mesmo que me sorrias
que me abraces,
vou estar triste.

 
amanhã vou estar triste.
sei que vou partir, não amanhã,
talvez não depois,
mas sei que vou partir,
que tenho de partir.

 
amanhã vou estar triste e
vou olhar para ti,
fixar-te, beber os teus gestos.
quero preciso de me lembrar,
vou partir e
tenho de me lembrar.
de ti!

 
vou estar perto de ti, não hoje,
amanhã
e vou estar triste.
amanhã vou estar perto de ti
e vou estar triste.
vou partir, sei que vou partir
e vou estar triste.

 
porque sei que vou partir,
não amanhã nem depois de amanhã. mas
vou partir, sei que sim e estou triste.
amanhã como hoje, vou estar perto de ti
e como hoje, vou estar triste.

 
vou  olhar-te, para me lembrar.
quero preciso de me lembrar.
não perguntes porque olho
ou como me sinto. estarei triste
e  continuarei triste,
mesmo perto de ti.
porque sei que vou partir.

 
sei que não é o tempo da chegada.
é só o tempo de estar, de te olhar, de te abraçar.
vou partir um dia e estou triste.
tão triste como ontem, tão triste como amanhã.
sei que ainda não é tempo de chegar
e estou triste. vou partir,
um destes dias, mais uma vez.


Luciano Santos

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Incríveis GIFs 3D criados com um simples efeito visual. Efeitos fantásticos a partir duma ideia tão "simples".


Embora diferente do habitual que tenho aqui publicado, captou a minha atenção, pela forma como a partir dum raciocínio tão "simples" se criam efeitos visuais espetaculares.

Não me detenho muito em explicações (as imagens são suficientemente eloquentes).

A forma como o nosso cérebro é "enganado" é incrível, e tudo isso a partir dum simples “truque”. Faço aqui uma pequena seleção dos GIFs apresentados no blogue original
(ver artigo) . Qualquer um dos GIFs é excepcional. Escolham o vosso preferido.

Como é que se consegue isto? É simples (aparentemente).
 
A adição de um par de linhas verticais (geralmente em branco) nas imagens em movimento, é o ponto de partida para a criação do efeito tridimensional.

As linhas divisórias brancas servem como marcadores visuais para o primeiro plano. Quando algum objecto aparece na frente destas linhas, o cérebro do espectador imediatamente traduz isto como uma cena tridimensional.
Quando os personagens e objetos se movem para o primeiro plano, aparentemente ultrapassam a barreira da imagem, criando este efeito visual.  
 
 

O “truque” na criação destes GIF 3D é aproveitar este efeito e escolher cenas em que algo, quer se trate de uma pessoa, animal, monstro, etc. está inicialmente no fundo e avança para o primeiro plano.
 
 


   
 
 
 


  
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

eu sou

 

eu sou a consciência dos tempos
a eternidade dos deuses que matei
nem outros nem ídolos nem donos nem senhores
eu sou o que penso
não sigo nem procuro
eterno sou
 

não tenho caminhos
nem mistérios
eu sou
mais ninguém
a consciência de mim


Luciano Santos, em "A porta Verde"

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

o meu mundo


 
olho para ti. céu mar,
esse sorriso, o mundo
as mãos na guitarra. o mundo, em ti
vejo o dedilhar, vejo-te. o meu mundo

 
“so, so you think you can tell”

 
a voz, hesitante insegura
os teus olhos, céu mar
o dedilhar, a guitarra
e eu, feliz. sinto-me feliz.
és tu.

 
“how I wish, how I wish you were here”

 
e continuas. a voz, o sonho, a vida.
a tua voz. olho-me, olho-te.
o dedilhar, a guitarra,
o teu primeiro passo, o teu riso.
olho-me.
vejo-te. a tua voz, céu mar mundo.

 
“running over the same old ground”

 
olho para ti. no olhar céu mar,
esse sorriso, o mundo.
as mãos na guitarra. o mundo, em ti.
 

“what have we found”


o som que me percorre, fecho os olhos.
és tu, linda. o teu olhar céu mar,
o dedilhar a guitarra.
o meu mundo, o teu mundo.
sonho. sonho-te feliz, quero-te feliz.

 
“wish you were here”


Luciano Santos, em "A Porta Verde"
 
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Chamava-se MARIUS e foi abatido em nome do “melhoramento genético que tem como objetivo garantir uma população saudável de girafas em zoos europeus”.

 
(Ver artigo do DN)

HEIL DINAMARCA, HEIL UNIÃO EUROPEIA. VÃO-SE *****

CANALHAS, é o termo que me ocorre escrever, porque os termos que me vêm à cabeça são mil vezes piores.

Sem quais forem as razões (científicas ou não) para o abate, nada o justifica.

Segundo parece, isto aconteceu porque devido à legislação da União Europeia, o animal não se poderia reproduzir por questões de consanguinidade. Então a lógica é simples, antes que ande para aí na “malandrice”, toca a matá-lo.

