terça-feira, 16 de abril de 2013

Fenprof admite greve aos exames, "pelo tempo" que os professores aguentarem.


 



 
A Educação neste País vai de mal a pior. Apesar das melhorias verificadas ao nível da educação dos Portugueses nos últimos trinta e tal anos, basta ler as estatísticas publicadas a semana passada para perceber que muito há ainda a fazer.

No entanto, nos últimos anos tem vindo a ser constante o ataque ao sistema educativo e aos seus vários intervenientes. Nas ditaduras, umas das primeiras coisas que se ataca é o sistema educativo porque, como rezam os cânones, quanto mais ignorante um povo mais aberto a populismos e a formas de governo autocráticas. Será esta a intenção? Reduzir os níveis culturais da população, de forma a calar a sua contestação e aumentar a sua submissão? Acredito que as intenções não sejam essas, mas lá que parece, isso parece. Sejam quais forem as intenções (ideológicas ou contabilísticas), os ataques são reais.

A continua degradação do sistema económico a nível nacional tem também, a este nível, tomado uma particular importância, tanto pela degradação das condições socio-económicas das famílias (com as devidas repercussões nos alunos) como pela degradação das condições de funcionamento das próprias escolas. A juntar a isto temos também o ataque sistemático aos professores que para além da redução de vagas e de rendimentos (isto já desde o governo de Sócrates), têm pendentes novas/velhas ameaças de despedimentos.

A juntar a esta situação, temos um ministro (com letra pequena, naturalmente) que se revelou talvez o maior problema dos últimos anos, com uma visão de contabilidade de “vão de escada” cujos resultados irão repercutir-se por muitos anos. Resultados nefastos, infelizmente.

Mas voltando aos Professores e ao sistema educativo e à luta que um pouco por todo o lado tem vindo a acontecer (incluindo-se aqui os alunos e os funcionários das escolas), verifica-se um extremar de posições como tentativa última para tentar vencer estes “energúmenos” que nos (des)governam.

Este extremar de posições, é quanto a mim uma resposta necessária e urgente, porque depois de tudo o que tem acontecido e de tudo o que está previsto é tempo de dizer “basta”. Se calhar numa lógica "à Seguro” ou "à Proença” poderíam ir escrevendo cartas ou ameaçando rasgar acordos. Mas, numa lógica de pessoas "normais" que querem lutar pelos seus direitos  continuamente massacrados, o momento é “agora” e a luta deve assumir as proporções necessárias (proporções democráticas, claro).

Há quanto a mim um senão que tenho vindo a notar ao longo deste tempo. O ataque ao sistema de ensino e aos seus intervenientes tem vindo a ser feito e, pela sua interligação ou interdependência, todos têm vindo a ser afectados. No entanto, as várias jornadas de luta têm, em regra, sido sectoriais não deixando transparecer a união que a situação exige.

Então porque não sentarem-se todos à mesa e tomarem medidas urgentes de luta que juntem todos numa jornada só. Quando falo em todos, refiro-me a professores e funcionários e respectivos sindicatos, alunos, pais e encarregados de educação e respectivas associações, etc.

Quando um ataque contínuo e constante é feito a todos indiscriminadamente, então, quanto a mim a lógica é que, em conjunto, todos defendam os seus direitos. Talvez seja necessário apelar a  consensos entre os intervenientes, mas o resultado será sem dúvida melhor que lutar cada um por si.

O que estes anos têm mostrado da parte deste governo, é uma profunda insensibilidade social e uma visão profundamente “merkeliano-gasparista” (merkeliana primeiro, porque o nome do “dono” aparece sempre à frente) reflectida na tal teimosia  da austeridade “custe o que custar”. Desta forma, a única hipótese de fazer mudar esta “teimosia“ é a união de forças que os obrigue a negociar. De outra forma será mais do mesmo, ou seja este governo terá “um passeio tranquilo pelas ruas de Paris e uma marcha vitoriosa junto ao Arco do Triunfo” (quem foi que fez isto?).

Aquilo que leio na notícia de hoje aponta para uma luta sectorial, em que apesar do visado ser o governo, os prejudicados serão os alunos. E ainda mais prejudicados serão quando, numa altura crucial como a dos exames, se virem metidos no meio desta "batalha".

O bom senso diz-me que as formas de luta a encontrar, para terem sucesso, terão de reunir o consenso e o apoio da opinião pública. Ora, com medidas destas (greves aos exames), apesar de legítimas, os Professores apenas vão conseguir dividir ainda mais as opiniões e juntar contra si os alunos e os respectivos pais e encarregados de educação. Com isto, estarão apenas a fazer o jogo do governo que tem no “dividir para reinar” uma das suas principais divisas.

Posto isto, é fundamental que os Professores e respectivos sindicatos se sentem à mesa com os outros intervenientes (alunos, pais e encarregados de educação e funcionários) e arranjem formas de luta comuns que obriguem o governo a parar e negociar.

Sem este consenso, temo que vai acontecer outra vez e, mais uma vez, o mesmo. Manifestações e greves, que reafirmo, apesar de legítimas, serão no essencial, inconsequentes. Mas, neste caso, as greves aos exames, serão pior que inconsequentes porque, para além de não obterem resultados, irão prejudicar uma das partes (alunos), talvez a mais fraca e a que seguramente não tem qualquer culpa do estado actual do País.

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