segunda-feira, 22 de abril de 2013

Carlos Silva: “A UGT só representa os trabalhadores”. Quem diria...








Um discurso interessante. Basta olhar para o título e sub-título do artigo do DN:
Carlos Silva: “A UGT só representa os trabalhadores”
No primeiro discurso enquanto secretário-geral, Carlos Silva deixou claro que o superior interesse nacional é estar “sempre” ao lado dos trabalhadores."

 Afinal ,a UGT tem como superior interesse estar ao lado dos trabalhadores. Ou sou muito distraído, ou então isto é novidade (pelo menos nos últimos tempos).

É incrível como o primeiro discurso do novo secretário geral da UGT, tem como objectivo vir dizer ao comum dos mortais que a UGT é uma central sindical. Claro que como qualquer sindicato ou central sindical “o superior interesse é estar “sempre” ao lado dos trabalhadores”. Quando, um novo dirigente de uma qualquer organização sente a necessidade de afirmar a sua razão de existência, é sinal que pelo menos algumas dúvidas existem quanto à forma como essa organização tem feito o seu percurso.

De facto, a era “proencista”, pelo menos nesta última fase, tem sido pautada por uma série de “cheques em branco” ao governo, que não lembrariam nem sequer às associações patronais.

Com disse muito bem dito Carlos Silva, uma central sindical serve para defender os trabalhadores, e não para ser uma espécie de arauto da concertação social. A história recorrente  protagonizada por esta UGT, tem sido o desconcertante e extremamente nefasto “aceitámos este porque podia ser pior”.

Aliás, o que notámos nas reacções dos diversos quadrantes quanto à era que agora termina (ou que espero que termine), foi o elogio  quase unânime a João Proença vindo de (“pasme-se” ou não) quadrantes que apoiam o governo, oposicionistas da ala “seguro” e das associações patronais. Dos trabalhadores… não tenho ouvido nenhuns (tirando naturalmente as declarações de circunstância no congresso).

Este discurso de Carlos Silva, personagem que eu não conheço, pode também ser uma daquelas espécies de discursos de afirmação pessoal, para marcar o inicio de mandato. Se for isto, continuará tudo na mesma, ou seja, um Seguro “inseguro”, um Carlos Silva “proencista” e um presidente “envergonhante” (onde raio terá ido aquele homem  desencantar esta palavra).

Se não for este o caso e estas forem declarações genuínas de alguém que quer mesmo fazer a diferença e começar a lutar verdadeiramente pelos “superiores interesses dos trabalhadores”, então a UGT voltará a ser uma central sindical e aí os pratos de uma verdadeira concertação social poderão começar a ficar um pouco mais equilibrados.

Convém esclarecer a "proencistas" e outros que tais, que concertação social não é assinar acordos independentemente do que possa estar lá escrito, ou assinar acordos porque senão pode ser muito pior.

Convém também esclarecer que, em sede de concertação social, compete às associações patronais defender os seus direitos e às centrais sindicais os seus, estando o governo como parte interessada defendendo os interesses do estado no seu todo, servindo ao mesmo tempo de gerador de consensos.

Neste caso o que temos tido é precisamente o contrário do que refiro aqui.  Temos um Governo a defender a sua visão ideológico-contabilística, as associações patronais a defender os seus interesses (que praticamente não têm sido beliscados) e a UGT  a ir cedendo, cedendo e cedendo, em nome de vai-se lá saber o quê.

Carlos Silva, depois de um discurso em que também foram feitos novos avisos ao governo, tem porventura condições de se demarcar do caminho seguido por João Proença, que não deixa saudades a ninguém. Corrijo a minha imprecisão, João Proença não deixa saudades a nenhum trabalhador. Pelos vistos vai deixar muitas do lado das associações patronais, do governo e ao “envergonhante” presidente.
 
Talvez não possa dizer o mesmo de Seguro. O ar muito sorridente e até entusiasmado com que assistiu Seguro assistiu à posse de Carlos Silva, não é para mim uma boa referência. Espero enganar-me e que, apesar da amizade que parece que os une, os seus caminhos e as formas de os trilhar sejam muito diferentes.
 
Para finalizar e, por via das dúvidas, quero dizer a Carlos Silva que não basta só estar ao lado dos trabalhadores (isso também Proença provavelmente estaria), uma Central Sindical tem como obrigação única, lutar pelos direitos dos trabalhadores.
 

Ou como escreveu Daniel Oliveira no seu artigo no “Expresso”: "E se a UGT se transformasse numa central sindical?” (ver em: http://expresso.sapo.pt/e-se-a-ugt-se-transformasse-numa-central-sindical=f801952#ixzz2RC4XX33Y)

Olhem que era uma perspectiva muito interessante. Finalmente a UGT ser uma Central Sindical. Espero que não seja preciso mudar os estatutos para que isso aconteça.

P.S.: Se, de facto, Carlos Silva enveredar por um novo caminho de luta pelos direitos dos trabalhadores, já agora era bom que Seguro fosse fazer umas feriazinhas e o PS tivesse um novo Secretário-Geral. O congresso vem aí, ainda vão a tempo. Talvez alguém possa dar uma palavrinha a António Costa.
 

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