Não vale a pena terem existido dezenas de lugares prontos a acolher o infeliz animal e que, de certeza, se comprometeriam a não deixá-lo aproximar-se de qualquer girafinha jeitosa. Nem essas dezenas de ofertas convenceram esta espécie de ASAEs dinamarqueses.

“Na sua página oficial o diretor do jardim zoológico, explica que "as girafas do Zoo de Copenhaga fazem parte de um programa internacional de melhoramento genético que tem como objetivo garantir uma população saudável de girafas em zoos europeus"”.

Eu já li isto em qualquer lado, em discursos lá para os idos anos 30 e 40 do século vinte, ali num país bem pertinho (só que nessa altura eram relativos a humanos).

Para além disso, eu pensava que a ideia era, ir acabando aos poucos com os zoos e tentar encaminhar estas espécies para os seus habitats naturais, não digo numa geração, mas em várias gerações para que os animais nascidos em cativeiro pudessem ser protegidos. No entanto o objetivo final, quanto a mim, seria a redução gradual de nascimentos em cativeiro para que este verdadeiro “voyeurismo” humano terminasse e os animais pudessem viver “tranquilamente” em reservas naturais.
Pelo menos é isso que eu defendo, o fim gradual dos zoos.

Afinal a União Europeia vem dizer-me que tem programas para reprodução e “melhoramento” genético para “garantir uma população saudável em zoos”. Se não fosse dramático era, no mínimo, estúpido.

Como se já não bastasse toda a situação, o infeliz animal é abatido (com tiro de pistola para não estragar a carne) e extirpado em frente a dezenas de curiosos, com crianças a assistir. Para além do artigo do DN coloco um link para o VÍDEO do acontecimento (é suficientemente eloquente, pelo que não comento).

E eu que sempre ouvi dizer que estes povos nórdicos eram civilizados. Grande civilização.
Vamos apurar raças para que os meninos “civilizados” possam ir divertir-se e conhecer a fauna do mundo. Mas não é conhecer de qualquer maneira, no meio da selva. Coitadinhos, ainda eram mordidos por mosquitos e podiam voltar cheios de pulgas para casa. Não, os meninos têm de conhecer a fauna num ambiente giro e protegido e, se possível, com um pacote de pipocas nas mãos, ou no caso de nórdicos mais civilizados, umas saladinhas de vegetais biológicos.

Para além disso, estes grandes defensores dos direitos dos animais, no que se trata de "melhoramentos genéticos" e, portanto, científicos, toca a levar a filharada ao zoo.

E depois os povos do sul é que são bárbaros. Eu sei que somos uns bárbaros, mas irrita-me quando aparecem certos "arianistas" defender os virtuosos nórdicos, quando no fundo acabamos por ser todos “farinha do mesmo saco”.

Ironias e tretas à parte, fica aqui a minha tristeza. Em primeiro lugar por esta girafa, MARIUS, que teve o azar de nascer na Europa dos “melhoramentos genéticos” e em segundo lugar por nós, humanos.

Por nós (humanos), porque quando a Europa, considerada o exemplo da defesa dos direitos das espécies, assume nas suas leis a morte seletiva, muito mau se me afigura o futuro.

Para terminar e desabafar (mais uma vez)

 HEIL DINAMARCA, HEIL UNIÃO EUROPEIA, VÃO-SE *****.


NOTA FINAL: Olhem se a moda pega e Passos Coelho e a sua trupe ouvem isto. Toca a matar uns “velhinhos”, que já não produzem nada e são completamente “desnecessários”. E os jovenzinhos com ”sangue na guelra” também. Matam-se uns quantos em nome da seleção genética e o desemprego jovem fica resolvido.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

meu amor


 
e porque deste mundo um dia hás-de partir
e se a Morte, à tua
meus olhos não poupar,
ao Vento pedirei que sem destino me leve
ao Sonho, que com carinho  me embale
e à Saudade, meu amor,
a memória de ti!

 
e se o Vento um dia me pousar
e o Sonho o meu corpo perder,
então
meu amor, com a Saudade
olharei o Tempo,
se algum ainda me sobrar!


Luciano Santos, em "A Porta Verde"
 
 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

quando um dia eu partir

 

quando um dia para mim esta viagem
terminar e distante o meu fogo estiver
não invoquem deuses nem preces
deixem-me partir altivo e senhor de mim

 
deixem que o meu corpo distante de mim
em chamas se consuma e nos braços
do vento se espalhe pelas águas
de uma qualquer viagem 

 
quando o meu fogo partir
que o meu corpo se consuma sem deuses
nem preces
apenas eu altivo e senhor de mim

 
que o meu destino  se faça
terminando esta viagem como a vivi
deixem-me partir senhor do meu ser


Luciano Santos, em "A Porta Verde"