segunda-feira, 3 de março de 2014

Carta aberta de boas-vindas ao sr. dr. Miguel Relvas


 

Caro sr. dr. Miguel Relvas

Permita-me que lhe escreva umas notinhas. Prometo que serei breve, porque entendo que o seu tempo, nestes dias que correm, deve estar muito ocupado. Por mais que não seja, toda aquela “baba” dos excelentíssmos conselheiros nacionais que aplaudiram o seu “regresso”, deve dar um enorme trabalhão a limpar.

Passando ao assunto do seu aplaudido regresso às lides políticas, se eu fosse A.J. Seguro, diria simplesmente: “Qual é o espanto, sim, qual é o espanto?”.

Mas porque carga de água, não há-de o sr.dr. voltar?

Esteja à vontade sr. dr. Relvas, o partido e o país são seus.

Sirva-se. Afinal de contas, tem todo o direito.

Não faz mais nem menos do que outros fazem e/ou fizeram. Senão, basta fazermos um pouquinho de ginástica mental e podemos contar às dezenas aqueles que se retiraram por uns tempos, até as “más” línguas se calarem.

Se uns vão para os empregos de origem e voltam para serem presidentes da república e outros vão estudar por terras de hollande e voltam para limpar a imagem em canais públicos, quiçá à espera de um dia poderem também ir para belém, porque não há-de o sr. dr. voltar?

Se existem também outros que se “retiram” e vão ocupar altos cargos em construtoras e afins e, de vez em quando, voltam para dar um ar da sua graça e mostrar que ainda são “gente”, porque não há-de o sr dr. também mostrar que é “gente”?

Uma coisa é certa, e nisso faço-lhe justiça. V. Exa não utilizou o conhecido e desejado emprego de comentador, como veículo privilegiado para lavagens de imagem e retornos à política. Talvez por ter estado muito ocupado a diversificar os seus negócios. Mas aí não me meto. O sr. dr., como toda a gente, tem o direito à sua privacidade.

Caro sr. dr. Miguel Relvas, não me alongando muito, seja bem-vindo de volta a este lodaçal.

Esteja à vontade, mais um menos um, não faz diferença nenhuma. Ainda para mais quando o seu “regresso” é aplaudido por dezenas de "insígnes" conselheiros.

"Partindo do nada, cheguei à miséria ".

Sr. Dr., mesmo para terminar estes meus gatafunhos, essa sua citação do Grouxo Marx encaixa como uma luva. E estendo-a a todos os excelentíssimos regressados ao longo destes anos, após maiores ou menores períodos de nojo.

Dou-lhe sinceramente os parabéns, porque não podia ser mais acertada.

É que todos, sem exceção ("regressados" e outros que nunca saíram), partiram do “nada” ético e cívico e chegaram à “miséria” ética e cívica.

Mais concretamente, por mais que mudem de W.C. continuaram e continuam a ser a mesma m….
Sr. dr., sem mais, de momento, subscrevo-me



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